O que resta à democracia é torcer para que descrentes e indecisos despertem | Semana On

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Quarta-Feira 15.ago.2018

Ano VI - Nº 315

Governo

Coluna Ágora Digital

O que resta à democracia é torcer para que descrentes e indecisos despertem

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 08 de Junho de 2018 - Victor Barone

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A pesquisa divulgada nesta semana pelo DataPoder360 apresenta um cenário desalentador para quem imagina que o brasileiro tenha, ainda, um mínimo de confiança da democracia. Jair Bolsonaro (PSL) - o bozo de farda e oclinhos de sol, alegria da direita burra e da meninadasegue na liderança isolada na corrida pela Presidência da República. Pior, se a eleição fosse hoje, o ex-capitão venceria em todos os cenários projetados de segundo turno, deixando para trás Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB). Ao que parece, Bolsonaro tem apenas um adversário de fato: os votos brancos, nulos e daqueles brasileiros que ainda não sabem com certeza em quem votar. Somadas, estas fatias do eleitorado chegam de 41% a 48% dos votos. Estamos nas mãos dos indecisos e dos descrentes.

Segundo turno

Para investidores ligados ao mercado financeiro, Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT) disputarão o segundo turno das eleições de 2018. Este foi o cenário apontado por 44,8% dos entrevistados em sondagem realizada nos dias 4 e 5 de junho pela XP Investimentos. Foram ouvidos 204 gestores, economistas e consultores que representam mais de 50% dos recursos do mercado brasileiro. Na opinião de 48% dos investidores, o militar acabaria sagrando-se vencedor na disputa, segundo a opinião de 48%. Os questionamentos da sondagem foram sobre os candidatos que os entrevistados achavam que iam ganhar, e não em quem eles irão votar. Confira a íntegra da sondagem.

Escolhendo o campo

A desordem na centro-direita fez com que Jair Bolsonaro (PSL), em conversas reservadas, apostasse num segundo turno entre ele e um candidato do campo da esquerda. Mais: ele acredita que pode se beneficiar com a polarização. O grupo de Bolsonaro acredita em um duelo contra Ciro Gomes (PDT) ou Fernando Haddad (PT) – que substituiria Lula na urna. Apesar de o petista hoje pontuar mal nas pesquisas, a avaliação é a de que não se pode menosprezar o poder de transferência de votos do ex-presidente.

Empurrando com a barriga

O deputado federal e pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) vem fazendo manobras para tentar adiar seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições de outubro. Ele é réu em duas ações penais por ter dito para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, que ela não merecia ser estuprada por ser feia. Bolsonaro também responde pelos crimes de incitação ao crime de estupro, em processo movido pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O segundo processo já estava na fase final e o deputado chegou a propor um acordo em março no qual aceitaria cumprir alguma pena alternativa, mas desistiu após Fux atender a outro pedido da defesa juntando as duas ações.

Gordinho marica

Pré-candidato à Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) criticou o politicamente correto e disse que a questão de ódio é uma discussão secundária no Brasil. "No meu tempo de moleque, chamava você de gordinho, quatro olhos, não tinha problema nenhum. O gordinho, geralmente, quando ia para pelada, você chamava de gordo, ele saía na pancada. Hoje, o gordinho virou mariquinha. Vamos acabar com essa frescura. Isso não é o problema do Brasil. [...] Essa questão de ódio é secundária", disse Bolsonaro, destacando que "tem que deixar o politicamente correto de lado"...

O preferido da Inquisição

Amplos setores do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) têm seu candidato à Presidência: Jair Bolsonaro (PSL). O ex-capitão é o personagem perfeito para incorporar o processo de destruição da política a que passaram a se dedicar o MPF, a PF e setores do Judiciário. Não é que a Inquisição comungue dos credos de Bolsonaro, querem apenas alçar alguém que aumente a chance de fazer ruir o "mecanismo", que estaria "podre".

Correndo por fora

Com as indicações de que o TSE deve indeferir o registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a defesa do petista torce por uma decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU que possa constranger o tribunal. Acionado pelo ex-presidente, o colegiado internacional admitiu avaliar artigo que trata do direito de votar e de ser eleito. A aposta dos advogados de Lula é que uma decisão da ONU favorável a ele, ainda que posterior ao resultado da disputa deste ano, poderia alimentar discurso sobre a ilegitimidade da eleição.

Hora da verdade

Ao afirmar que poderia abrir mão da disputa pelo Planalto em nome da união da esquerda, Manuela d’Ávila (PC do B) enviou um recado direto para o PT: se a sigla não se dispuser a discutir uma alternativa a Lula, poderá acabar ficando só. Manuela e Ciro Gomes (PDT) têm mantido conversas frequentes.

Pra quem migra?

Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não for candidato a presidente, você acha que ele deveria apoiar quem? O DataPoder360 ofereceu 4 opções para os entrevistados. Há uma divisão grande, mas Ciro Gomes (PDT) lidera com 16%. Em seguida vêm Fernando Haddad (PT), com 12% Marina Silva (Rede), com 11%, e Jaques Wagner (PT), com 8%. Para maioria, 54%, Lula “não deve apoiar ninguém”.

Parceria

Benjamin Steinbruch comunicou à Fiesp seu afastamento temporário da função de vice-presidente da entidade. Cumpriu a regra legal que exige a desincompatibilização de funções para disputar a eleição. O dono da CSN é cotado para ser candidato a vice na chapa de Ciro Gomes (PDT) ao Planalto. O pedetista já disse que o empresário, filiado ao PP, “responde perfeitamente” ao perfil que busca para ingressar na disputa. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), é amigo pessoal de Ciro Gomes e de Steinbruch. Ele é o grande entusiasta de um acordo com o pedetista.

PP e DEM com Ciro?

PP e DEM vão decidir seus rumos na eleição de olho em um dado pragmático: embora menos intuitiva, a aliança com Ciro Gomes (PDT) poderia ser mais estratégica. Se ele passar ao segundo turno, ótimo. Se for abatido por Geraldo Alckmin (PSDB), sem problema. Pelo perfil, o tucano seria obrigado a recorrer à centro-direita para governar. O pedetista, não. Ele tem a esquerda. Por isso, as siglas avaliam que fechar com Ciro agora pode reduzir as chances de acabarem na oposição em 2019. A decisão, porém, não é simples. O DEM tem muito mais afinidade ideológica com os tucanos e alimenta uma relação com Alckmin há anos. Esses fatores estão na balança, mas a cúpula do partido já admite que avalia a sério a possibilidade de acabar fechando com o pedetista.

Em cana

Pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT) disse nesta semana que o presidente Michel Temer será preso e que o MDB é o único partido com o qual descarta alianças. "Peguei um tempo em que estava em pleno comando da Câmara o Michel Temer e o Eduardo Cunha, batendo bola um com o outro para roubar a nação. Fui processado por ambos. Um já está na cadeia e o outro vai", afirmou em sabatina promovida pelo jornal Correio Braziliense.

Eleitor improvável

“Eu até confesso para você publicamente aqui. Acho que muita gente não vai gostar de mim, mas eu votei no Ciro Gomes para presidente da República”, disse Jair Bolsonaro à TV Bandeirantes do Rio, em 1999. Na eleição seguinte, o deputado repetiu a dose. “No primeiro turno, trabalhei para Ciro Gomes, que perdeu”, afirmou, na tribuna da Câmara, em 2002. No segundo turno, rejeitou José Serra e optou por Lula. Por anos, Jair Bolsonaro (PSL) nutriu certa admiração pelo tom nacionalista e pelo estilo ácido de Ciro Gomes (PDT). Em 2018, a dupla desponta em polos cada vez mais distantes de uma disputa presidencial.

Tenso 

Cobrado por lideranças do PSDB sobre falta de coordenação nessa etapa da corrida, o ex-governador Geraldo Alckmin paulista jogou um guardanapo sobre a mesa e perguntou aos presentes se eles preferiam ter outro candidato —e, nesse caso, disse para que eles o escolhessem. A cena ocorreu durante jantar em um hotel do bairro paulistano dos Jardins, na noite do último dia 4. Estavam presentes diversos expoentes do tucanato, como os ex-governadores Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR), os líderes de bancada Paulo Bauer (Senado) e Nilson Leitão (Câmara), o ex-ministro Bruno Araújo (SP), o ex-senador José Aníbal (SP) e o coordenador de campanha Samuel Moreira. O candidato patina pouco abaixo dos 10% nas pesquisas.

Abaixo de todas as suspeitas

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra do sigilo telefônico do presidente Michel Temer e de seus ministros mais próximos, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), referente ao ano de 2014. O ministro Luiz Edson Fachin negou, mas autorizou a medida para os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), todos do MDB.Em parecer ao Supremo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a quebra de sigilo somente para os ministros, se posicionando contra a medida no caso de Temer. Para Dodge, ainda não há indícios que vinculem o presidente diretamente ao caso.

Ficção

Com o avanço de vazamentos sobre o inquérito que apura se houve edição de decreto em 2017 para beneficiar empresas em troca de propina, e que envolve o presidente Michel Temer (MDB), o Planalto perdeu a usual discrição. Na quarta-feira (6), a Secretaria de Comunicação da Presidência divulgou uma nota em que chama a investigação de “escândalo digno do Projac, a maior fábrica de ficções do país”. A resposta ocorreu depois da divulgação, no Blog da Andréia Sadi, do Grupo Globo, de que há uma investigação que apura se o emedebista recebeu mesada de R$ 340 mil nos anos 1990.

Desqualificado

Relatórios anexados aos inquéritos que investigam Michel Temer (MDB) levam a crer que, na opinião da Polícia Federal, o Brasil é presidido por um desqualificado. A maioria dos brasileiros concorda com os investigadores.

Temer, o rapper

Puxando pro centro

Diante do protagonismo de pré-candidaturas mais à esquerda e à direita do espectro político, lideranças de partidos como PSDB, DEM, MDB, PPS, PV e PTB lançaram um manifesto para tentar evitar a fragmentação das legendas de centro na eleição presidencial. O texto tem 30 signatários, entre políticos e intelectuais como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Para o presidenciável do DEM, Rodrigo Maia, no entanto, a iniciativa é um movimento mal disfarçado em favor da candidatura tucana de Geraldo Alckmin.

Conversa de bêbado

A falta de consenso em torno de um nome que lidere a disputa eleitoral pela centro-direita fez com que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encontrasse uma forma inusitada para definir as recentes discussões sobre o campo: "um conversa de bêbado". Segundo o deputado, um dos ao menos seis pré-candidatos ao Planalto que se autodenominam "de centro", há uma discrepância na expectativa da classe política e da sociedade sobre o que é pertencer a esse grupo que quer romper com a polarização entre direita e esquerda. "A sociedade não enxerga o centro como nós [políticos] enxergamos, então fica uma conversa que parece meio de bêbado”, afirmou

Marchando com Ele

A maioria (40,9%) dos frequentadores da Marcha para Jesus, que ocorreu pela 26ª vez em São Paulo no último dia 31, não espera que o próximo presidente da República seja evangélico. Quase um terço (32,62%) dos participantes até prefere que o Executivo fique nas mãos de alguém que professe outra ou nenhuma fé. Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa realizada durante o ato religioso pelo Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (Neamp) da PUC-SP em parceria com o Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação).

Lula na frente

A maioria dos frequentadores da Marcha para Jesus, que ocorreu pela 26ª vez em São Paulo no último dia 31 (leia a nota acima) votará no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - escolhido por 20,09% dos respondentes. Na segundo colocação está o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) - com 15,6%), seguido pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), com 5,91%.

Juizinho brabo

Depois que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar 19 presos da Operação Lava Jato em 20 dias, o juiz federal Marcelo Bretas encaminhou ofício ao ministro do Supremo afirmando que casos de corrupção não podem ser tratados como “crimes menores”. Bretas é o responsável pelos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro e tem expedido diversos mandados de prisão nos últimos meses, mas Gilmar em seguida liberta muitos dos presos com base em sua orientação garantista. Na quarta (6), os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio solicitaram à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o impedimento de Gilmar Mendes para analisar casos que envolvam o ex-presidente da Fecomércio, Orlando Diniz.

Evitando tragédias

Indagado sobre a série de críticas que sofre por sua atitude no Supremo Tribunal Federal (STF) – leia a nota acima - o ministro Gilmar Mendes respondeu o seguinte: “Se me perguntarem qual é o meu éthos hoje, eu digo: é evitar que se cometam abusos. Eu não ligo. Já construí muitas obras. Fiz o bastante. Agora, quero evitar que se cometam tragédias”.

Coercitiva no dos outros é refresco

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes votou pela inconstitucionalidade da decretação de condução coercitiva para levar investigados a interrogatório policial ou judicial em todo o país. Segundo ele, esse tipo de condução é inconstitucional por se tratar de coação arbitrária do investigado. Para o ministro, a investigação da Polícia Federal envolvendo o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancelier e a Operação Carne Fraca, que investigou vários frigoríficos, são exemplos outros abusos na condução de investigações. Cancelier se suicidou, no ano passado, jogando-se da varanda de um shopping center em Florianópolis. Ele foi preso em uma investigação sobre supostos desvios de recursos no valor de R$ 300 mil, mas cometeu suicídio após conseguir liberdade. Após o voto do ministro, a sessão foi suspensa e será retomada na próxima quarta-feira (13) com o voto de mais 10 ministros.

Tô fora

Ser vice de Geraldo Alckmin (PSDB)? “De jeito nenhum, de jeito nenhum.” Essa foi a resposta dada pela pré-candidata à Presidência Marina Silva, da Rede, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan. Marina descartou a possibilidade de abrir mão de sua vaga para se aliar aos tucanos, como sinalizado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo a ex-senadora, PT e PSDB precisam de férias e, por isso, não há condições de ela abrir mão para ser vice de um tucano. “Tenho respeito pelas candidaturas, partidos têm direito de lançá-las, mas farei isso sem desconstruir ninguém”, afirmou.

Incontinência

Num depoimento emocionado, três dias após conhecer o neto na 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) afirmou que não soube se conter diante do poder obtido em duas décadas de carreira política. Ele reconheceu “promiscuidade” com empresários, disse ter adotado prática “desonestas” e assumiu ter tido “soberba” em sua carreira política ao eleger aliados para diferentes cargos. Ainda assim, mudou pouco a linha de defesa, afirmando que nunca pediu propina, mas se apropriou de sobra de caixa dois de campanha. “Foi nessa promiscuidade [com empresários] que eu me perdi, que eu usei dinheiro de campanha para fins pessoais. [...] Eu não soube me conter diante de tanto poder e tanta força política. De uma maneira vaidosa querer fazer prefeitos nas cidades, vereadores, deputados, usar recursos…”, declarou o ex-governador.


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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