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Quinta-Feira 19.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

As campanhas de conscientização e as reuniões para decidir ações de mudança

Apesar do que garante a Constituição Brasileira, sociedade civil e poder público insistem em manter audiências intermináveis para discutir melhorias para nossa sociedade.

Postado em 17 de Julho de 2014 - Cristina Livramento

Acessibilidade, preservação do meio ambiente, revitalização da rodoviária são algumas das pautas que têm sido discutidas exaustivamente pela sociedade civil e pelos órgãos públicos em Mato Grosso do Sul. Acessibilidade, preservação do meio ambiente, revitalização da rodoviária são algumas das pautas que têm sido discutidas exaustivamente pela sociedade civil e pelos órgãos públicos em Mato Grosso do Sul.

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Acessibilidade, preservação do meio ambiente, revitalização da rodoviária são algumas das pautas que têm sido discutidas exaustivamente pela sociedade civil e pelos órgãos públicos em Mato Grosso do Sul. Fico me perguntando quando vamos nos cansar de agendar tantas reuniões para falar sobre direitos e deveres e passar a cumprir, de fato, nossas respectivas obrigações.

O Ministério Público Estadual (MPE) publicou, em menos de um mês, duas recomendações para a Prefeitura Municipal de Campo Grande, para o Governo do Estado e um procedimento preparatório para garantir sinalização (piso tátil) para deficientes visuais no Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual-CAP/DV, na Capital. Na semana passada, o MPE promoveu uma reunião para que os órgãos competentes pudessem discutir o assunto e acabou criando uma comissão com 20 representantes para sugerir melhorias.

Essa semana, o Governo publicou, em Diário Oficial, a Lei nº 4.555 que institui Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC). Segundo o informe, “a PEMC tem por objetivo geral estabelecer o compromisso do Estado frente ao desafio das mudanças climáticas globais, dispor sobre as condições para as adaptações necessárias aos impactos derivados das mudanças climáticas, bem como contribuir para reduzir ou estabilizar a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera”.

A revitalização da antiga rodoviária e entorno é outra novela que não acaba nunca. Desde que foi desativada, o prédio ficou abandonado. Alguns comerciantes que ainda persistem no local, desde a sua criação, em 1976, dizem que parte da responsabilidade do abandono é deles por nunca terem cobrado, do ex-prefeito Nelsinho Trad, uma garantia de todas as promessas feitas na época.

Quando vamos nos cansar de agendar tantas reuniões para falar sobre direitos e deveres e passar a cumprir, de fato, nossas respectivas obrigações?

Os três assuntos dizem respeito a nós, sociedade civil, iniciativa privada e órgãos públicos. A lei está aí e estamos discutindo o direito dos deficientes, idosos há décadas. Estamos cansados de ouvir falar sobre nossa responsabilidade com o meio ambiente e das consequências que podemos sofrer se continuarmos omissos e indiferentes. A situação caótica em que se encontra a região da antiga rodoviária, nada mais é do que o reflexo do descaso com que todos os envolvidos tem tratado a cidade.

Não temos sequer uma iluminação pública que preste, não temos sequer lixeiras pela cidade, não temos sequer um asfalto decente – com exceção dos bairros mais novos, o comércio tem sofrido no bolso as mudanças do capitalismo e fechado suas portas, seja no Centro ou nos shoppings. Se tudo isso tem sido “resolvido” em reuniões e audiências, que dirá a questão da invasão do crack na vida dos moradores de rua.

Desemprego, moradia, saúde, educação, economia. Falamos sobre projetos, o poder público promove audiências, mas nos contentamos – anos após anos – com outras inúmeras reuniões para falar sobre um problema crônico.

Com certeza é mais fácil agendar mais uma reunião do que agir. É como um casal que vive reclamando e infeliz, um com o outro, mas segue a vida empurrando com a barriga e quando o saco enche, um aponta o dedo na cara do outro. Pronto, “a culpa é toda sua e eu lavo as minhas mãos”. Problema resolvido.

Temos que – de uma vez por todas – tomar o que é nosso, A CIDADE. Ela nos pertence e assim como a nossa casa, se não nos posicionarmos e tomarmos a frente, a louça se acumula sobre a pia, a poeira fica insuportável e o banheiro, de tão sujo, impossível de se usar. Se não tomarmos consciência da nossa responsabilidade como cidadão perante a cidade e, a partir disso, exigirmos dos órgãos públicos e políticos que cumpram com suas obrigações, vamos todos sucumbir de tal forma que, quando quisermos tomar uma atitude, estaremos aí sim com as fezes do morador de rua dentro da nossa casa, não mais na porta.


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