Semana On

Segunda-Feira 08.ago.2022

Ano X - Nº 499

Brasil

Desde 2015, contas dos estados saem do azul para um rombo de R$ 60 bilhões

Governadores vão entregar um rombo bilionário para seus sucessores

Postado em 19 de Janeiro de 2018 - Redação Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Nos últimos três anos, a situação financeira dos estados tem se agravado e saíram de um resultado positivo de R$ 16 bilhões para um déficit de R$ 60 bilhões até o fim de 2017. Na prática, os governadores vão entregar um rombo bilionário para seus sucessores. Os dados foram revelados pelo especialista em contas públicas Raul Velloso.

De acordo com o especialista, o déficit é resultado de uma folha de pagamento crescente associada a uma queda na arrecadação de impostos ocasionada pela crise econômica do país. Além da redução da arrecadação com impostos, o corte de repasses do governo federal acentuou a dificuldade dos estados.

Um dos casos concretos é a situação do Rio Grande do Norte. Após acumular um superávit de R$ 4 bilhões entre 2011 e 2014, o Rio Grande do Norte entrou numa trajetória negativa até acumular um déficit de R$ 2,8 bilhões nos últimos três anos. O estado está com salários atrasados e, consequentemente, servidores da polícia civil e da saúde entraram em greve nos últimos dias. Das duas categorias, apenas os policiais voltaram para suas atividades.

O Rio de Janeiro e Minas Gerais também tiveram desajustes fiscais em suas contas com consequências diretas no serviço público. Conforme mostra a reportagem da jornalista Luciana Dyniewicz, Goiás, Pernambuco e Sergipe caminham para o mesmo caminho.

De acordo com o levantamento de Velloso, as despesas e receitas anuais dos Estados empataram em 2014, atingindo R$ 929 bilhões cada uma. Desde então, as receitas recuaram de forma mais abrupta: atingiram R$ 690 bilhões nos dez primeiros meses de 2017, enquanto as despesas somaram R$ 715 bilhões.

Apesar de, na teoria, os governadores não poderem deixar restos a pagar para os seus sucessores, o economista analisa que a tarefa é impossível, diante da redução de investimentos em último ano de mandato.


Voltar


Comente sobre essa publicação...