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Domingo 03.jul.2022

Ano X - Nº 494

Coluna

Liderança

Imprescindível na organização, desenvolvimento e execução empresarial?

Postado em 25 de Abril de 2014 - Jorge Ostemberg

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"Este ano entrará para a história. Pela primeira vez, uma nação civilizada possui controle total de suas armas. Nossas ruas estarão mais seguras e nossa polícia mais eficiente. O mundo seguirá nossa liderança rumo ao futuro." (Adolf Hitler)

“Um líder é um vendedor de esperança!” (Napoleão)

 

Que trazem de fato os líderes com magnetismo e alto poder de influência? É mesmo liderança o que define sucesso empresarial dos grupos, em se relacionando aquela com as ações de um gestor de ideia, em construção ou manutenção de empreendimento?

Hitler, claramente, em pensamento e ato, influenciado por teorias e outros aspectos que o levaram a entender a força como método de liderança, a considera um ato de dar às pessoas o que ele, o líder opressivo e seu grupo tem certeza que seja o melhor para o presente e futuro. Napoleão, ironicamente toca na palavra “esperança”, a venda de esperança, que o funesto grande líder bélico alemão usou sobre uma Alemanha derrotada, entediada, frustrada e economicamente confusa e rebaixada. E logo abaixo da epígrafe de Hitler, Napoleão endossa: “é venda de esperança”.

Mas, de fato, pessoas sem dotes de esperança arrefecem em seus objetivos, esmorecem, não lutam o suficiente para estabelecer o sossego econômico, tão necessário quanto ter algo do amor e de espiritual, para se sentir bem na sociedade, e pessoas sem esses dotes freiam em si qualquer empreendimento.

A liderança é algo importante de se entender e trabalhar no mundo dos empreendimentos, pois claramente sendo o indivíduo na realidade um conjunto variado de emoções que são organizadas, em “eus” conflitantes, em que na literatura temos o exemplo do agon, o “várias vozes de personagens”, precisamos de liderança, de disciplina até sobre nós mesmos.

Ainda seguindo alguns raciocínios gerais sobre liderança, Harry Truman, o político, afirma que se trata da capacidade de conseguir que as pessoas façam o que não querem fazer ou o gostem; o general Schwarzkopf diz que se trata da combinação de estratégia e caráter, prevalecendo o primeiro item; Thatcher propõe que seja a busca de consenso em uma negociação; Fernando Pessoa diz que é ser dependente, pois se precisa dominar os outros, precisa deles, o que é endossado pelo poeta Paul Valéry, mais direto em definir “é precisar dos outros”; Confúcio observa que liderança se trata de envolver alguém pela realização de compreensão geral. Mas de maneira geral aparece a palavra influência sob as afirmações; liderar se liga, portanto a capacidade em potencial e ação, de levar pessoas a agir sob influência de uma primeira, o líder.

Indo para a teoria de administração, em seu livro “História da Administração”, Idalberto Chiavenato abre espaço para tratar da liderança e opina que se trata justamente da influência no comportamento das pessoas. E trata-se de algo vital para administração: “o administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas, isto é liderar”.

Para Idalberto Chiavenato, a liderança é influência interpessoal, meio de redução da incerteza de um grupo, exercício de relação funcional entre líder e subordinados e processo de solução de variáveis apresentadas. Com processo comunicativo e consecução de objetivos, através de uma estrutura social específica e com específicos objetivos, realiza-se a influência interpessoal. O líder diminui as incertezas apresentando boa qualidade de conhecimentos e controle das dinâmicas necessárias a lidar com tais saberes, isso resulta principalmente da tomada correta de decisões e auxílio nestas, de outros indivíduos do grupo de colaboradores na meta e objetivos. O processo de liderança ocorre diante de situações com conjugação de características pessoais do líder, dos subordinados e da situação, e é preciso observar que é influenciada pelo contexto, pela situação específica.

Mas talvez a opinião de Chiavenato conceda à liderança, a natureza puramente empresarial, dotando-a de influenciar no que é certo a fazer, buscando os certos resultados; e dispense as observações que liderança é talvez algo mais inato, uma aptidão que não pode ser construída propositadamente, e regulada por protocolos administrativos.

O sempre Peter Drucker comenta sobre liderança, lembrando que as organizações administrativas geralmente levam pessoas comuns a realizarem coisas incomuns. Quanto a este aspecto, para Drucker a liderança é de suma importância, é insubstituível, porém aponta algo inquietante, perturbador; não se cria liderança, não se promove liderança, ela NÃO é algo que possa ser ensinada ou aprendida, na realidade.

Já na Grécia e no contexto judaico, quando vêm as primeiras teorias de entendimento que sobreviveram vigorosas ao original, tratou-se de liderança de tal forma que restou pouco aos livros mais recentes sobre o tema, que geralmente se repetem, com bem pouco a se dizer de novo. Drucker lembra que o primeiro livro a tratar sistematicamente da liderança, foi o Kyropaidaia, de Xenofonte, ele próprio um líder marcante. Depois disso, milhares de obras foram surgindo, o que não muda a carência de liderança no mercado atual.

Se a administração, ainda sob afirmação druckeriana, não pode produzir líderes, pode criar e oferecer condições para que se manifestem potenciais de liderança que poderão ser organizados conforme cada necessidade específica. E mesmo que se estenda o máximo que se possam as possibilidades de se suscitar líderes: “o aparecimento de líderes é por demais reduzido e imprevisível para que se possa depender disto na criação do espírito organizacional que a empresa necessita para se manter produtiva e coesa”.

Enfim, pode-se dizer que a liderança, infelizmente ou felizmente, é resultado de aptidão. Isso resulta que um empreendimento não pode depender da liderança, ou a focar prioritariamente para tal aspecto.

A Liderança “perfeita” parece ser aquela em que o caráter inato, a aptidão de magnetismo e influência ficam em segundo lugar em relação às metas, aos objetivos. Os indivíduos cumprem suas funções, realizam aquilo para o qual são principalmente destinados em um empreendimento; mostram competência, exemplificam positivamente, e tais atos, em um ou outro somados ao carisma fluente e capacidade de influenciar “criam” o líder.

Vale que serve para o empreendedor solitário, naquilo que se falou de que uma personalidade própria controla várias vontades em um indivíduo somente, o que traz, com outros aspectos, uma soma mosaica do “ser”, essa composição de líder. Empreendendo, o que vale para que lidere a si e os atos de negociação, os consumidores, o que se deve focar são a eficiência e eficácia administrativa através de contínua solução de problemas ordinários e extraordinários.

Liderança é um assunto que parece estar sempre aberto, sempre em pauta em estudos administrativos. Mas vale resumir o tema em uma frase bastante significativa de Peter Drucker: “Querer apenas não basta; é preciso fazer”. Liderar é muito mais um seguimento ao que acontece, ao que dá certo e continua dando certo, do que que resultados de estética discursiva ou influências geniais, que se tem valor, não pode fazer refém um projeto de empreendimento, ou praticar a opressão, coisa sempre desastrosa ao final, pois para um Hitler sempre haverá um Churchill e um Eisenhower. 

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