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Terça-Feira 19.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna

Segue em frente, Piraputanga!

A região que engloba os distritos de Palmeiras, Piraputanga e Camisão causa encantamento em muita gente.

Postado em 18 de Abril de 2014 - Fabio Pellegrini

Foto: Reprodução Álbum Graphico de Matto Grosso. Foto: Reprodução Álbum Graphico de Matto Grosso.

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Devido à repercussão que o texto sobre Os Morros de Aquidauana alcançou, resolvi voltar ao tema. Não pelos mais de mil compartilhamentos que tivemos, mas pela causa.

A região que engloba os distritos de Palmeiras (município de Dois Irmãos do Buriti), Piraputanga e Camisão (município de Aquidauana), às margens do rio Aquidauana e encravados no sopé da Serra de Maracaju, ao longo da Estrada Parque de Piraputanga, causa encantamento em muita gente.

Alguns leitores relataram em comentários os bons momentos que viveram: pescarias, acampamentos, aventuras e amizades que ali floresceram, (inclusive casamentos, dos quais integro a estatística).

Via Facebook, Jorginho Pereira Mendes nos lembrou e sugeriu a leitura do livro Morro Azul – Estórias Pantaneiras. Na obra, a saudosa escritora aquidauanense Aglay Trindade Nantes relata as experiências vividas por seus antepassados nos idos da Guerra da Tríplice Aliança, ocasião em que os habitantes de Nioaque e Miranda refugiaram-se na região para se protegerem da invasão paraguaia.

A região de Palmeiras, Piraputanga e Camisão causa encantamento em muita gente.

Marja Milano observou a citação secular do Visconde de Taunay, sobre a variedade de etnias nativas e sua convivência pacífica com não-indígenas na região à época, e a ausência (leia-se extinção) da maioria delas nos dias de hoje.

Fiquei feliz em saber que há um esforço conjunto entre moradores da região, terceiro setor e pesquisadores em promover o desenvolvimento sustentável da região por meio do turismo.

Senti-me honrado em ser convidado a colaborar com a Associação de Desenvolvimento do Turismo Estrada Parque de Piraputanga (Atupark), por meio do consultor do Sebrae MS, Cássio Rodrigues, e do presidente da entidade, sr. Jaime. Quem quiser saber mais pode acompanhar pelo Facebook a iniciativa.

Venho então relatar meu caso de amor com a região. Nos idos de 1990, passei a frequentar aquelas praias do rio Aquidauana pelo simples prazer de buscar novas paisagens e pelo contato com a natureza. A relação com moradores e as descobertas despertaram a curiosidade sobre como fora o pretérito ali.

Há um esforço conjunto entre moradores da região, terceiro setor e pesquisadores em promover o desenvolvimento sustentável da região por meio do turismo.

Descobri então os maravilhosos livros de Acyr Vaz Guimarães. Dali para as Memórias, de Visconde de Taunay, foi um pulo. A emblemática fotografia da maria fumaça no Álbum Graphico de Matto Grosso, publicação de 1925, me fascinou.

Em visitas ao Museu Rubens Corrêa, em Aquidauana, me surpreendi com as fotografias em preto e branco de garimpeiros com escafandros que debulhavam o leito do rio no século passado, em busca de diamantes. As espadas de combatentes da guerra com o Paraguai encontradas por fazendeiros da região provocavam a mesma sensação. Com tudo isso, viajava no tempo e me remetia à região como protagonista da história. Coisas que só livros e museus têm o poder de fazer.

Já em 2001, ao término do curso de Jornalismo na Uniderp, em companhia dos grandes amigos Wagner Guimarães e Angélica Sigarini, produzimos o vídeo documentário Os Morros de Aquidauana, como projeto de conclusão de curso, sob orientação da querida professora Gladis Linhares. O objetivo era contar a história e particularidades daquela região, no sentido de divulgá-la visando a promoção de um turismo sustentável.

O vídeo foi gravado em Super VHS, com imagens de Marcio Magalhães. A trilha sonora foi especialmente composta e gravada pelos músicos Guga Borba e Leonardo Maciel. Entrevistamos figuras saudosas como dona Zica e Fernandão, além da filha de um dos fundadores do “patrimônio” de Piraputanga, a professora Themis Barreto, entre outros personagens. Retratamos a situação à época e os desejos de alguns moradores.

Penso que o vídeo seja útil ainda hoje, 13 anos após a produção, mesmo com as mudanças estruturais que o desenvolvimento proporcionou. E torço para que a região se torne um polo turístico de Mato Grosso do Sul.

Segue em frente, Piraputanga!

Confira o documentário.


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