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Terça-Feira 19.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna

Pessoal empresarial

Gestores, Gerentes, Colaboradores, aspectos essenciais.

Postado em 18 de Abril de 2014 - Jorge Ostemberg

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“Diga-me com quem andas e direi quem tu és” (Máxima atribuída geralmente a uma variação de Provérbios 13:20, do Cânone Cristão).

 

É bastante comum sermos tratados de forma completamente inadequada ao adentrarmos um estabelecimento de comércio, e durante um exercício de compras, ao percebermos gerente e proprietário, percebermos também que há uma clara relação entre a falta de noção dos colaboradores e seus orientadores.

O que significam proprietário, gerente e gestor em uma negociação? O proprietário, como figura óbvia, certamente é a ignição empreendedora, é a representação intelectiva e espiritual (sentido de atividade criativa) da origem da construção e início de uma empresa, independente do porte e metas; pode ser um carrinho de pipocas ou uma fábrica ou indústria. O proprietário tem uma figura patronal, mesmo quando é benéfica ou maleficamente generoso, mesmo quando é capaz de criar, mas não é capaz de conduzir, terá essa marca de patrão: legalmente constituído como detentor dos poderes aplicáveis ao usufruto de bens materiais e seus destinos. Deve se observar que muitas vezes, principalmente nos empreendimentos de micro ou pequeno porte, o próprio patrão faz a figura de gestor e de gerente.

Qual a diferença de gestão e gerência, se o próprio Houaiss, que temos usado como conceituador básico nos artigos, confunde os termos? “Gestor: ‘que ou aquele que gerencia bens ou negócios de outrem’”.

Os dicionários são os melhores amigos daqueles que se preocupam com inteligência, que veem na inteligência não um dom, mas um instrumento sob obrigação muito mais humana que de outra natureza qualquer; mas, prosseguindo nesta, na inteligência, é preciso estar constantemente atento para a dinâmica linguística, que não obedece o léxico rigorosamente, aliás, não obedece manual algum, lembrando que a própria origem de nossa língua nasceu por desobediência ao exercício de latim oficial e opção dos próprios guardiões deste (escrivães oficiais) pelo latim vulgar.

Na seara linguística do mundo teórico de administração, em relação e referências ás práticas desta ciência, viu-se nascer uma distinção, rompendo com a simplicidade explicativa de que gestor e gerente são sinônimos. Enquanto o Gestor se preocupa com o ambiente empresarial e a macro harmonia, que inclusive engloba vários aspectos gerenciais, o gerente cuida das operações explícitas, objetivas.

O gestor é atualmente definido como o colaborador empresarial que define os fluxos de funcionamento administrativo, interferindo de maneira inteligente e positiva, em todos os pontos que afetam a harmonia de relacionamento funcional, influencia o ambiente, a ambientação, principalmente. Mas suas funções, que muitas vezes são bastante próximas do interesse patronal, alcançam operações de pesquisa e negociações junto aos fornecedores e representações de alianças no negócio. Um gestor, geralmente, não precisa ter dotes específicos ou específico e rigoroso conhecimento de uma função, como operações que uma impressora de alta definição pode realizar, no que se refere ao funcionamento técnico. Mas ele precisa saber no que implica a obtenção, manutenção e resultados econômicos de um equipamento como o referido.

Gerente é o indivíduo que realiza um poderoso elo entre patrão, gestor e colaboradores de escalão geral; claro, interferindo em uma dimensão completa, muitas vezes diretamente com clientes e fornecedores. Ele é que se responsabiliza pelas dinâmicas administrativas, além de ter como responsabilidade tanto entendimentos genéricos, que vem de patrões e gestores do negócio, como também de aspectos tecnológicos dos instrumentos da empresa e do relacionamento geral entre os colaboradores, principalmente. Os gerentes são altamente responsáveis pelos resultados imediatos, diretos, de um negócio. E se é óbvio que todos o são, a partir inclusive do proprietário do negócio, chegando-se até o zelador da higiene, que trabalhando mal poderá pôr a correr um importante e exigente cliente que precisou dos sanitários da empresa; e gerente tem sobre si um peso maior neste aspecto do imediato; ele é que é imediatamente solicitado no geral e específico de problemas que surgem, e deve buscar os resolver de pronto, ou acertar um encaminhamento já com hipóteses de solução, em que valem as populares frases: “Fale com o gerente” ou “Sob nova direção”, mostrando-se que o “leme” do barco empreendedor fica mesmo nas mãos de tal figura, enquanto comunica ordens e solicita dados de bússola ao gestor.

Dificilmente se chega a uma empresa bem gerenciada e não se depara com uma generalidade de boa qualidade de atendimento. O comportamento geral dos indivíduos tem características naturais e condicionadas, os gerentes têm que dar cabo de organizar de tal forma os colaboradores e interferir a favor de um melhor funcionamento instrumental, que sejam eficientes em consonância com a visão, os valores e a missão empresarial na qual aceitam se engajar.

Para que os colaboradores em geral possam responder melhor aos anseios patronais, de gestão e gerenciais; existem alguns processos adequados, como fórmula inicial de formação específica de colaboradores. Se trata da seleção, recrutamento e treinamento.

A seleção, conforme o renomado teórico sobre administração de pessoal, Idalberto Chiavenato, se refere a parte do processo de integração funcional, em que se realizam análises de informações específicas, conforme necessidade de ocupação de cargos e funções. Uma realização eficiente de organização de informações certamente proporcionará uma seleção qualitativa de candidatos, considerando-se que selecionar é justamente isso, reunir o maior número possível de candidatos a um cargo vago, que tenham as qualidades iniciais necessárias a um bom desempenho. Na palavra do próprio Chiavenato, é a “filtragem” inicial, do processo de integração funcional, quando se escolhem pessoas devido às aptidões profissionais em relação a um esquema operacional.

O recrutamento, termo que nos lembra sempre as plataformas militares, se refere à parte processual de atração de candidatos, com emprego de definição mais detalhada de necessidades presentes no perfil esperado. Como no exército mesmo, em que temos no cinema uma ótima ilustração, quando o infeliz Steve Rogers de posto em posto de alistamento militar recebe uma coleção de carimbos atestando contrariedade em aceita-lo, pois não atende às características físicas necessárias, é franzino, pequeno e supostamente fraco demais para suportar os rigores de uma guerra e impor resultados positivos de combate real.

O recrutamento traz uma pré adequação de determinados indivíduos ao perfil que gerentes, orientados em gestão, traçam para que sejam preenchidos para execução empresarial eficiente, que se completará com treinamento.

O treinamento definirá quem está finalmente apto a ocupar cargo e funções. Assim é que determinados autores de teoria administrativa, como o próprio Chiavenato, dão como uma função de gestão de pessoal, de grande destaque; trata-se de um fator altamente definidor na execução administrativa de qualidade, onde os recrutados responderão que capacidade têm de desempenhar seus papéis empresariais. Nesta etapa deve haver condições de palco de treinamento tal que se revele generosamente qual será o comportamento técnico e psicológico de um indivíduo, que poderá ser decisivo em cada ponto dos objetivos de um empreendimento. O treinamento, afinal, conforme afirma Sylvia Sampaio Lôpo, em um estudo de caso de um órgão governamental, é o meio que desenvolve o potencial e forças de trabalho referentes aos cargos particulares. Trata-se do momento crucial para se atingir metas, pois estas não serão alcançadas com ineficiência de colocação de pessoas nos cargos e neste referido momento, tanto os potenciais intelectuais como provimento instrumental prático, devem ser definidos e atendidos.

Resta dizer que embora haja uma infinidade de empreendimentos de um indivíduos só, mesmo esses, se não forem dotados de noções de gestão, gerenciamento, adequabilidade ao setor pretendido, análise pontual sobre a relação fazer versus ter potencial para fazer e preparação (treinamento) para lidar com o público consumidor, poderão sucumbir bem cedo em seus empreendimentos. É preciso seguir com atenção às noções primordiais de empreender. Dirão quem tu és, em verdade, e o dizendo a favor, é o que importa, pois esse é o dínamo dos ganhos buscados!

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