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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Revoada no Parque dos Poderes

Será preciso muito mais que reformas, serão necessárias mudanças de comportamento

Postado em 24 de Fevereiro de 2017 - Josceli Pereira

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Durante as últimas semanas os pássaros estavam inquietos e os rumores não confirmavam nenhum animal perigoso nas matas, então, as atenções se voltaram para o alvoroço de um entra e sai da governadoria. Para cada canto que se olhava tinha grupos de pessoas, repórteres e curiosos em busca de alguma informação mais recente do que estava acontecendo na antessala do poder. Os antigos moradores das proximidades do Parque dos Poderes, na capital morena, têm um ditado popular muito apropriado: “Quando os pássaros se alvoratam nas matas da reserva duas coisas podem estar acontecendo: ou entrou um animal estranho colocando em risco seus ninhos ou tem crise política se aproximando da governadoria”.

Mato Grosso do Sul vem caminhando a duras penas na difícil missão de equalizar suas contas e se manter afastado das crises que assolam os outros estados da Federação. Uma luta diária para administrar os escassos recursos oriundos das suas receitas abocanhadas pela crise econômica e a voracidade do custeio da máquina pública que a cada dia se agiganta para poder suprir os serviços de responsabilidade do governo. O famigerado ICMS do gás boliviano é o prato do dia.

Os outros poderes não dão a devida trégua e cada vez mais exigem seus repasses constitucionais fazendo de conta que a crise é problema somente do poder executivo. Estão alheios às crises e vivendo dentro de redomas representadas pelos painéis de vidro que enfeitam os palacetes de suas sedes administrativas, regadas ao suor dos contribuintes que arcam com estas mordomias palacianas.

O governo do PSDB gastou quase 2/3 do seu mandato administrando com técnicos e colaboradores do antigo governo. Alimentou a sede de grupos econômicos e se tornou refém dos serviços orquestrados ao longo dos governos anteriores. Se observarmos os grandes fornecedores governamentais veremos apenas a mudança de siglas e nomes de fantasia dos prestadores de serviços que mais abocanham os recursos do Estado. Mas os seus quadros societários continuam a manter os CPFs dos mandatários; alguns deles grandes conhecidos e figuram até nas listas dos grandes escândalos das operações policiais envolvendo desvios de verbas públicas.

Às vésperas da votação pela Assembleia Legislativa de uma Reforma Administrativa, enxugando as despesas e criando uma preocupação ao funcionalismo público que já prevê um aperto nos reajustes salariais e um aumento da contribuição previdenciária que é a moeda de troca para que o governo federal faça a renegociação da dívida do MS. Os sindicatos já agitam os corredores do legislativo e buscam a fazer com que os deputados e os formadores de opinião do governo observem que eles não poderão, mais uma vez, pagar a fatura pela situação econômica do Estado.

Será preciso muito mais que reformas. Serão necessárias mudanças de comportamento. Quebrar paradigmas, abrir a janela e olhar os movimentos das ruas, ouvir além das divisórias das salas dos assessores diretos. Tem muito conhecimento valioso sendo desprezado e filtrado pelos interessados em tampar os ouvidos do governo, muitas vezes até por medo de que se perceba que tais colaboradores em nada estão acrescentando o banco de informações que fundamentam as decisões do poder.

Vamos aguardar o desfecho após o carnaval... pois somente depois da quarta-feira de cinzas é que realmente começará o ano!

Pense nisto!


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