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Domingo 03.jul.2022

Ano X - Nº 494

Coluna

A rota e a ponte

O caminho da integração e da identidade pantaneira.

Postado em 11 de Abril de 2014 - Ana Cristina Monteiro

A rota e a ponte

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A criação da Rota Cultural do Pantanal, proposta inicialmente na 1ª Conferência Intermunicipal de Cultural de Corumbá, em junho de 2013, está prestes a se tornar uma realidade. Depois de ser defendida nas conferências estadual e nacional de cultura, o projeto está estruturado, com apoio do Sebrae, em reuniões que, além de levantar as potencialidades de cada município integrante, prevê criações de políticas públicas culturais para a região, dentre as quais se destaca o Fundo da Rota do Pantanal.

Representantes e gestores culturais das cidades de Aquidauana, Bodoquena, Corumbá, Coxim, Ladário, Miranda, Sonora, Porto Murtinho e Rio Verde de Mato Grosso estarão reunidos em Corumbá no dia 08 de maio, com o objetivo de definir os moldes jurídicos do conglomerado de municípios pantaneiros, segundo adiantou a vice-prefeita de Corumbá e diretora-presidente da Fundação de Cultura, Márcia Rolon.

“Queremos que as pessoas venham até Mato Grosso do Sul e verdadeiramente conheçam as cidades pantaneiras. Corumbá está encabeçando essa proposta que saiu daqui e queremos que ela seja a cidade que toque isso para frente em união com todos os municípios que estão alinhados. Juridicamente, vamos resolver como vai ser criada essa associação, esse consórcio, durante o encontro”, afirmou.

Identidade pantaneira

Com a criação da Rota, a identidade pantaneira, segundo Márcia Rolon, será reforçada, e atingirá os municípios inseridos geograficamente no bioma.

“Mato Grosso do Sul é um estado muito jovem e sua identidade é a diversidade. Não dá pra unificar, dizer que Mato Grosso do Sul é todo pantaneiro, essa diversidade que tem em nosso Estado é que faz ele rico. Com esses municípios chancelados pela Rota, a gente pode buscar ações para mudar números como os trazidos por uma pesquisa da WWF que apontou 89% das pessoas entrevistadas como desconhecedoras sobre qual região do País se situava o Pantanal”.

Os municípios poderão trabalhar com essas características também como produto turístico, inclusive, já foi definida a criação de um calendário de eventos e produtos com potencialidades a receber o selo da Rota Cultural do Pantanal.

“Artesanato, festas, e demais produtos foram detectados buscando potencializar cada pedacinho da Rota. Estamos formalizando para consolidação disso e, em menos de um ano, acreditamos que ela já esteja movimentando”, calculou.

Márcia Rolon destacou ainda que, pelo fato de Mato Grosso do Sul, deter a maior porção territorial do Pantanal, precisava de fato sair na frente, para assim fortalecer o bioma, fomentar a cadeia produtiva e transformar o Pantanal em instrumento de desenvolvimento democrático e inclusivo.

“Aqui, somos nove municípios que queremos nos consolidar para que, futuramente, busquemos um alinhamento com os municípios de Mato Grosso, atingindo assim todo o bioma na porção brasileira”, finalizou a vice-prefeita.

A ponte da cultura

Após dois anos em tombamento provisório, a Ponte Eurico Gaspar Dutra, em Corumbá, na região de Porto Esperança, e conhecida como ponte “Quase Internacional” é o mais novo bem protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e mais bem material valorizado pelo município, assim como o Casario, conjunto arquitetônico de Corumbá. A homologação do tombamento foi publicada no dia 4 de abril, no Diário Oficial da União. A proposta de tombamento foi avaliada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que esteve reunido no dia 29 de novembro de 2012, no Rio de Janeiro.

De acordo com o a Superintendência do Iphan em Mato Grosso do Sul, a ponte foi inscrita em três dos quatro livros de tombo existentes: Livro do Tombo Histórico; Livro do Tombo Arqueológico, Paisagístico e Etnográfico e no Livro do Tombo de Belas Artes.

Muito mais do que a porta aberta para o escoamento dos produtos vindos da Bolívia para o Brasil, a Ponte Eurico Gaspar Dutra é a conexão entre o atraso e a civilização, entre os séculos XIX e XX, por cima do Rio Paraguai. Assim como toda a história da construção da ponte Eurico Gaspar Dutra, os números relacionados a ela também são impressionantes para uma obra do início do século XX, executada em uma região de difícil acesso. São 2 mil metros de comprimento, 112 metros de altura no vão central, até 10 metros de largura e 2,1 mil operários que, em quase 10 anos de trabalho, manipularam 25,1 mil metros cúbicos de concreto armado, com 2,6 toneladas de aço e cerca de 27 quilômetros de estacas variadas.

“É uma verdadeira obra de arte”, elogia a coordenadora do Escritório Técnico do IPHAN, em Corumbá, Silvia Teresa Mercado Cedron.

Além do arco central, a superestrutura possui outros quatro com 90 metros de altura, um viaduto na margem esquerda, em Porto Esperança, com 971,5 metros de extensão, formado por 25 arcos menores. Na outra margem, outro viaduto de 53,2 metros é formado por mais dois arcos com 26 metros de vão. Ao todo, são 46 pilares sendo que seis deles foram firmados no leito do Rio Paraguai, a uma profundidade de sete metros.

A ponte, que marcou a Arquitetura Moderna brasileira, foi idealizada no início do século XX, como parte da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil do Brasil (FENOB) que, em 1912, tinha seu ponto final em Porto Esperança e precisava chegar à outra margem do Rio Paraguai, para garantir a ligação com a cidade de Corumbá e, consequentemente, com a Bolívia. Após sucessivas alterações de traçado, a antiga ponte Barão do Rio Branco começou a ser construída em 1º de outubro de 1938 e só ficou pronta nove anos depois. A inauguração foi em 21 de setembro 1947, quando a ponte recebeu o nome do então presidente, recentemente empossado após o fim do Estado Novo, Eurico Gaspar Dutra.


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