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Terça-Feira 19.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna

Grafite de luz

Inspirado por uma matéria sobre a técnica do light painting publicada aqui no Zapping visual, o talentoso fotógrafo Everson Tavares produziu um ensaio e um belo texto sobre grafite, fotografia e criatividade.

Postado em 10 de Abril de 2014 - Elis Regina Nogueira

Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem. Foto: Everson Tavares
Grafite de luz Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares Fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. Na técnica Grafite de Luz elas se unem.
Foto: Everson Tavares

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A fotografia e o grafite são artes convergentes por natureza mas essencialmente diferentes. O grafiteiro geralmente parte de um muro vazio e acrescenta elementos gráficos para torná-lo uma obra de arte; enquanto o fotógrafo precisa recortar a realidade já repleta de elementos e selecionar pontos de vista para gerar suas obras. Pelo Light Painting é possível unir essas duas linguagens para ampliar sentidos. A união das duas linguagens é popularizada como grafite de luz e marca a fotografia contemporânea.

Quando Gjon Mili usa a técnica do Light Painting para representar Pablo Picasso e sua obra em desenhos de luz, o fotógrafo lança a convergência fotográfica a um patamar mais surrealista. Os traços de luz se relacionam com os elementos do quadro e com o próprio Picasso afim de ampliar a obra. Este é o mesmo conceito que norteia a maioria das produções com grafite de luz. A obra final é fotográfica mas a representação é uma versão surrealista do grafite.

Inspirado por um artigo da fotógrafa Elis Regina nesta coluna e aliado à Crew de Grafite “PIC” propus um ensaio nesses termos. A ideia era fazer referência à imagem da Deusa da Sabedoria, Sarasvati, que é representada com múltiplos braços. A deusa tântrica simboliza conhecimento e sabedoria, além de ser criadora do alfabeto. Assim, a partir de desenhos com lanterna e longas exposições, os grafiteiros ganharam múltiplos braços tal como a imagem de Sarasvati – em uma referencia direta à sabedoria das manifestações urbanas e a própria criação de novos alfabetos, conhecidas como “tags” pelos grafiteiros.

Ampliar a obra era outra proposta do ensaio. Da interação entre a equipe surgiu a ideia de “acender” a lâmpada grafitada na parede. No resultado final parece que o artista urbano está literalmente grafitando a luz pela latinha de spray. A imbricação entre as duas imagens é que torna a fotografia tão chamativa.

Vale ressaltar que este ensaio dispensa o uso de manipulação digital. O caráter surrealista das imagens é gerado apenas pelo light painting – ou seja, sem photoshop. Além do apelo estético, essa é uma das questões mais interessantes dessa técnica. Já ouvi casos de jurados desclassificarem light paintings por acreditarem ser montagem. Uma amiga me disse: “só acredito que não tem photoshop se vir você fazendo”.  A desconfiança das pessoas em fotografias merece uma discussão em separado. De qualquer forma, o light painting é uma prova de que é possível fotografar o imaginário. É possível, como propõe Manoel de Barros, “refazer o mundo por imagens”.

Everson Tavares


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