Semana On

Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Conheça as quatro chapadas mais famosas do Brasil

Chapada dos Guimarães, Diamantina, das Mesas e dos Veadeiros estão entre as mais visitadas do país. Mas é preciso se programar para conhecê-las.

Postado em 09 de Dezembro de 2016 - Redação Semana On

Chapada Diamantina. Chapada Diamantina.

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Chapada Diamantina

Os baianos gostam de bater no peito e dizer que Diamantina é a chapada mais bonita do Brasil.

Pode ser grandeza demasiada, mas não há dúvida de que ela é um dos destinos de natureza mais visitados do país.

Espécie de capital da chapada, Lençóis serve de base para alguns passeios, como o que segue em direção ao maior símbolo de Diamantina, o morro do Pai Inácio, a 1.120 metros de altitude.

É o local onde são dadas as boas-vindas aos turistas. Lá do alto, num giro de 360 graus, a impressão é que a chapada não tem fim.

Para explorar a cachoeira da Fumaça, que tem 340 metros de queda, e o poço Encantado, com sua água azulada -efeito dos raios solares que entram na caverna-, talvez uma boa opção seja ficar no Vale do Capão, antiga vila "riponga", hoje apinhada de pousadas charmosas.

É também de lá que partem os grupos que seguem pela trilha de 72 km, percorrida em cinco dias, rumo ao Vale do Pati. Os visitantes podem se hospedar nas casas de moradores nativos que não foram retirados do parque, após a sua criação, em 1985.

Outra dica é contemplar a parte sul do parque, onde estão localizadas as cidades de Mucugê e Ibicoara, além do distrito serrano de Xique-Xique de Igatu, que abriga casas de pedra do tempo em que havia exploração de diamantes na região.

É também na região sul que se encontram atrativos como a cachoeira do Buracão, o poço Encantado e o poço Azul.

Independentemente da escolha, é recomendado contratar um guia para fazer os passeios, ainda mais nesta época do ano, quando as cachoeiras estão com maior volume de água.

Também é importante planejar um roteiro que contemple os dois lados do parque para aproveitar melhor a viagem.

Chapada das Mesas

Carolina é uma cidadezinha simples do interior do Nordeste, no extremo sul do Maranhão, na divisa com o Estado do Tocantins.

Um corredor de árvores separa as faixas de sua avenida principal, escondendo um cenário que só aos poucos o visitante vai desvelando.

Um extenso paredão de pedras surge diante dos olhos. Estamos perto do Parque Nacional Chapada das Mesas, criado em 2005.

É um destino certeiro para quem se amarra em cachoeiras -das grandes.

Uma das mais visitadas é a de São Romão. No fim da tarde, um bando de andorinhas desenha uma coreografia no céu avermelhado, antes de "perfurar" 26 metros de queda-d'água. Por incrível que pareça, é atrás de um volume torrencial de água que elas dormem. Antes de o sol raiar, as aves fazem o caminho inverso: saem de trás do véu da cachoeira em debandada para buscar comida na vegetação quase intacta do cerrado.

Esse é um dos muitos cenários dessa chapada. A melhor forma de chegar até lá é voar até Imperatriz (MA) e, depois, seguir por mais cerca de 250 km em estrada.

Uma dica para explorar bem o lugar é contratar agências que oferecem roteiros com duração de um dia. Dona de curiosas formações rochosas, a chapada das Mesas tem ar de ruínas.

A ação do tempo formou esculturas de diferentes tamanhos e formatos que de fato lembram mesas, como o morro do Chapéu, com 378 m de altitude. Nessa chapada, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Chapada dos Veadeiros

Em meio ao mato rasteiro, o que domina a paisagem são as árvores retorcidas, que lembram figuras dramáticas. Aos poucos, elas saem de cena para dar lugar às veredas, em cujas margens se forma uma longa fileira de buritizeiros.

Esse é o cenário que se descortina no caminho entre Alto Paraíso e São Jorge, no coração de Goiás, dois dos principais acessos à chapada dos Veadeiros.

São Jorge é uma vila de casas coloridas e ruas de terra, onde fica a entrada do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, criado em 1961, declarado pela Unesco Patrimônio Mundial Natural.

Nas ruas de Alto Paraíso, um grupo pratica ginástica zen, enquanto aqui e ali anúncios oferecem leitura de tarô e convites para jantares veganos em noites de lua cheia.

Participar das saunas xamânicas ("temazcal", "tenda do suor" ou "sauna sagrada"), espécie de banho de vapor espiritual, também faz parte do pacote de imersão no mundo místico da chapada.

Com os pés no chão, um dos principais pontos de visitação em Veadeiros é o Vale da Lua, assim chamado devido à formação rochosa que faz lembrar a superfície lunar.

Para fazer os principais passeios do parque, o visitante precisa estar disposto a andar: as trilhas têm até cinco quilômetros, com trechos íngremes e pedregosos -o acompanhamento de um guia é necessário.

Como recompensa, os percursos terminam em poços, que surgem na base das quedas-d'água de até cem metros de altura.

Em Cavalcante, a cerca de 90 km de Alto Paraíso, as atrações estão "escondidas" em propriedades particulares -a maior parte acessível por estradas de terra. Muitas pousadas estão em antigas fazendas.

Outro destaque da chapada é a cachoeira de Santa Bárbara, que fica na comunidade quilombola dos Kalungas, a cerca de uma hora por estrada de terra, partindo de Cavalcante.

Brasília é a capital mais próxima de Veadeiros.

Chapada dos Guimarães

Impressionantes paredões de arenito vermelho-alaranjado - marcas registradas da Chapada dos Guimarães - dão as boas vindas aos turistas que aportam na cidade, a apenas 69 km da capital Cuiabá. Porta de entrada do Parque Nacional, a cidadezinha que leva o mesmo nome da reserva oferece pousadas confortáveis, restaurantes aconchegantes e uma pracinha (onde fica a bucólica igreja de Santana) que, nos finais de semana, funciona como feirinha de artesanato durante o dia e ponto de encontro dos visitantes quando a noite cai.

A 11 quilômetros do centro da vila, o parque criado em fins dos anos 80 ocupa uma área de 330 quilômetros. O cenário perfeito combina cerrado, cachoeiras e cânions, além de pinturas rupestres e formações rochosas que enchem os olhos de ecoturistas e esotéricos.

As muitas trilhas, desbravadas a pé ou de bike, levam a mirantes naturais que descortinam maciços montanhosos e, em dias claros, avista-se a planície pantaneira e a capital Cuiabá. 

Os caminhos conduzem ainda ao cartão-postal da Chapada: a cachoeira Véu de Noiva, com 86 metros de queda, vista panorâmica e lindos sobrevoos das escandalosas araras vermelhas. Lá embaixo há um poço de águas cristalinas, mas os banhos são proibidos.

Também merece destaque a Cidade de Pedra, emoldurada por rochas pontiagudas que remetem a castelos medievais. As formações espalham-se por cânions que chegam a 350 metros de altura em meio a escarpas também frequentadas pelas araras. A exuberante e variada vegetação do cerrado pode ser apreciada ao longo de todo o passeio.

Quem está com o preparo físico em dia deve incluir no roteiro o trekking em direção ao Morro de São Jerônimo, o mais alto da região, com 836 metros de altitude. São sete horas de caminhada e escalada - ida e volta. O esforço vale a pena levando-se em conta a paisagem panorâmica. 

Vale frisar que o parque tem entrada gratuita, mas todos os passeios necessitam de agendamento e acompanhamento de guias (exceto o mirante do Véu da Noiva). 

Fora da reserva também há muitas belezas. Uma das mais encantadoras é a caverna Aroe Jari, uma gigantesca gruta de arenito - 10 metros de altura por 60 metros de largura - com inscrições rupestres. Seu conjunto inclui ainda a Lagoa Azul, de águas transparentes e mergulho proibido. O complexo fica a 46 km da Chapada e também só é acessível com acompanhamento de guias.


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