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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

O vendedor de sonhos

A história recente da distribuição do cinema brasileiro.

Postado em 09 de Dezembro de 2016 - Danilo Custódio

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A distribuição dos filmes “fabricados” no Brasil vem sendo o maior gargalo para o mercado do cinema nacional já tem muitos anos. O marco zero para esse cenário se deu no dia 16 de março de 1990 com a extinção da EMBRAFILME – Distribuidora de Filmes S/A, decretada pelo então presidente Fernando Collor de Mello. O passo seguinte foi criar a Lei Rouanet, que foi sancionada quase dois anos depois, no dia 23 de dezembro de 1991. Com essa manobra, o governo brasileiro privatizou a cultura nacional, substituindo todo o investimento direto que fazia pelo investimento direto do setor privado, ainda que com a mesma verba pública, por meio de isenções fiscais.

A partir daí a decisão de como, quando e onde o dinheiro da cultura nacional seria investido passou a ser do empresário dos grandes conglomerados. Isso provocou uma grande recessão no mercado interno do cinema brasileiro, que se alongou pelo governo FHC, ficando conhecido como o período de “retomada” do nosso cinema. Desde então, os cofres da arrecadação desse setor da economia brasileira estão escancarados para as grandes empresas norte americanas, que instalaram aqui suas distribuidoras e exibidoras para iniciar uma sangria que já dura vinte e seis anos.

Hoje a história se repete. Empresários da soja e do plano de saúde são nomeados para serem Ministros da Agricultura e da Saúde nessa nova gestão que se apodera do governo brasileiro. Porém, a realidade da indústria cinematográfica nacional é diferente graças aos investimentos garantidos via Fundo Setorial do Audiovisual, que recebe dinheiro dos impostos cobrados das empresas de telecomunicações. Para não ficar refém da boa vontade do empresário, a indústria do cinema nacional se articulou com o Estado para encontrar outros caminhos de financiamentos ao longo das gestões de Lula e Dilma.

Porém, agora com o mercado ocupado pelo produto estrangeiro, que são exibidos nas salas de cinema que também são do empresário estrangeiro, o cinema nacional encontra como um novo desafio no seu caminho para a distribuição. E, ao longo desse percurso, considerando esse mundo conectado e sem fronteiras para os produtos culturais internacionais, descobrimos que a melhor e mais segura estrada é a tal da co-produção, coisa que nossos hermanos argentinos já fazem desde os anos 90.

De acordo com a Agência Nacional de Cinema, uma co-produção é “a produção de uma obra audiovisual, partilhada, economicamente, entre dois ou mais países com compartilhamento sobre o patrimônio feito”. Em janeiro desse ano, durante a 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, aconteceu um debate importantíssimo sobre co-produção, da mesma forma como vem acontecendo nos mais importantes festivais latino-americanos. Todos já perceberam que é necessário continuar batendo nessa tecla, apontando horizontes por esse caminho tão fundamental para o nosso cinema.

Mesmo porque uma co-produção não garante só financiamento e distribuição, mas também toda uma troca de experiências no que se refere ao fazer cinematográfico em si. E assim chega nas telonas desse Brasilzão o novo filme de Jayme Monjardim, que já é velho conhecido da televisão brasileira. O Vendedor de Sonhos é baseado num dos livros mais vendidos no país e foi viabilizado através de co-produção com a Fox, garantindo assim a distribuição da Warner. Bora se programar pra ver?


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