Semana On

Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Stranger Things

A colonização cultural e a perda de identidade.

Postado em 05 de Agosto de 2016 - Danilo Custódio

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Já é possível afirmar que um dos maiores sucessos da produção audiovisual contemporânea seja a série Stranger Things, criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, com produção da Netflix. Por narrar uma história que se passa no início dos anos oitenta, o seriado possui todo um clima de nostalgia, trazendo inúmeras referencias aos produtos da cultura pop americana dessa época. Produtos esses que passaram a ser desenfreadamente consumidos aqui no Brasil durante os anos noventa, graças as privatizações da cultura nacional promovida pelo Governo Collor através da implementação da Lei Rouanet.

O que ninguém se lembra é que na segunda metade dos anos oitenta o Brasil vivia a sua pior crise financeira da história. O Governo Sarney nos colocou numa hyper inflação que chegou a 2.751% ao ano. Conseguem mensurar o tamanho dessa encrenca? O dinheiro perdia valor a cada dia e até produtos da cesta básica faltavam nas prateleiras dos supermercados. Mas o que ficou na nossa memória – que ninguém esquece – foi o Show da Xuxa, ele próprio apenas uma cópia de enlatados americanos que a TV tupiniquim adora copiar. E é claro que a rainha dos baixinhos vai incentivar o consumo do produto estrangeiro, reafirmando o lugar da cultura nacional diante dessa colonização cultural.

A campanha da Xuxa ficou muito boa, precisamos admitir, mas parece que ninguém se dá conta de que nossa própria identidade está em jogo. Considerando que o audiovisual é o produto mais consumido no mundo, é através dele que precisamos reafirmar nossa identidade. Por isso existem programas sérios de investimento no setor, como o Brasil de Todas as Telas, que acaba de anunciar mais de 200hs de conteúdo nacional inédito para crianças, jovens e adultos. É uma pena que o governo ilegítimo de Temer esteja trabalhando para desmontar programas como esse, na intenção de favorecer ainda mais o mercado estrangeiro em seu domínio de nossas telas...

 

Dogville

Convidado: Luciano Maccio

 

Lars von Trier tem um talento específico, o de nos chocar de maneira sutil e gradativa em suas narrativas. Dogville não é diferente, com uma estética minimalista e pouco usual para o cinema, o diretor encontra o ponto comum exato entre o teatro, literatura e cinema, criando uma história repleta de signos.

Uma cidadela americana isolada da civilização recebe a visita de uma mulher, que está fugindo de gangsters, um dos habitantes deste vilarejo quer ajudá-la enquanto os outros receiam que ela traga desgraça para a rotina já bem estabelecida das pessoas, é assim que começa a saga de Grace em barganhar a aceitação através da servidão.

Apesar do minimalismo adotado, a progressão dos acontecimentos e dos abusos sofridos por Grace, tanto físicos quanto psicológicos vão levando o expectador à tensão contínua que só se alivia no últimos momentos do longa.

A trilha deixa um pouco a desejar, mas o roteiro e atuações são dignas de lembrança, o choque não acontece sem motivo, todas as atrocidades tem um objetivo específico e não ficam perdidas nos significados.


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