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Domingo 03.jul.2022

Ano X - Nº 494

Coluna

Tecnologia é

Os empreendimentos pedem mais que apenas tecnologia estrutural.

Postado em 03 de Abril de 2014 - Jorge Ostemberg

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Bernard se encaminha para a área de saque; os adversários ficam atentos, o Brasil já começava a era do respeito alto no voleibol, e não sem razão. Percebem, todos, quem assiste e os tensos adversários, que os movimentos de Bernard Rajzman não obedecem o padrão comum; então a bola parte, de um jeito inédito, em uma trajetória que se for descrita ao mesmo tempo simples e metaforicamente, se dirá: “que loucura” ... “está ‘viajando’ nas estrelas... Era uma inovação tecnológica; viriam outras e outras, que fariam de nosso país um dos sempre mais respeitados na história esportiva atual.

 

Jeff Jarvis, jornalista que explora notícias do mundo internacional de negócios (leia-se EUA) relata com entusiasmo o cerco promovido a Mark Zuckerberg, o criador e majoritário do Facebook, por um grande empresário das comunicações, que pedia insistentemente: “passe-me uma grande dica, um segredo de como criar uma grande comunidade para nossas edições”. Obviamente o grande editor em questão entendia que se tratava de obter dicas sobre aparelhos e layouts, servidores; enfim, tecnologia eletrônica; montagem e execução de novo tipo de plataformas operacionais. Seria essa a resposta? Antes de sabermos, vejamos conceituação e alguns pontos históricos sobre “tecnologia”.

O significado de “tecnologia” em termos etimológicos é “tekhne”, grego para “técnica, arte, ofício” e o sufixo que já conhecemos, “logia” de estudo. Seria, ao pé da letra estudo em favor de uma melhor aplicação de arte, técnica ou ofício.

Ok. Porém, convém desmontar melhor isso, pensando em empreendimento, e que o empreendimento não representa apenas os negócios amplos e pesados, como apostar em uma nova cervejaria ou pequena indústria têxtil. Empreendimento, como já se viu, pode ser a instalação de um sistema de venda de lanches de praia ou entrar no mercado com um novo treinamento de cães; ou vender pipocas de um jeito diferente. Enfim, é preciso compreender melhor a essência da palavra tecnologia, antes de tudo, pois ela é na verdade uma constante mental sobre o funcionamento do empreendimento.

Por que se mantém em alta um muito antigo dito popular sobre sucesso e evolução de negócios: “O que engorda o boi é o olho do dono”? Por que sobretudo precisamos estar “em cima” de nosso negócio, talvez porque ninguém poderá compreendê-lo melhor que nós; de maneira abrangente e ninguém terá maior interesse que nós, em que ele evolua.

Não importa que haja grande volume de equipamentos eletrônicos de toda ordem à disposição de gestores e proprietários empresariais; se estes não tiverem determinado domínio tecnológico, em termos administrativos; ou seja: “arte e técnicas devidamente ‘estudadas’ para compreender o funcionamento de um empreendimento.

Frank Willians não sabe tudo quanto às complexidades de seus carros de Fórmula 1, mesmo tendo sido um grande mecânico, cujos dotes e paixões por carros e velocidade o fez empreender e montar uma equipe bastante rústica no início, mas que há décadas está entre as maiores. Ele tem noções gerais da arte do ofício que opera; ele organiza todo o conjunto de equipamentos, dinâmicas e talentos de ofício, como os engenheiros e seus ajudantes.

Esse feeling é, na verdade, a maneira de lidar com a intuição, sendo esta o conjunto de conhecimentos acumulados, que permite ao indivíduo reconhecer prontamente determinadas situações, elementos e características que a compõem e saber tecer uma série de caminhos (metodologias) imediatos e mediatos. Em empreendimento é ter noções sobre o que construir para solução de um problema que existe ou surge. E isso nem sempre se refere às máquinas, eletrônicos ou equipamento qualquer.

Em uma importante reunião de negócios, onde se discutia a possibilidade de queda de valores de ações da Fox, recém comprada por Jack Welch; esse, considerado gênio administrativo, mostrou em alto nível o domínio tecnológico sobre seu negócio, na maneira que se quer aqui ilustrar. Tendo sido comunicado que o problema era a intenção do humorista Jerry Seinfeld de sair para um projeto próprio, deixando a Fox, o que desvalorizaria as ações. Welch manifestou pretensão de conversar com o ator, ao que lhe aconselhou com os cuidados de praxe um de seus executivos: “Senhor, seria ideal um especialista da área, alguém que sabe como funciona o programa, a grade e todos os aspectos em questão”. Welch respondeu: “Que sei sobre satélites? Onde e porque fica um simples parafuso?” (e não sou o maior vendedor deles?)... Ao que se calaram reflexivos, os executivos, entendendo que era não uma questão de parafusos e consoles de placas sofisticadas, antenas, etc. Era uma questão de negociação, e essa, era algo cuja tecnologia Welch domina muito bem, por isso se tornou um milionário dos negócios que os paga.

E em se tratando de sistemas mecânicos, de fato a palavra tecnologia resolve um grande número de significados e estará sempre presente em essência, quando se buscam melhores performances, ou analisar que equipamento tecnológico é o melhor para determinada função.

Uma carroça pode ser uma invenção tecnológica. Não significa que uma invenção tecnológica tenha que ter eletricidade ou qualquer tipo de dinâmica que envolva mecanismos metálicos somente. Uma carroça pode ter metais, e pode ser mais rústica, sem eles e tanto ela como os foguetes que chegam à Marte são parentes da ancestral condição do homem inventar ferramentas e instrumentos para solução de seus problemas. Se o homem ao invés de inventar a ponte procurasse sempre outro caminho, estaríamos hoje bem aquém do que estamos em avanços que nos atendem nas diversas dificuldades de nossos empreendimentos em estradas e outros, consequentemente.

Resumidamente, como se adequam aqui nossas informações aos costumes; a tecnologia surgiu com as necessidades e problemas do homem em sua inteligência primordial, ligadas à necessidade de obter alimentos e defender-se, ou pintar a parede da caverna. Esse aspecto é capaz de ligar o atual majoritário da GE, Welch em comparação ao primário inventor do arco e flecha, pelo mais importante aspecto da tecnologia: “A ANÁLISE”.

Analisando a situação de perigo da partida do humorista da FOX, para mentalmente já dispor de quais estratégias seriam ideais, Welch realiza o mesmo que o primevo homem faz, como já se citou, em situação de necessidades de defesa e alimentação; análise. Este último verificando hipóteses, atua na construção de vasilhas, de arco e flecha, busca o design o mais eficiente possível, realiza testes mentais e reais; usa a ciência em seu aspecto experimental, para determinar eficiência e solução de problemas.

As áreas de humanas, biológicas e exatas, cada qual têm seus grandes saltos tecnológicos; de esforços resulta uma equação vencedora lá no passado, que influirá a computação no futuro, com experimentos percebe-se que tecnologicamente a aplicação de determinado fungo (vindo já de conjuntos de aplicações tecnológicas) previne ou cura certa doença; em humanas, verifica-se que o trabalho com determinado conhecimento, aplicado de determinada forma, produz sistematicamente um tipo de comportamento (qualidade de atendimento, por exemplo).

A história oferece grandes momentos sobre a tecnologia: “invenção da utilização do vapor como propulsor industrial”; “invenção da vacina de combate à varíola”; “invenção do sistema 4ps no marketing”. Aí chegamos em uma grande invenção do empreendedorismo, o marketing; que, porém, não chega a ser uma invenção somente. Qualquer empreendedor tem que usar a tecnologia do marketing se quer começar com o pé direito nos negócios, observando-se que esse será assunto no próximo artigo.

Conclui-se, em tecnologias, que é melhor ser prudente e não se cansar da palavra análise, que desperta a racionalidade em questões tecnológicas; aplicar os meios realmente necessários de maneira eficiente. Não existe eficácia sem recorrência à tecnologia; seja esta um processo mental imediato e mediato, com base em conhecimentos acumulados e prontamente disponíveis (intuição inteligente – redundância proposital) ou um conjunto de equipamentos eletrônicos.

Se a era industrial veio com o vapor e os trilhos, que por sua vez em questões de plataformas organizacionais vieram da praticidade, da objetividade e inteligência militar, política e genérica e especificamente administrativa, da antiga Roma; em suma a tecnologia é dependente de análise subjetiva e inteligência elegante: HARMÔNICA; é a harmonia, como em uma orquestra, que propicia a qualidade final e que responde OBJETIVAMENTE pelo qualitativo tecnológico.

Se um carro de pipocas é bem montado, pipocas bem escolhidas; há arte visual e arte linguística no atendimento, e em consequência vários outros itens de empreendedorismo, em igual rigor de atenção, usemos algumas palavras emotivas, já que se atenderá pessoas que são estimuladas por tais palavras; se percebe-se não somente os adequados materiais, mas também a linguagem significativa adequada, sem dúvida há presença do que se convém chamar de organização elegante.

Respondeu Mark Zuckerberg, um gênio ainda com 22 anos à época da inquirição do CEO de uma grande empresa-rede de comunicações, “você não pode”. Não poderia, no caso, o CEO, montar uma rede de interesses e ações sob tais interesses. “Você não pode criar comunidades, elas já existem. Elas já estão fazendo o que querem fazer. A pergunta que vocês devem fazer é como ajuda-las a fazer isso melhor”, organizá-las.

Isso é tecnologia; neste caso, tecnologia de marketing, de conhecer –por alguma via de pesquisa- e analisar problemas e dar a solução sistemática adequada, com meios físicos e comportamentais; e sem considerarmos aqui como Mark empreendeu esse marketing, de modo tradicional ou inventivo, como gênios costumam fazer. Isso nos leva ao próximo tópico nesta coluna, o artigo que tratará de MARKETING.

Certamente o sucesso do voleibol brasileiro está carregado de tecnologias de toda espécie e é visível a apreciação do maior técnico de voleibol da história, um brasileiro chamado “Bernardinho”. Desde prancheta e organização de dados computadorizados sobre estatísticas de performance, até a realização da organização elegante; o balé em quadra, de alto potencial, promovido às ordens de Bernardo.

SIGAMOS!


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