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Segunda-Feira 06.dez.2021

Ano X - Nº 470

Coluna

Como será a eleição de 2016 em Campo Grande?

A ética e o comprometimento social surgem como uma opção decisiva para o pleito.

Postado em 03 de Junho de 2016 - Josceli Pereira

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A Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário estão com uma missão grandiosa: apurar o envolvimento dos citados no escândalo que movimentou a vida de todos os habitantes do Mato Grosso do Sul, em especial, os moradores da Capital Morena.

Com este cenário composto por duas operações policiais envolvendo mais de uma dezena dos membros da Câmara de Vereadores e do vice prefeito eleito em 2012, bem como os grandes xerifes da política estadual, ex-governador, ex-prefeito, deputados, altos funcionários do governo e vários empresários do nosso estado, em um complexo emaranhado de suspeitas de desvio do dinheiro público.

Chegam a ser assustadoras, se confirmadas, as denúncias apresentadas no inquérito policial. São milhões de reais que foram desviados dos cofres públicos alimentando um propinoduto que se auto sustentava, mantendo um grupo no poder. As empresas eram as financiadoras de campanha de parcela significativa dos políticos aliados ao esquema e, com estes recursos, bancavam as campanhas milionárias que garantiam as suas permanências nos cargos eletivos, formando assim o círculo vicioso necessário para que nada fosse mudado no modo de operar neste esquema.

Com a ação desenvolvida pela polícia veio à tona o organograma da organização criminosa, segundo informaram as denúncias apresentadas no relatório encaminhado ao judiciário. Um grande efetivo de operadores do direito, envolvendo as principais bancas de advogados do estado, além de assessoramento de escritórios renomados no cenário nacional e especializados na defesa deste tipo de processo, agitou os corretores dos fóruns e gabinetes do poder judiciário. Foram mais de sete mil páginas de documentos anexados, transcrições de conversas e relatórios de mensagens retiradas dos telefones dos suspeitos, somente em uma das operações.

Muitas prisões, conduções coercitivas, apreensão de uma infinidade de documentos, buscas em residências, repartições públicas e escritórios particulares. Mato Grosso do Sul ainda não tinha provado tamanho descalabro. Ninguém imaginava que o esquema apresentado pelos investigadores pudesse atingir tantas personalidades da sociedade e representantes políticos.

A população está sem saber o que fazer. A classe política está desacreditada e os propósitos de mudança radical dos nossos representantes tomam corpo e apontam para uma substituição generalizada nas cadeiras do legislativo e também para uma indefinição na escolha do executivo municipal.

Pelo apurado existia um modelo corrupto de representatividade, que abastecia os vereadores com troca de indicações nos cargos de confiança e repasses de valores ocultos para a manutenção do apoio na aprovação de projetos.

Esta elucidação se deu quando o atual prefeito venceu nas urnas e quebrou a prática utilizada, provocando uma ação política que resultou na sua cassação. Os órgãos de investigações concluíram que esta cassação foi orquestrada pelo grupo perdedor e, após os aprofundamentos das investigações, apontaram um grande esquema que originou na Operação Coffee Break, cujo resultado foi à denúncia de 24 envolvidos no primeiro relatório e uma possível indicação de mais alguns nomes na sequência das investigações ainda em curso.

As denúncias foram feitas e agora o processo corre conforme os trâmites de praxe do judiciário. Será exercido o direito de defesa dos envolvidos e as conclusões sobre aquilo que estão apresentados nos autos serão dadas pelos juízes. Possivelmente que esta decisão judicial percorrerá longos anos ainda, tendo em vista a morosidade da justiça e os graus de recursos existentes.

Mas uma data é certa: em outubro deste ano, todos estes envolvidos que forem concorrer a um cargo eletivo, terão nas urnas julgamentos sumários feitos diretamente pelo eleitor. Seus argumentos na busca do voto farão com que a sua conduta judicializada seja julgada de imediato.

Sem os financiamentos de campanha por parte das pessoas jurídicas um novo cenário movimenta a forma de acesso ao eleitor. Na minirreforma o tempo de eleição aberta foi reduzido para 45 dias e com a diminuição dos recursos a contratação de cabos eleitorais também deverá ser revista, já que a Polícia Federal estará atenta à velha prática utilizada em eleições anteriores, que resultou na cassação de quatro vereadores por compra de votos aqui na capital e uma dezena de prefeitos e vereadores no interior do estado.

Resta agora torcer por uma conscientização dos eleitores da sua responsabilidade com relação ao pleito que se aproxima. A ética e o comprometimento social surgem como uma opção decisiva para o resultado das próximas eleições.

Escolher com critérios nossos representantes poderá ser efetivamente o remédio para uma política sadia e benéfica à sociedade.

Pense nisto!


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