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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Investimentos

O verbo investir tem uma essência inicial bastante agressiva: atirar-se com ímpeto, acometer, atacar, assaltar. E, de fato, tudo em empreendimento pede constante vontade.

Postado em 27 de Março de 2014 - Jorge Ostemberg

Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é de alguém que acredite que ele possa ser realizado (Shinyashiki e mais de um milhão de pessoas). Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é de alguém que acredite que ele possa ser realizado (Shinyashiki e mais de um milhão de pessoas).

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A definição léxica (Houaiss) de “investimento” é: “aplicação de recursos, tempo, esforço etc. a fim de se obter algo”. Dispensa a exclusividade do dinheiro; utiliza-se o termo “capital”, quanto à finalidade empresarial, propriamente dita.

O verbo “investir” tem uma essência inicial bastante agressiva: “atirar-se com ímpeto”, acometer, atacar, assaltar. E, de fato, tudo em empreendimento pede constante vontade.

A definição econômica de investimentos, conforme o Manual de Economia da USP é: “criação ou aumento de capacidade econômica, com fins de aquisição de meios ou realização de um objetivo sócio empresarial”.

Recordando Paulo Sandroni, traz-se a definição de seu dicionário econômico para investimento; “trata-se da aplicação de recursos em empreendimentos que renderão juros ou lucros, em geral a longo prazo”. Pode representar a compra de equipamentos ou aquisição outra com a finalidade de produzir ou prestar determinado serviço.

O renomado economista Antonio Sandoval de Vasconcelos afirma sobre investimento, que se se trata de “aquisição de bens de produção, bens de capital ou intermediários, que visam aumentar a oferta de produtos ou serviços”.

Analisando as afirmações teóricas, desde a léxica até a econômica, percebe-se que embora o alcance a longo prazo, de determinado empreendimento, seja desconhecido objetivamente, é preciso verificar que empreender resulta em necessidade de materiais que representam os meios iniciais, seja mero transporte do empreendedor, seja uma máquina grande de produção. Isso resulta em um princípio básico de qualquer empreendimento, a pesquisa. Ou seja, é necessária a realização de marketing, mesmo que em moldes simples, fugindo-se de tradições teóricas e acadêmicas. É preciso saber com clareza o que se vai fazer, para com base no cálculo das necessidades materiais gerais, constituir o investimento.

Não esqueçamos que o marketing não é apenas um mero formulário de pesquisa engessada ou simplesmente propaganda. A publicidade é apenas um dos atributos da realização de marketing. Ele não é intuitivo, seguramente trata-se de peça científica, mas decorre, se é realizado com eficiência, de doses de inventividade, de criatividade investigativa. É preciso que o empreendedor não deixe escapar informações do negócio que tem em mente, em relação a todos os aspectos possíveis como localização adequada, que preços poderá praticar, o que fará para promover seu serviço ou produto; e, principalmente, o que é mesmo seu serviço ou produto; é preciso uma conceituação bastante honesta e precisa.

Recordando Cyrus McCornick; ele inventou o processo de investigar, porque inovou grandemente no processo de colheita, inventou nada menos que a colheitadeira, e recriou o comportamento de mercado. É um destaque em criatividade de investimentos, pois ao perguntar sobre aspectos do mercado que tinha em mente, de maneira ampla, e realizar uma análise com forte disposição para minúcias organizadas, teve percepção para responder outros anseios mercadológicos, e fazer o cliente investir em sua ideia e dela participar, manifestando necessidades capitais para o negócio de agricultura, em que participou de remodelação do caráter da precificação e de uma nova metodologia em assistência técnica. Note-se que isso ocorreu em 1850, conforme Peter Drucker.

Isso dispõe o seguinte raciocínio; se o investimento é uma representação numérica e participa quantificando determinadas decisões e resultados, o investimento é a representação da mentalidade do dinheiro; da mentalidade do capital; o investimento, primordialmente dá os sinais sobre quais serão os movimentos do empreendedor, principalmente os primeiros.

O mercado é incerto até mesmo quanto à permanência no eixo do negócio pretendido que se empreende. Henry Ford, o primeiro, não imaginava que viria investir em carvoaria, considerando que era do ramo automobilístico; poderia se pensar em combustíveis, metalúrgicas, fábrica de borrachas, mas, carvão? Pois o fato de ele ter investido em uma ramificação de negócios, negando o desperdício da madeira que era utilizada como suporte para construção de seus automóveis, gerou a maior carvoaria da atualidade nos EUA.

O fato de os investimentos representarem basicamente os materiais, os meios, para operações empresariais, suscitam-se possibilidades de buscar sociedade com os bens de investimento melhor protegidos. Torna-se muito mais protegido o capital de um investidor, se este entra com um maquinário em seu nome, ao invés de passar dinheiro em espécie para o sócio gestor. Com um contrato adequado, o investidor sócio poderá mais facilmente resgatar seu bem, em caso de infortúnio empresarial, que o fazê-lo se investiu dinheiro.

De maneira geral, os conselhos relacionados a investimentos são mais amplos e ricos que sobre o dinheiro, justamente pela elasticidade que pode vir nos acordos entre quem já tem determinado bem, como um imóvel, um veículo, computadores, ferramentas em geral e outros bens móveis, ou um conjunto de objetos que servem a um determinado objetivo de empreendimento, e o empreendedor ou empreendedores que irão entrar com a ideia.

O início do negócio requer talvez maiores doses de criatividade do que ordinariamente o empreendimento pedirá ao seu criador. Por isso, ainda na linha das recomendações vindas das leituras para se realizar esse artigo, se aconselha deter-se o maior tempo possível na pesquisa sobre a existência do produto ou serviço concorrente, ou da aceitação possível sobre o que se vai oferecer ao mercado, pois a velocidade de retorno implica na escolha de investimento e não somente nas considerações gerais sobre lucros.

Desaconselha-se o empréstimo de dinheiro, apontando-se que tal estratégia deve ser a última a ser pensada. Mas tanto em dinheiro quanto em materiais, sempre pode haver investimento, desde que seja bastante claro o projeto em questão no empreendimento, e o que ele revela quanto a todas as necessidades e abertura de possibilidades de um investidor tornar realidade a empresa imaginada.

Usada a imaginação para criar a inovação necessária para o projeto, estabelece-se uma linha de possibilidades de investimentos, a partir da primeira, que é do próprio capital do investidor, enxugando-se o suficiente a ideia, em seus aspectos práticos, realizáveis; então vêm várias outras possibilidades decorrentes desse esforço de pesquisa. Deve ser considerada, neste momento, uma modalidade de investimento que não é nova, é bastante antiga e até óbvia, mas que vem ganhando mais força no Brasil, trata-se dos anjos investidores:

Conforme O Wikipédia EUA, onde originalmente deparei-me com o termo, este deriva da Broadway, onde foi usado para descrever indivíduos abastados que forneciam dinheiro para produções teatrais. Às vezes se tratavam de empresários aposentado ou executivos, com interesse em investir, por razões além do retorno monetário simplesmente.  Evoluiu-se a ideia e em 2007, de acordo com o Center for Venture, havia 258.000 angel investors ativos, e entre 2001 e 2003, entre 300 e 600.000. Muitas vezes, governos atuam como anjos investidores, com capital a fundo perdido, pois a natureza do investimento é de um muito maior risco que o de investidores comuns.  

Guilherme Junqueira, da Abstartups, explica, para a revista Exame, que o investidor-anjo ajuda geralmente na iniciação empresarial, e costuma chamar outros para participar do negócio, para dividir riscos e lucros.

Ao falar em anjos investidores chega-se ao termo “startups”, que significa a empresa nascente com alto potencial de crescimento. Observa-se que não é uma unanimidade, há autores que acham que é um potencial geral e não específico deste ou aquele indivíduo, grupo ou grupos para que se considere em separado uma “startup”. Toda empresa teria inicialmente a natureza que querem atribuir somente a algumas.

Entende-se que há uma natural atração entre anjos investidores, que se arriscam mais; e ideias-projetos mais fortes, justamente para diminuir os riscos. No Brasil já se formam empresas especializadas em anjos investimentos, como a “Anjos do Brasil”. Mas continua havendo o bom e velho anjo investidor na figura de amigos ou familiares de bom senso, que analisam honestamente o projeto de um proponente do mesmo sangue ou intensa fraterna relação, e apostam, com atenção, mas devidamente mais ao grau de afinidade; como o que na gíria se costuma chamar de “pai-trocínio” e gêneros semelhantes.


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