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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

O dinheiro é insubstituível como investimento?

O dinheiro pode ser investimento, mas, embora investimentos sejam valores econômicos, a moeda em empreendimento pode ser representada por outros meios.

Postado em 21 de Março de 2014 - Jorge Ostemberg

O dinheiro é uma necessidade natural da sociedade , embora seja às vezes apontado como vilão, ou representante de vilões. O dinheiro é uma necessidade natural da sociedade , embora seja às vezes apontado como vilão, ou representante de vilões.

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O homo economicus não ficou para trás,
ele está diante de nós.
(Marcel Mauss – sociólogo francês)

O que é dinheiro, o que é investimento; são o mesmo?

A princípio a resposta parece óbvia, simples; porque primariamente é realmente simples.

O dinheiro pode ser investimento, mas, embora investimentos sejam valores econômicos, a moeda em empreendimento pode ser representada por outros meios. Porém, seguramente, sempre se precisará ao menos de certa quantia, para ser aplicada onde somente o dinheiro pode resolver um problema administrativo de mercado (e quem empreende terá que se servir, em algum momento, em pequena escala, que seja, de aquisições); quando há, por exemplo uma rígida ordem de liberação de produto ou serviço, de tal forma que o crédito, variando de cartão às várias outras formas de confiança monetária existentes, não possa substituir dinheiro em espécie.

Em uma conceituação vinda dos meandros formais da economia, dinheiro é “a denominação genérica do meio de pagamento mais comum em praticamente todos os países. Nas línguas ocidentais, é a designação do meio de pagamento geralmente utilizado nas trocas...” (Dicionário de Economia – Paulo Sandroni).

O dinheiro é uma necessidade natural da sociedade como é, e embora seja às vezes apontado como vilão, ou representante de vilões, trata-se de antiga invenção social para dar conta de operações de necessidades humanas baseadas em troca de valores, surgida quando o escambo mostrou-se bastante limitado. Raymond Aron, o renomado sociólogo francês (em sua obra “Estudos Sociológicos”), ao conceituar poder, observa que T. Parsons, sabiamente, aponta no dinheiro “coisa mais partilhada deste mundo. Partilhada desigualmente, sem dúvida: uma pessoa possui muito, e outra, pouco”. Mas sempre se tem alguns centavos, algum poder. O dinheiro gira, mal ou bem, enfim.

E como surgiu o dinheiro como invenção?

Com a complexidade das trocas, como ocorria a dinâmica de interesses variados nos primórdios sociais humanos, surgiu a necessidade de representar de forma valorativa os objetos, e acabou-se por adotar a representação numérica, pois medir riquezas logo se tornou um problema da humanidade. Na Grécia Antiga (de novo) ao invés de chocolate, como os astecas, ou bacalhau, como os noruegueses em VII a.C, como informa Beatriz Florenzano, da USP (Super Interessante 174-2002) criou-se a moeda metálica, com valores padronizados pelo Estado. Tal invenção trouxe acesso econômico a algumas camadas e possibilitou acúmulo financeiro e coleta de impostos.

A complexidade econômica evoluiu e evolui constantemente, e com a natureza cada vez mais global do homem, a negociação entre grandes empresas e governos, ou suas intervenções, passaram a determinar a existência bancária, que veio na história por Veneza, Itália, no século XII, inicialmente privada; logo despertando interesse e domínio dos Estados.

Atualmente, existem os bancos privados e os bancos do Estado; sendo que os últimos geralmente servem aos grandes fomentos; embora concorram uns e outros, através de serviços bancários comuns.

Jack Weatherford, em “A História do Dinheiro”, observa que desde seu surgimento na história, o dinheiro criou novas instituições e modos de vida, mas também corroeu e substituiu alguns sistemas anteriores a ele, e as expansões tecnológicas trouxeram também expansão da utilização do dinheiro, como hoje tem-se o dinheiro virtual, ainda mais acentuado com a internet e suas operações

O citado poder da tecnologia eletrônica vem aumentando outro poder, o de uma elite global, que não tem lealdade a qualquer pais específico, o que dá sinais de que se possa intensificar as relações financeiras como prioritárias, à frente de laços familiares, de religião, cidadania e outros determinantes de vida social.

O risco de desvalorização espiritual do homem pela maior valia ao dinheiro, insinuada por Jack Weatherford deve ser profundamente considerada; e oagir individualmente de modo ético com o dinheiro, embora soe piegas ou utópico, é algo em que se investir para que empreendimentos ocorram de maneira adequada; como dizem os antigos, de várias formas, dinheiro e prudência são parceria obrigatória para a integridade.

E quanto ao dinheiro para os empreendedores?

Os empreendedores, muitas vezes não podem acessar linhas de créditos para investimentos em seus projetos; embora costume-se propagar através da mídia a ideia de que há acesso geral a todo aquele que precise de capital inicial.

Em uma investigação inicial sobre a disponibilidade de crédito, percebe-se logo que não é de fácil acesso, é bastante dependente de burocracias que muitas vezes desanimam logo de início o investidor. Como qualquer informação específica neste campo, ou logo caducaria sob a intensa dinâmica bancária brasileira ou seria insuficiente e confusa, pois é ampla a disposição, apenas recomenda-se que haja uma confiabilidade inicial na possibilidade do crédito, que deve ser amadurecida com o contato direto em instituições intermediárias como SEBRAE, ou os próprios bancos, para se conhecer os termos de captação financeira para empreendimento.

Gostaríamos, após leitura sobre o assunto para produzir esse início de diálogo, que deverá ainda se estender por muitos artigos aleatórios sobre dinheiro, às vezes especificamente, às vezes de maneira celular a outros temas irmãos sob empreendimentos, de apresentar fórmulas vencedoras sobre não precisar tanto de dinheiro ou de consegui-lo sem burocracias, para empreender. Mas não há fórmulas de tal natureza. Porém a leitura trouxe três recomendações que achamos serem servíveis aos leitores.

Primeira; não ver no dinheiro o fim, o que é óbvio, mas que merece um exercício constante de lembrança. E, para tal, usemos um dos mais respeitados teóricos da área de empreendimentos; por alguns chamado “Papa da Administração”, embora isso cause narizes torcidos, às vezes; Peter Druker. Esse autor, em um paralelo com dinheiro e lucros, afirma que trata-se de parâmetro para aferir o sucesso de um empreendimento; em que observa que o caráter de qualquer empresa, sem distinção de tamanho, deve ser justamente empreendedor. Assim, dinheiro é medida e medidor do andamento de negócios e a prudência repetidamente recomendada, está no fato de que tudo que se relacione a dinheiro deve ser registrado antes, durante e depois, e os números são sempre indicativos, coordenadas para o prosseguimento de um empreendimento.

A segunda recomendação refere-se aos aliados. Se o indivíduo pensa em empreendimento, é praticamente impossível o fazer sem pensar que terá que estabelecer relacionamentos pessoais e o mais íntimos possíveis (sentido administrativo); assim, é preciso se ter em mente que ao organizar a ideia e potenciais de um futuro negócio, deve-se anotar os nomes de quem poderia ser aliado investidor ou apostar como anjo investidor (investidores que, por afinidade pessoal ou grande disponibilidade para apostas mais arriscadas ao novo, são maiores potenciais de aliança ou apoio inicial). E com tais anotações criar um campo real de potenciais alianças investidoras. Então (por experiência própria), considerando-se que investimento pode ser não apenas dinheiro, mas meios emprestados (automóvel; equipamentos de informática; imóvel, ferramentas), entende-se como muito positivo, se há ausência de capital, buscar primeiro os potenciais pequenos investidores, a começar pelos principais anjos investidores de pequenos empreendimentos baseados em uma boa ideia (melhor um bom projeto).

A terceira recomendação vem de autores já utilizados em outro artigo e se refere em parte à segunda recomendação, verifique todo o empreendimento, mais de uma vez, visando enxugar o projeto no que se refere à necessidade de investimentos, para que realmente possa começar em um tamanho que cumpra o poder de expandir e cumprir os objetivos e a meta principal, ficar no tamanho idealizado como adequado ao negócio imaginado.

Assim, recomendam Fried e Hansson (Livro “Reinvente sua empresa”), entre outros itens a serem repensados: evite o máximo que puder o empréstimo; dinheiro emprestado é plano “Z”, pois parece ótimo gastar dinheiro alheio, mas fragiliza controle empresarial, pode “viciar” e comprometer os objetivos a longo prazo; os clientes caem em escala de prioridades; há muito dispêndio de energia em angariar fundos via empréstimo e semelhante. Pode precisar, às vezes menos que pensa, e tornar mais útil o capital que tenha ou consiga como anjo investimento ou formas igualmente brandas de cobrança de apoio efetivo. Perguntam os autores: “precisa de 10 pessoas? Ou talvez 2 ou 3 deem conta do início de coisas; precisa mesmo de seis meses? Não consegue fazer em dois? Tem certeza que precisa dessa quantia? Não pode fazer algo com 10, 20 ou 30 % disso? Precisa mesmo de um escritório tão grande? Não pode usar sua casa e adequá-la, no início? Precisa de uma loja, ou poderia vender pela internet? Não pode abrir mão de cartões e panfletos sofisticados?” Eles lembram que todas essas perguntas tem relação direta com a experiência de negócio deles, e foi bastante útil.

Distinguimos aqui o dinheiro. Falaremos da distinção dos investimentos; que podem ocorrer de outra maneira, no próximo artigo.

SIGAMOS!


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