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Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Nos Caminhos Afro de Pierre Fatumbi Verger

Com 170 imagens que retratam as culturas afro-brasileiras e africanas, é a exposição fotográfica mais importante recebida até hoje no MARCO.

Postado em 19 de Março de 2014 - Elis Regina Nogueira

“Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de Pierre Fatumbi Verger. Foto: Elis Regina
Nos Caminhos Afro de Pierre Fatumbi Verger “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger. “Nos Caminhos Afro”, de  Pierre Fatumbi Verger.

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As imagens expostas em uma impecável estrutura - nunca vista em uma exposição fotográfica no Mato Grosso do Sul - levam o espectador a uma verdadeira viagem no tempo, com registros que variam de 1932 até final dos anos 70.

O trabalho do fotógrafo, antropólogo e etnólogo francês Pierre Verger vai além do simples registro. É uma aula de fotografia. Além de documentais, as imagens tem dimensões estéticas, afetivas e políticas que provocam uma reflexão sobre a questão  entre o fotógrafo, a obra e os contextos culturais envolvidos.

Isso torna mais interessante conhecer a produção de Verger e o significado da experiência de um fotógrafo estrangeiro viajante, que através das lentes de sua câmera conseguiu transformar seu olhar sobre o mundo e aprendeu com o outro a respeitar a singularidade de cada um.

O fotógrafo do “outro”

Assim como Eduardo Coutinho é considerado “o cineasta dos outros”, Pierre Verger, por construir uma visão mais afetuosa e respeitosa em relação aos seus personagens é chamado de “o fotógrafo do outro”.

As 170 fotografias  que compõem a  exposição  são registros sobre o cotidiano, a cultura e a religiosidade de descendentes de africanos no Brasil e em mais de 20 países.  Um registro que retrata a dignidade do povo africano, até então colonizado, rebaixado e humilhado.

Mira seu olhar e sua lentes nas festas populares de origem afro e também nas celebrações católicas. Fotografa sem distinção,  pintores , cordelistas, capoeiristas, pessoas simples e anônimas e artistas  famosos. Mergulha de corpo e alma  num encontro de  religiões,  homens e santidades, fiéis e cultos, passado e presente.

Esse profundo mergulho o transformou num verdadeiro mensageiro entre Brasil e África.

O fotógrafo viajante, de espírito livre e curioso percorreu diversos países, durante 14 anos consecutivos, mas viveu grande parte de sua vida em salvador, Bahia. Morreu em 1996,  em uma casa simples, de cama estreita e poucos móveis. Um estilo de vida que adotou desde os anos 60.

 

Visita obrigatória

Além das fotografias, os visitantes podem assistir a dois vídeos. São eles: Olhares Nômades (2005) e Mensageiro entre dois mundos (1999). O primeiro é composto por trilha sonora original e 600 fotografias sobre cultura popular nordestina. Já o segundo trata-se do documentário de Lula Buarque de Holanda, no qual Verger aparece em sua última entrevista antes de morrer, feita pelo artista Gilberto Gil.

Pra quem quiser assistir ao documentário no conforto do lar, disponibilizamos aqui.

A Exposição “Nos Caminhos Afro” fica até 1o  de Junho no Museu de Arte Contemporânea de MS (MARCO).


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