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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Tempos estranhos

Os meandros de Brasília e os nossos instintos mais primitivos.

Postado em 12 de Dezembro de 2015 - Maranhão Viegas

Foto: Leandro Gomes Foto: Leandro Gomes

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Caros amigos.

A partir desta semana teremos um encontro “textual”. Um convite feito pelo Victor Barone me permitiu a honra dessa aventura lítero-jornalística com o público de Mato Grosso do Sul.

Retornar, ainda que virtualmente, a esta terra que me acolheu, no início da minha vida profissional, e que me projetou para o resto do país, é uma honra e uma responsabilidade.

Daqui de Brasília, onde vivo hoje, procurarei traduzir um pouco do ambiente político, sem tirar de olho qualquer outra perspectiva do cotidiano que justifique algumas linhas deste sul-matogrossense adotado e “pantaneiro” de coração.

Que o espírito de Manoel de Barros me acompanhe e me inspire a fazer dos retratos políticos de Brasília uma tradução poética do Brasil moderno. E que o futuro  nos seja mais leve.

Um abraço, obrigado pela oportunidade e boa leitura a todos.

Maranhão Viegas. 

 

Instintos Pimitivos

A política, definitivamente, não anda fazendo jus à beleza desta cidade. Brasília tem sido maior do que os políticos e suas práticas. É uma frase-conceito, mas é também um desejo interno de que algo aconteça, sem demora, e nos tire desse estado de perplexidade.

A semana termina com a sensação de tempo perdido. Seis sessões do Conselho de Ética, que tem a missão de julgar os casos de quebra de decoro dos parlamentares, deram em nada. No caso,  as seis sessões são parte da tentativa de dar andamento ao processo que pode resultar na cassação do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Cunha nos provoca, aos brasileiros, os instintos mais primitivos – raiva, indignação, vergonha – toda vez que utiliza o poder do cargo em benefício próprio. E o faz com base no amplo conhecimento que detém sobre o Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

É duro admitir, mas ele se aproveita das brechas do regimento e do controle que tem sobre um bom número de deputados para atrasar o andamento do processo e ganhar tempo. O tempo suficiente para complicar a vida da presidente Dilma e do partido dela, o PT. Na condição de presidente da Câmara, Cunha tem a faca e o queijo nas mãos. É quem comanda – por lei – o processo de impeachment da presidente.

Daqui da minha janela, que me mostra uma imensa área verde de Brasília, vou teclando e torcendo, sem perder a fé nos santos e nas leis. Torço por um momento em que a Justiça o alcance e o impeça de seguir agindo contra a sensatez , abusando da nossa inteligência e zombando da nossa dignidade.

Os traços do arquiteto guardam uma beleza ímpar, no horizonte de Brasília, que não condiz com a política velhaca de Cunha e seus asseclas. O Brasil é maior do que isso.

 

Uma ponte para o futuro

O documento produzido pelo PMDB, tornado público no dia 29 de outubro, batizado de “Uma ponte para o futuro” vem gerando reações distintas. A TV Globo, os impressos nacionais, como Folha e Estadão, desde lá, produziram reportagens francamente favoráveis à iniciativa, que ressaltam as qualidades do plano e a necessidade de que se considerem as propostas ali contidas.

Elas se ajustam bem a um pensamento neoliberal e confrontam alguns dos pilares básicos dos direitos trabalhistas – como a aposentadoria – defendidos pelo governo petista. Confira a reportagem do Jornal nacional sobre o assunto.

De lá pra cá, as reações foram muitas. Uma delas está contida em um vídeo gravado pelo senador petista Lindbergh Faria (PT-RJ) e publicada pelo portal “Fato On Line”, em que acusa o partido do vice-presidente de estimular o golpismo.

O documento do PMDB chega a público em uma hora de escassez de alternativas para enfrentar a crise. E no momento em que se aprofundam investigações que extrapolam o campo político (onde tradicionalmente se localizavam) e avançam em velocidade “de cruzeiro” em direção aos executivos e diretores de grandes grupos empresariais do país.

Por esse prisma, qualquer proposta que redirecione o rumo do país tende a ser vista com bons olhos. Apesar da origem ser o partido que mais tem sido qualificado pelos grandes veículos ao longo dos últimos anos, como o “partido da boquinha”. 


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