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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

O ano da reconstrução de Campo Grande

Em 2016 teremos a oportunidade de fazer uma reforma na cidade.

Postado em 03 de Dezembro de 2015 - Josceli Pereira

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A nossa pacata cidade interiorana que passou a ser a sede administrativa do nosso Estado do Mato Grosso do Sul teve seu grande teste de sobrevivência ao suportar três anos de intenso e complicado desencontro de gestão. Foram sucessivas trocas de prefeitos e uma verdadeira e continuada discussão sobre os escândalos políticos envolvendo ações policiais sobre compra de votos e organizações criminosas, que supostamente teriam forjado serviços ao erário público com a finalidade de desviar dinheiro público.

Em 2016 teremos a oportunidade de fazer a reforma que a própria justiça não conseguiu, em virtude da morosidade da sua ação. Ela foi a personagem principal deste enredo. A verdadeira quebra de braço entre os poderosos e as lacunas da protelação que a Lei permite nestes casos.

Assistimos pela imprensa (muitas vezes não tão imparcial) das verdadeiras teses do direito elaboradas por doutos advogados, em tentar justificar o injustificável. Em verdadeiras tentativas de redesenhar uma ação ocorrida, tudo na esperança de defender a aplicação da Lei sobre aqueles que atentaram contra a ética e o comprometimento esperado de um representante público.

A sociedade assistiu passivamente ao desenrolar das batalhas entre grupos que pretendiam abocanhar o poder. Nesta guerra vale tudo! As mais letais armas são usadas sem nenhum escrúpulo. Não existe regra e nem trégua para vencer o inimigo. Cada um lança mão daquilo que for necessário.

Se por um lado isso causou enorme estrago no desenvolvimento da nossa Capital Morena, por outro lado trouxe à tona a verdadeira face oculta por máscaras de alguns ilustres representantes públicos que passavam por bons meninos e na verdade circulavam pelo submundo do crime e até mesmo das práticas pouco recomendáveis do comportamento sério que se espera de um representante do povo.

O vil metal passou a ser a contrapartida da consciência de muitos daqueles que pregavam em seus discursos a preocupação com a coletividade, mas na verdade seus intentos residiam em ajudar a saquear os cofres públicos.

A população agora tem uma certeza: sabe muito bem de onde provém o custeio das campanhas eleitorais pomposas que existiam até a eleição passada.

A população agora tem uma certeza: sabe muito bem de onde provém o custeio das campanhas eleitorais pomposas que existiam até a eleição passada. Vem do dinheiro manchado de lama ou com marca de borra de café amanhecido, tomado às escondidas nos silenciosos escritórios usados para este fim. A população sentiu na pele as greves da educação, saúde e dos serviços públicos concessionados da coleta de lixo. Aumento dos impostos, implantação de burocracias que praticamente paralisaram a construção civil por falta de análise de projetos, sem contar com os reflexos no restante dos serviços à população.

Nossa Câmara de Vereadores adotou nas suas pautas das sessões intermináveis discussões sobre os escândalos e operações policiais do cafezinho e lama asfáltica e a troca de “gentilezas” entre os edis envolvidos. Armaram verdadeiras peças teatrais nas CPIs montadas para o “faz de conta”. Foi um festival de entregas de homenagens, muitas vezes sem qualquer critério que justificasse o uso do nosso município como concedente de tal honraria. Até mesmo os escândalos sexuais envolvendo menores teve sua repercussão dentro destes eventos. A compra de votos comprovadamente penalizada pela Justiça e inúmeros pedidos de afastamentos feitos ao TJMS envolvendo a maioria daqueles que representam o Legislativo Municipal. Como confiar nesta gestão? Qual a base que garante ao povo a confiabilidade neste momento? Discussões sobre assuntos que tivessem o objetivo de melhorar a nossa cidade ficaram em segundo plano.

O desequilíbrio financeiro também apareceu, provando que gestão pública precisa estar nas mãos de pessoas preparadas para isto. Não será possível administrar uma cidade do porte de Campo Grande sem ter um planejamento e uma organização bem feita e condizente com a realidade e a complexidade financeira.

A fiscalização do Executivo pela Câmara deve ser mais efetiva. Esta função primordial na gestão pública é também deixada em segundo plano. O comprometimento com a função do cargo é pouco cobrado pela sociedade e portanto, esquecida pelos agentes públicos.

Resta agora a esperança (do verbo esperançar) que os eleitores da nossa cidade assumam o compromisso de fazer a tão esperada reconstrução política para devolver a Campo Grande a oportunidade de continuar crescendo, de forma ordenada e proporcionando à população que aqui reside, a tranquilidade e harmonia que todos nós almejamos.

Mãos à obra!

Pense nisto!


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