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Terça-Feira 19.out.2021

Ano X - Nº 463

Campo Grande

Campo Grande já registrou 598 tentativas de suicídio só em 2015

Em 2014, 53 mortes do gênero foram registradas na Capital.

Postado em 19 de Novembro de 2015 - Redação Semana On

Audiência pública sobre o tema reuniu profissionais e pesquisadores. Audiência pública sobre o tema reuniu profissionais e pesquisadores.

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Dados alarmantes sobre o suicídio em Campo Grande chamaram atenção de autoridades e especialistas que debateram ações de prevenção deste ato que, só em 2014, ceifou 53 vidas na Capital. O debate ocorreu durante Audiência Pública realizada na manhã de quarta-feira (18) na Câmara Municipal.

Representando a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a enfermeira do Núcleo de Prevenção de Violências, Laura Maria Souza de Linhares afirmou que no ano passado foram registrados 53 óbitos e 750 tentativas. Em 2015 já foram registradas 598 tentativas até o mês de outubro.

Segundo ela, a Sesau tem registrado o crescimento destes números nos últimos anos, e os dados podem ser mais graves, pois muitos familiares têm vergonha de dizer que a pessoa se matou e não registram o suicídio. Professor, pesquisador do Hospital Universitário e capelão do Corpo de Bombeiros, Edílson dos Reis revelou que “quando um caso de suicídio é notificado, quatro outros não são.

A principal faixa etária que pratica o suicídio é de 15 a 34 anos. “É triste quando vemos crianças de 10 anos tentando suicídio, um adolescente de 14 anos querendo tirar a própria vida e uma menina de 12 anos que quer por fim à vida. Essas crianças estão dentro das unidades escolares”, afirma Reis.

Segundo ele, a UFMS tem condições de capacitar os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) a trabalharem com a prevenção ao suicídio. “Precisamos trazer isso como pauta. Temos que marcar audiência com a ACP para começarmos esse discurso com os professores. A lei já foi sancionada e agora o que precisa é normatizarmos isso para capacitar os professores”, disse, referindo-se a Lei nº 5.613/15, de autoria do vereador Carlão, que dispõe sobre a implantação de medidas de prevenção ao suicídio nas escolas municipais de Campo Grande MS, sancionada e publicada no Diário Oficial no dia 30 de setembro deste ano.

A Saúde também tem papel fundamental na prevenção. Em Campo Grande, quando uma pessoa tenta o suicídio e dá entrada na Unidade de Saúde 24 horas, um assistente social está presente fazendo o acolhimento do paciente e seus familiares. Em seguida ele é encaminhado para um dos seis Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Tabu

A assistente social do Setor Psicossocial de Apoio ao Servidor Penitenciário, Maria Roseneuza dos Santos salientou que o suicídio ainda é tratado como tabu. “Vejo um assunto permeado pelo preconceito. Lidamos com a depressão de forma errada e muito preconceituosa. Este é um problema da nova geração, a geração do tudo pronto, que não está disposta a construir e com a falta do construir e o vazio se instala, culminando com o suicídio. Temos que romper esse preconceito, é uma coisa que deve ser levada a sério”, disse.


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