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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Síndrome das concessões da malha rodoviária

MS adota sistema de concessões à iniciativa privada das estradas.

Postado em 16 de Outubro de 2015 - Gerson Martins

Mato Grosso do Sul entra, aos poucos, para o sistema de concessões à iniciativa privada da malha rodoviária, das estradas. No Estado, a primeira concessão acontece com a BR-163, entre Sonora e Mundo Novo. Mato Grosso do Sul entra, aos poucos, para o sistema de concessões à iniciativa privada da malha rodoviária, das estradas. No Estado, a primeira concessão acontece com a BR-163, entre Sonora e Mundo Novo.

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Mato Grosso do Sul entra, aos poucos, para o sistema de concessões à iniciativa privada da malha rodoviária, das estradas. No Estado, a primeira concessão acontece com a BR-163, entre Sonora e Mundo Novo. Cerca de 800 km de rodovia que serão administrados pela CCR MS Via, empresa que detém cerca de 85% das concessões de estradas em todo país. No universo das concessões, há diversidades de situações. Há trechos em que a empresa cobra tarifa de pedágio de R$ 18,00, assim como há trechos que a empresa estabelece a tarifa em cerca de R$ 4,00!

Uma situação muito peculiar acontece nas estradas do Paraná, onde houve problemas políticos na assinatura dos contratos de concessão, contestados e reclamados pelos usuários, mas sem qualquer solução efetiva. As principais rodovias do estado, que ligam as principais cidades, depois de mais de 20 anos de concessão rodoviária, ainda têm pista simples. Enquanto no estado de São Paulo qualquer deslocamento rodoviário, em trechos de ligação de grandes cidades ou em trechos de ligação de cidades de porte médio, é realizado em estradas de pista dupla e com tarifas de pedágio razoáveis, a situação no Paraná é muito diferente. O usuário, viajante sai de Curitiba em direção à principal cidade do estado, Londrina em estrada de pista simples, assim como em direção à região oeste, para a cidade de Cascavel, por exemplo.

De resto, é torcer para que não ocorra em MS o que aconteceu no Paraná em que a concessionária cobra as mais altas tarifas e, depois de 20 anos, as principais estradas continuam em pista simples.

De outro lado, uma situação peculiar e nada regular acontece. A concessionária, por meio das empreiteiras contratadas, faz a pavimentação de trechos novos ou antigos em que usam um produto de baixíssima qualidade. O que acontece? Estradas novas em pouco tempo estão cheias de buracos. Trechos com menos de cinco anos de uso recebem uma re-pavimentação em pequenos trechos, serviço tapa-buraco, ou em grandes extensões. Há que se considerar que a tecnologia utilizada atualmente para a pavimentação das estradas proporciona uma vida útil de pelo menos 10 anos, ou seja, o dobro do que acontece com a malha privatizada.

Com um pavimento de baixa qualidade, serviços de tapa-buraco são frequentes, atrapalham o fluxo dos usuários, colocam em risco vidas e justifica reajustes de tarifas de pedágio sem melhoria da estrutura da rodovia, como pista dupla ou mesmo terceira faixa de rolamento. Os usuários da concessionária CCR, que circulam nas estradas do Paraná, conhecem muito bem o eterno serviço de tapa-buraco que é realizado nas estradas privatizadas. A partir disso, a concessionária justifica os reajustes da tarifa, mostra serviço, ou melhor um mascaramento de serviço e prejudica o usuário que sempre é obrigado a constantes interrupções na sua viagem, por causa da “manutenção”!

A rodovia BR-163 será, ou melhor, é administrada pela CCR que somente poderá iniciar a cobrança de pedágio depois de cumprir, no mínimo, 10% de duplicação do total da concessão, ou seja, cerca de 80 km. A empresa deverá cumprir essa exigência no trabalho de duplicação – necessário e obrigatório – das praças de pedágio. Faltará poucos quilômetros para fechar essa meta. Em outras palavras, a BR- 163 continuará por longos anos em pista simples e com cobrança de pedágio. De resto, é torcer para que não ocorra em Mato Grosso do Sul o que aconteceu no Paraná em que a concessionária cobra as mais altas tarifas e, depois de 20 anos, as principais estradas continuam em pista simples e com o eterno serviço de tapa-buracos porque o material utilizado para pavimentação é de baixíssima qualidade.


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