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Quinta-Feira 27.jan.2022

Ano X - Nº 475

Coluna

Vergonha internacional

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, promulgou uma das leis mais violentas contra LGBTs em todo o mundo. Penas de prisão, inclusive perpétua, estão previstas na nova legislação.

Postado em 26 de Fevereiro de 2014 - Guilherme Cavalcante

Com a lei antigay, que prevê penas de prisão perpétua, Uganda se torna o país mais homotransfóbico do mundo. Com a lei antigay, que prevê penas de prisão perpétua, Uganda se torna o país mais homotransfóbico do mundo. Foto: Reprodução Facebook

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Não adiantaram as críticas e pressões das entidades mundo a fora. Sob uma salva de palmas, o presidente de Uganda, Yoweri Musevini, promulgou a temida lei que torna a homossexualidade crime. A lei abre possibilidade de pena, inclusive perpétua, para quem promover atos como toques carinhosos, realização de casamentos, gerenciamento de entidades LGBTs e apoio a LGBTs, o que torna a Uganda o país mais homotransfóbico do mundo.

Além de ser uma grande violação dos direitos humanos, a lei antigay também preocupa porque Uganda exerce um importante papel na mediação de conflitos no continente africano, sobretudo no combate ao conservadorismo islâmico na região somaliana. O maior é receio é que Uganda, por sua posição, “inspire” países vizinhos com legislações semelhantes.

Por mais que seja uma realidade ainda distante da nossa, ao menos institucionalmente, não podemos silenciar. A organização All Out está promovendo uma grande campanha para sensibilizar líderes, entidades e organizações internacionais contra o retrocesso em Uganda e o perigo que ele representa. Você pode contribuir assinando e divulgando a campanha AQUI.

 

Dos males o menor?

A disputa pela presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) chegou ao fim, com a vitória do deputado Assis do Couto (PT-PR). Nilmário Miranda (PT-MG), um dos nomes mais aclamados para o cargo, ocupará a posição de vice-presidente da comissão.

A eleição de Couto para a presidência da CDHM tem causado desconforto generalizado entre os militantes de direitos humanos. Primeiro, porque uma pá de cal parece ter sido jogada sobre o diálogo entre partido e movimentos de base, já que o favoritismo de Erika Kokay (PT-DF) e Nilmário Miranda era público e notório.

Segundo porque Assis do Couto, além de estar completamente afastado das pautas de direitos humanos, é integrante da bizarra Frente Mista Em Defesa da Vida – Contra o Aborto, movimento que agrega católicos e evangélicos contrários à descriminalização do aborto - uma das demandas dos grupos feministas que, por definição, compõem o público alvo das apreciadas na CDHM.

É óbvio que a escolha de qualquer deputado do PT, inclusive Couto, em detrimento de Jair Bolsonaro, é positiva. Mas é preciso discutir a questão a fundo. Ela revela o colapso e a esquizofrenia da democracia brasileira, onde os acordos entre partidos e diretórios são feitos às escuras, sem que a voz dos movimentos de base seja apreciada. Dos males, o menor? Não podemos nos conformar com isso.

 

Beijinho no ombro!



Todo ano a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro (Ceds-Rio) faz as melhores campanhas pelo combate aos preconceitos no carnaval. Nos últimos anos, a ação chegou a trazer um pequeno samba-enredo para celebrar a diversidade. Já em 2014, é o super hit "Beijinho no Ombro", da funkeira Valeska Popozuda, que puxa o combate ao preconceito, em ritmo de carnaval.

Com a participação de David Brasil, Lucinha Araújo, da própria Valeska e de várias outras pessoas, o vídeo traz mensagens irônicas contra transfobia, xenofobia, racismo, moralismo, preconceito, homofobia e outras opressões e também de incentivo ao uso de preservativos. Excelente dica para o carnaval, a propósito. Beijinho no ombro e camisinha você sabe onde!


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