Semana On

Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

O incrível caso do partido teflon

Por que algumas legendas parecem invisíveis à opinião pública?

Postado em 25 de Setembro de 2015 - Rodrigo Amém

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Eu entendo perfeitamente o sentimento anti-PT. Ele queima dos dois lados do espectro. Sua política liberal frustrou a esquerda. Seus programas assistenciais irritaram a direita. Sua disposição de chafurdar em negociatas em troca de um projeto de poder a longo prazo enfureceu todo mundo. O PT plantou e está colhendo. 

Mas o que me assombra não é o ódio ao PT. É a indiferença ao PP. 

O Partido Progressista trabalha com esse nome desde 2003, quando deixou de ser PPB. Mas sua história começa antes, bem antes. O PP nasceu de uma das dissidências do PDS, apoiou o Maluf na disputa contra Tancredo Neves mas foi ficando, se fundindo com outras siglas, trocando de letras e alianças até os dias de hoje. Talvez essas mudanças de nomenclaturas ajudem a entender porque as pessoas não conseguem visualizar o legado político do PP, mas ele é de arrepiar. 

Para começo de conversa, o PP é o partido do Paulo Maluf, famosa figura pública de desfila com a mesma desenvoltura pelos corredores de Brasília e pela lista de procurados da Interpol. Lidiane Leite da Silva, a prefeita afastada de Bom Jardim (MA), mais conhecida como "prefeita ostentação", gostava de tirar fotos exibindo sua vida de luxos incompatíveis com seu salário e foi afastada por desvio de verba da educação de seu paupérrimo município. Eleita pelo PRB, Lidiane trocou de legenda e foi recebida de braços abertos pelo PP. Atualmente, ela se encontra foragida e oficialmente "sem partido". 

O PP é um partido que sabe a importância de não ser lembrado. Porque partido de oposição com ideologia é bonito, coisa e tal, mas na hora de sentar à mesa do ratatá, discrição é a alma do negócio.

O PP gosta de alistar celebridades polêmicas e, aparentemente, incompatíveis entre si. Tammy Gretchen já se filiou para as próximas eleições.  Em São Paulo, o apresentador de TV José Luiz Datena se prepara para concorrer à prefeitura. Jair Bolsonaro é PP há 10 anos (será que ele sabe que o "degenerado" Tammy é seu colega de legenda?). Aliás, foi o próprio Bolsonaro que afirmou que o PP só era partido da base do governo Dilma para garantir proteção aos políticos da legenda. Uma medida necessária, já que seu partido é tema central dia sim e dia também nas investigações da Operação Lava Jato. E não podemos esquecer que o PP presenteou a cidade morena com a dupla dinâmica Alcides Bernal e Gilmar Olarte. Muitos cidadãos indignados protestaram contra os desmandos da dupla. Mas não vi nenhum cartaz de "fora PP" na porta de nossa prefeitura fragilizada. 

Ainda assim, ninguém odeia o PP. Claro, existe aquela retórica de "nenhum partido presta", "sou contra tudo isso que está aí" e por aí vai. O discurso de ódio personalizado continua reservado ao PT.

Eu acredito que o PP aprendeu com a própria fisiologia a se esconder atrás destes grandes personagens caricatos, banhos de loja e mudanças de marca. O PP é um partido que sabe a importância de não ser lembrado. Porque partido de oposição com ideologia é bonito, coisa e tal, mas na hora de sentar à mesa do ratatá, discrição é a alma do negócio. E, justiça seja feita, a estratégia do Partido Progressista não é exceção à regra. É a norma para a maior parte dos indefectíveis 33 partidos políticos registrados em atividade no Brasil.


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