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Quinta-Feira 27.jan.2022

Ano X - Nº 475

Coluna

Ética e moral

A difícil equação de equilíbrio do homem.

Postado em 26 de Fevereiro de 2014 - Jorge Ostemberg

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“Hércules olhou aquele semblante eternamente perplexo e inquieto; olhou os olhos daquele ser perfeito e sob um extremo e incompreensível cansaço, havia muda agonia guardada em uma sequência de eternidades, e aquilo ali, tão hediondo, era resultado de um castigo dos deuses; era Prometheus; acorrentado a uma pedra, com os ferimentos à região do fígado ainda a se desfazerem do sangue e das aberturas lancinantes. Ouviu-se o partir de correntes; vinha a liberdade, era o suficiente...” (Trecho de rascunho do romance “O Saci” – J.R.Ostemberg)

 “E tendo tomado Jesus o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o deu a seus discípulos dizendo: ‘Tomai, todos, e bebei:
este é o cálice do meu Sangue,
o Sangue da nova e eterna aliança,
que será derramado por vós e por muitos,
para remissão dos pecados.
Fazei isto em memória de Mim...” (Códice Cristão, em várias versões).

“Lúcifer se recusou a aceitar...” (trecho em várias versões, de várias descrições de uma talvez rebelião celeste).

Tendo sido valorizado o aspecto didático presente nos artigos, portanto também apresentado os valores de dar suporte à memória, em razão da opção por uma prática jornalística cada vez mais interativa, entende-se que é cabível mais uma lembrança resumida, antes de prosseguir, em que nesta atualização da coluna se discorrerá sobre ética, observando-se que aqui se tratará apenas de um caráter introdutório a tema tão importante, complexo e abrangente.

A seguir, organizados em um parágrafo cada tema, se colocará resumida descrição dos artigos anteriores, e posteriormente virá o citado assunto da ética, em termos introdutórios.

No artigo 1 “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”, discorreu-se sobre o trabalho, com a intenção de mostrar que, além de o trabalho pertencer a ordem geral do ser humano, o empreendedorismo faz parte dessa ordem, restando que há vários tipos dele, que ao longo dos artigos vindouros seriam tratados e atualizados com o apoio de casos concretos.

No artigo 2 “Disciplina é ter coragem”, verificou-se que as qualidades disciplinares e a coragem são imprescindíveis ao empreendedor. Enfrentar barreiras como vergonha, medo do fracasso e outras tantas, torna-se realmente vitória, se houver municiamento forte de disposição do indivíduo.

No artigo 3 “O inferno são os outros”, se destacou a adversidade como melhor enfrentada se houver entendimento de que não se pode aceitar a crítica sobre o que nem mesmo existe. Pois, se há uma ideia adequada a um projeto factível, ainda assim há, evidentemente, possibilidade de erros, de falhas e até fracassos, que na realidade devem ser vistos como possíveis, mas transponíveis.

No artigo 4 “Três empreendimentos e uma essência: fotografia”, foram descritos três casos reais de empreendimentos em fotografia, mostrando-se diferenças logo na escolha, que fazem do empreender campo mais vasto do que se possa pensar com simplicidade.

No artigo 5 “O que é uma boa ideia para empreender?”, buscou-se estabelecer simplesmente que é necessária a existência de uma ideia que seja razoável. Não sendo necessário que seja genial. Pode ser, e se for tem que sustentar-se em possibilidade de realização. Mas o foco principal é que se deve mesmo começar no campo imaginativo, e depois dotar o objeto pensado de realidade. E é prudente ter tranquilidade no amadurecimento de certezas, começando pela convicção da ideia primordial, aquela que é o eixo do empreendimento.

No artigo 6 “O que é o fracasso?”, trabalhou-se sobre a afirmação de que o fracasso é mais forte que os erros, porém igualmente trata-se de uma representação de organização da ideia original, ou talvez troca de ideia; enfim, é uma parada somente, a não ser que o indivíduo permita que ele se instale de maneira paralisante. Isso seria um erro próximo de fatal, para determinar algo que é praticamente humano, o homem tem que sempre empreender em algum nível e de alguma forma; e, classicamente, tem se visto que os empreendimentos são sempre o ponto de partida para construção de objetos que sustentam o mundo.

No artigo 7 “Projeto – organizar a administração de uma ideia” trabalhou-se na importância de formalizar a divisão de etapas que ajudam a compreensão do próprio empreendedor da escolha de um negócio de mercado e principalmente a divulgação clara do que se pretende, para todos os envolvidos, direta ou indiretamente.

Cumpridos os resumos, tocar-se-á em caráter primordial a conceituação de ética e moral, como parte da essência de empreendimentos.

HOUAISS:

Moral: Pertencente ao domínio do espírito do homem; que denota bons costumes segundo os preceitos estabelecidos por um determinado grupo social.

Ética: Princípios de disciplina e orientação do comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social; conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

 

Para alguns poderá parecer óbvio haver muita semelhança, para outros poderá parecer haver uma distinção, mesmo em uma leitura primordial, e sem o suporte de aprofundamento de autores das áreas do direito, filosofia, literatura, história e outras disciplinas com foco no tema.

Espero realmente não ter pensado bem na hipótese do questionamento neste artigo sobre “mas o que tem a ver a ética, a moral, com o empreendimento”. Nem mesmo minha própria voz de pensamento poderia soar cômoda com algo assim.

Por quê poderia parecer um assunto alhures ao tratamento específico dado ao tema empreendimento, a ética e moral?

Por quê poderia parecer um assunto alhures ao tratamento específico dado ao tema empreendimento, a ética e moral?

George Carlim, saudoso e grande humorista estadunidense disse certa vez que todos os 10 mandamentos cristãos seriam dispensáveis pela afirmação de um apenas, em duas linhas: “seja honesto”; pois o honesto, se cobiça, não empreende para cima da mulher do próximo; respeita pais, não rouba; enfim, não desrespeita o citado códice moral.

Talvez o não questionamento sobre a moral e ética, no tocante a empreendimentos decorra do fato de que seja óbvio termos parâmetros naturais sobre o que é o certo e o errado na sociedade, e portanto, se vamos construir algo em que dependeremos de uma escolha das pessoas por nossos serviços e produtos, incorrerá em sucesso termos bons padrões de conduta. Porém, moral, e principalmente ética, sofrem, pela dinâmica social, uma influência que foge aos contornos definidores do que é certo e o que é errado. Como?

Certamente podemos pensar que um arquiteto, um advogado, um pipoqueiro e um médico, ao não cumprirem, não justificadamente, seus expedientes na manhã seguinte, todos terão faltado à ética e moral, se pessoas os esperaram, e de seus domínios dependiam para realizar intento. Mas, se todos podem ter falhado moral e eticamente, é preciso pensar além disso, nas consequências de cada fato, pois é complexo o entendimento ético e moral; e muitas vezes a moral soluciona sozinha, mas nem sempre.

Talvez o não questionamento sobre a moral e ética, no tocante a empreendimentos decorra do fato de que seja óbvio termos parâmetros naturais sobre o que é o certo e o errado na sociedade.

Se o arquiteto faltou a uma reunião ou atendimento, atrasam-se providências e serviços, e podem acarretar-se prejuízos econômicos, além de aborrecimentos espirituais; como com todos os outros; o pipoqueiro terá faltado com aqueles que não poderiam optar por lanche mais caro, o advogado pode ter trazido uma grave implicação à liberdade de um sujeito; e o médico ao não aparecer para realizar a cirurgia de urgência, inclusive poderá pôr em risco a vida de alguém. A ética pode reforçar a importância de condutas e não condutas, a partir da moral; codificando-a em escrito, que pode vir a ser memorial.

De maneira geral, em diferentes níveis, ocorrem consequências, à ausência moral e/ou ética. Sendo que uma implicação ética, por ser reforçada muitas vezes por códigos específicos, sob específicas hipóteses, pode ter maior alcance.

Atualmente, a própria legislação tem cobrança ética dos vários tipos de empreendedores, como ocorre, por exemplo, através das leis ambientais, que não permitem determinadas condutas que possam comprometer fontes primárias da natureza, legítimo legado que preservado permitirá a possibilidade de vidas futuras.

Mas, em termos primordiais sobre o tema “ética e moral”, como já se disse, profundo e extenso, o que o trará outras vezes a esta coluna, tendo considerado as várias leituras sobre este, é possível afirmar que embora as leis, os códigos, que protegem a sociedade de possíveis efeitos nocivos de um empreendimento que leve em consideração somente os aspectos financeiros devam ser considerados; antes de tudo, deve se ter em conta o equilíbrio entre o que é realizável e o que DEVE ser realizado, sem prejuízo futuro a indivíduos, grupos ou seres da natureza e do mundo, enfim. Em primeiro lugar essa consideração respeita a parte humana do empreendimento, em segundo e em alta importância, o aspecto econômico.

Atualmente, a própria legislação tem cobrança ética dos vários tipos de empreendedores, como ocorre, por exemplo, através das leis ambientais.

Se tem visto, ao longo da história humana, que ao final de todo micro, pequeno, médio ou grande ciclo histórico, embora haja milhares de mazelas sociais em decorrência do desrespeito à moral e ética, prevalecem os valores sob a preocupação em realizar aquilo que é correto, quanto aos bons costumes gerais; em que inclui dizer sim ou não a si mesmo, livrando-se de tentações que possam pô-lo em apuros no andamento ou conclusão do projeto de empreendimento. Mário Sérgio Cortella, professor da PUC/SP, afirma este aspecto do domínio da aplicação: “isso sim, isso não”. Com utilização da intuição e da razão com base em informações coletadas na tradição da pesquisa científica.

Hoje, neste artigo, fez-se um toque bastante primário em relação a tudo que se prosseguirá falando sobre moral e ética. Porém, entende-se que com o disposto é esclarecido que se, como signo literário, Prometheus não entendeu os deuses e suas disposições administrativas; se Jesus observou ser o vinho um símbolo adequado de o homem embriagar-se do próprio espírito, o sacrificando ao invés de corrompe-lo, em uma aliança nos mais altos graus equilibrada; e Lúcifer pode ter tido como supremo pecado a ansiedade que o impediu de compreender o plano divino, têm-se na ética e moral um momento de análise honesta sobre as consequências de um empreendimento, quanto àquilo que chamamos comumente de meio ambiente, ou a casa de todos nós.

O direito de um, sob a filosofia de que tal matéria é que explica o “dar a cada um o que é seu”, começa onde termina o direito de outro. Exercer empreendimentos depende para o finalmente em sucesso, também de se fazer uma análise onde cada vez mais entram em jogo os valores morais e éticos.

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