Semana On

Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Zé ruela, ou mau funcionário

Um problema de competência – Parte 1

Postado em 24 de Julho de 2015 - Jorge Ostemberg

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

“Aquilo é um ‘zé ruela’” (Um infeliz fazendo, muitas vezes, um comentário infeliz).

“O mais competente não discute, domina a sua ciência e cala-se” (Voltaire).

 

Tanto o humor quanto a crítica são instrumentos pertinentes no mundo social e laboral, e eles podem caminhar juntos. Talvez, conforme a situação, seja possível, com inteligência e maestria se realizar uma crítica, com bom humor. Em casos de frouxidão de vontade ou competência no trabalho, ou outras situações. Mas, certamente, é preciso ter prudência para não fazer papel ridículo perante os colaboradores, ou realizar improdutiva situação de mero constrangimento.

Há neste sítio, especificamente em nossos artigos, um que trata da seleção, recrutamento e treinamento. São estratégias administrativas serventes aos propósitos de contratação e situação de um indivíduo que virá a colaborar na efetividade empresarial, promovendo, através de sua participação, a produção da empresa.

Obviamente, se espera do indivíduo contratado um desempenho à altura do que a empresa necessita. Mas não raramente as coisas não funcionam, o funcionário acaba apresentando desempenho muito aquém do que dele se espera. E, surpreendentemente, alguns patrões mantém o sujeito, participando de alguma forma de um conceito negativo que vai se formando, sendo impressa a responsabilidade, unicamente ao indivíduo, quando surgem, às vezes expressões como “inútil”, “devagar quase parando”, ou o “em moda”, “zé ruela”.

Considerando que as expressões populares são, em vezes, carregadas de sabedoria, em seu emprego linguístico, tem sempre algo de liberto e anônimo. Ruela é ruazinha ou círculo em escudo, expressão que podemos descartar e ficar com uma abreviação de arruela: “plaqueta circular ou quadrada provida de um furo central, que serve de base à porca para distribuir a pressão resultante do aperto do parafuso em maior área de contato”. Ou seja, um quebra-galho, que conforme a disposição em se buscar a devida porca, fica “para sempre”.

Se quer expressar que um “zé ruela” é um camarada que nem sempre, ou quase nunca, tem o calibre exato para função em que está. Mas, quem contrata? Quem é que seleciona? Quem recruta, quem dá o treinamento? Quem é o responsável por verificar se há coerência de ajuste, e quando é detectado já no processo pós contratação, quem é que deve dar solução ao problema? Se verificando ainda se a inadequação ocorre em situação de tarefas simples ou complexas.

Em empresas já situadas, em pleno funcionamento, geralmente há maior facilidade na percepção sobre o quadro de pessoal. Contratar representa o preenchimento de um pré-perfil, de um perfil já existente claramente em espectro; já se sabe que tipo de indivíduo é o ideal para preencher cargo e função.

Em se tratando de tarefas simples, é possível que determinadas chefias se equivoquem e não entendam que mesmo nestes casos, de realizar faxina, fazer café, atender telefones, existem micro complexidades, existe a necessidade de o indivíduo ter capacidade de leitura de situações e pessoas com as quais se envolverá e procederá seu desempenho. É certo que mesmo nas tarefas mais simples, para que não seja um “zé ruela”, não pode também o gestor ou gerente o serem antes dele e terem frouxas funções em promover a coesão e coerência administrativa em seu ponto mais importante, o pessoal.

Quando se trata de empreendimento, a necessidade de evitar o indivíduo em desacordo para a função, se evitar o tal “zé ruela”, a tarefa é visivelmente mais árdua e merece pesquisa mais intensa, mais elaborada, mais aplicada. Deve se recorrer a pré-requisitos muito eficientemente definidos, e um trabalho de seleção bastante rigoroso, honesto quanto ao principal motivo pelo qual se contrata alguém, a eficiência própria e eficácia empresarial.

A qualidade nos talentos sociais e profissionais jamais será mencionada por teóricos e pensadores da administração como um dom que nasce com o indivíduo e sim habilidade e conjunto delas, coerente a um propósito ou vários deles, que comporão a razão da existência de uma empresa, que, sem exceção, busca a produção de serviços ou produtos que satisfaçam clientes. E não haverá satisfação com clientes, fornecedores, pessoas, enfim, se não houver o ajuste junto aos colaboradores, desde as tarefas consideradas de menor complexidade, mas jamais sem importância. É surpreendente, dizem os vários pensadores do mercado, durante anos, o poder que um bom café junto a um bom dia podem render.

Portanto, conclui-se que os zé ruelas são em princípio um erro de calibre de contratantes, sejam de empresas colocadas ou em fase de empreendimento inicial. Claro que existem também os maus funcionários, que são o assunto da parte dois deste artigo com duas divisões, e que virá na próxima publicação, em que os esperamos para ler, refletir, curtir; quem sabe comentarem.

Sigamos!


Voltar


Comente sobre essa publicação...