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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Por quê da greve na educação universitária

A Constituição deixa muito claro: é um direito do trabalhador.

Postado em 24 de Julho de 2015 - Gerson Martins

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O instituto da greve, se for para usar um termo jurídico, é um direito adquirido pelo trabalhador brasileiro desde a Constituição de 1946 e referendado pela Constituição Federal de 1998. A Constituição deixa muito claro que este é um direito do trabalhador. As demais classes sócio-profissionais podem usar desse instituto como forma exclusiva de pressão política, mas sem qualquer garantia, salvo alguma jurisprudência, de ser responsabilizada pelos prejuízos decorrentes do ato.

A greve realizada por professores e pessoal técnico-administrativos das instituições de ensino federal, ou mesmo no ensino público estadual ou municipal, tem como objetivo garantir a qualidade mínima necessária para a formação dos profissionais, como advogados, engenheiros, médicos, jornalistas, dentistas, farmacêuticos, mesmo professores, administradores, entre outros tantos; também garantir as condições mínimas necessárias para desenvolver pesquisas que busquem, como resultado, a melhoria das condições de vida da população, o desenvolvimento da ciência e o desenvolvimento tecnológico, muito importante para o bem-estar social, e ainda garantir as condições mínimas para dar continuidade aos inúmeros projetos de extensão que atendem as populações mais carentes.

É importante ressalvar – “condições mínimas necessárias”- não o “a mais”, o “plus””, o que seria o ideal, pois assim o Brasil conseguiria se comparar aos países desenvolvidos, onde a ciência, a tecnologia e, portanto, a educação são condições estratégicas para o desenvolvimento social. Lamentavelmente no Brasil o mais importante e que equivocadamente recebem volumosos recursos financeiros do governo federal se localizam na indústria automobilística, entre as empresas de fast food e no agronegócio de exportação, as chamadas commodities. A saúde, a educação e mesmo o transporte são áreas secundárias, se pode dizer mesmo, para estabelecer um neologismo “ultimárias”!

A educação no Brasil nunca foi uma das prioridades. Nos últimos dez anos houve um incremento do investimento em infraestrutura na educação, mas não houve atenção para os recursos humanos dessa mesma educação.

A educação no Brasil nunca foi uma das prioridades. Nos últimos dez anos houve um incremento do investimento em infraestrutura na educação, mas não houve atenção para os recursos humanos dessa mesma educação. No governo FHC, havia clara intenção de privatizar o ensino público universitário, aconteceu um forte sucateamento das universidades federais. No governo posterior, do PT, aconteceu um incremento nos investimentos, mas que se restringiu à infraestrutura e ao aumento no número de universidades. A pesquisa recebeu apoio, mas não na medida que necessitava para colocar o Brasil entre os países de alto índice de produção científica.

E qual o resultado dessa política a longo prazo? Basta fazer uma visita a muitas universidades federais para constatar estruturas envelhecidas, sucateadas, equipamentos defasados e corpo de professores e funcionários sem motivação para suas atividades. Professores que mais dedicam tempo para a burocracia do que para os processos de pesquisa. O sistema, precário, é fortemente burocratizado que impõe atividades administrativas e detrimento da dedicação maior para a produção científica. Consequência disso é o baixo impacto social que as pesquisa brasileiras, que a ciência brasileira tem na sociedade e no mundo.

Todas essas condições impelem o corpo de professores e funcionários a paralisarem suas atividades para cobrar, literalmente cobrar do governo federal mais investimento no sistema público federal de educação. A educação é a base para o desenvolvimento de uma nação, que o diga o lema “Pátria Educadora” se colocado em prática.


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