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Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Projeto – organizar a administração de uma ideia

Um dos sustentáculos para evitar erros maiores e o fracasso é realizar um projeto.

Postado em 21 de Fevereiro de 2014 - Jorge Ostemberg

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Um dos sustentáculos para evitar erros maiores e o fracasso é realizar um projeto. O significado de projeto, em empreendimento, é o esboço do que é pretendido. Mas esse esboço deve ser organizado, com o pensamento em uma realidade, sendo simples e pequeno ou grande e complexo, o seu negócio parte de um princípio, que toda realização econômica é basicamente administrativa; você vai, mesmo que seja o único operador, realizar administração (Drucker).

O que é administração? Tendo usado o Houaiss para cumprir o básico conceitual, o façamos novamente, em que aponta tratar-se de gestão, governo, direção de algo. Ou seja, faz parte no projeto, de se pensar qual será a direção do negócio e como se dirigirá este. Muito genérico; vejamos, então, Chiavenato. Este conceituado autor dá administração como uma poderosa influência no mundo moderno, que compreende uma ciência de observação sobre as organizações, quanto à natureza e funcionamento; esta “gera teorias e hipóteses que permitem abordagens prescritivas e normativas, vinculadas às técnicas operacionais, para que se chegue aos objetivos visados”.

Para simplificar, o estudioso afirma administração como uma realização em que se respeitam os conhecimentos práticos, que surgem através de indicações escritas ou pela representação de pessoal técnico, e os resultados de estudos aplicados sobre objetos e dinâmicas empresariais do ramo privado ou público. Aqui nos interessando, para o empreendedorismo, mais a aplicação presente no setor privado.

Com o princípio de que o empreendimento é uma realização administrativa, fica mais fácil montar um projeto adequado ao objetivo de empreender uma realização de mercado.

É preciso pensar que empreendimento é um ato administrativo, para que o indivíduo que vai vender pipocas, montar uma grande prestadora de serviço ou fornecedora complexa, ou qualquer outro negócio, reflita sobre os passos obrigatórios; como marketing (basicamente – mix 4 ps, nascido com Jeromy MacCarthy evoluído com Philip Kotler- verificando ponto adequado, que tipo de produto; que preço aplicará e que estratégia promocional para chamar a atenção), pessoal, equipamentos (logística), matéria prima e outros aspectos genericamente essenciais.

Com esse princípio, de que o empreendimento é uma realização administrativa; fica mais fácil montar um projeto adequado ao objetivo de empreender uma realização de mercado.

Quanto a isso Chiavenato (História da Administração – Saraiva) arremata: “A administração sempre foi a maneira como as organizações em geral e as empresas em particular foram articuladas e integradas a fim de alcançar objetivos predeterminados. Em geral, tais objetivos sempre estão do lado de fora da organização, isto é, na sociedade, no mercado ou no cliente. Esta é a principal razão de qualquer empreendimento humano: satisfazer as necessidades da sociedade, do mercado ou do consumidor”.

O que diferencia uma ideia de um projeto? Entende-se que o último seja um intermédio entre a ideia e a realização desta, em que os apontamentos mais precisos, elaborados a partir de dados reais, de fatos já testados e existentes, acabam fundindo abstrato com o concreto, considerando que algo já comprovado, factível, pode ser tratado como realidade, em que se devem ser pesados aspectos de atualização que podem alterar resultados.

Armando Terribili Filho, em “Gerenciamento de projetos em 7 passos” define: “projeto é qualquer esforço (empreendimento) temporário (com início e fim planejados) que gera um ou vários “entregáveis” singulares, envolvendo orçamento, relativo a recursos humanos, materiais e logísticos.

Desta forma, escolhendo o exemplo de menor tamanho, um indivíduo que empreenderá vendendo pipocas, inicialmente sozinho, mesmo que planeje expandir; considerando que é um produto já da cultura de mercado; mesmo que de maneira simples nos apontamentos, os fará, considerando dimensões e valores do veículo utilizado, geralmente um “carrinho” metálico, que obedecerá a determinados padrões, mas demandará custo imprevisível afinal, que pede um projeto. A escolha do ponto implicará também em custos, considerando que ele precisará de alimentar-se, e esses custos serão mentalmente ou apontados, refletidos. Terá que projetar como fará o deslocamento e que custo poderá gerar. Se ele próprio venderá, é uma situação, mas poderá contratar ou associar-se a alguém; mais provável contratar para dias que não pode cumprir ele próprio a venda em seu empreendimento; e se expandir, já terá que pensar quanto a recursos humanos, o que pode ou não.

O exemplo citado, embora seja tradicionalmente um evento de mercado informal, aqui foi utilizado como uma hipótese de empreendimento com um molde formal, servindo mais para ilustrar a utilidade do projeto na realização de um empreendimento.

Existem projetos de grande complexidade, como um empreendimento de usina de cana-de-açúcar, que demandará grande e complexa organização de dados e envolvimento de profissionais com domínios específicos de engenharia, arquitetura, direito, contabilidade e outros. Mas em que pese a árdua tarefa de coletar, organizar e planificar os dados, corrigindo várias vezes estes, quando confrontados em comparações ou testes prévios, caberá um receituário geral que serve do pipoqueiro ao usineiro empreendedor, que servirá à construção de um projeto: os velhos e bons quês, porquês, como e quando: Qual o negócio visado? Que serviços e produtos serão oferecidos? Como pretende realizar seu empreendimento? Quando serão as etapas e como funcionarão.

Projeto vem de projeção, que equivale à construção imaginativa, notando-se que a imaginação é o princípio condutor às realizações, mesmo as maiores.

Estes raciocínios podem tomar de empréstimo do método de pesquisa científica padrão, quando se pode realizar um esforço maior de organização de dados, e como recomenda Iacocca (grande diretor da Ford e Crysler), o escrito deve ser elaborado inclusive para quebrar ilusões próprias; ocorrendo, em princípio, com o próprio criador do empreendimento, através do projeto, em que constará: O universo e produto ou serviço (tema); a força do produto no mercado (justificativa); o que fará especificamente (objetivo geral); que metas são necessárias serem cumpridas para que se realize o empreendimento (objetivos específicos); e de que maneira tais metas serão cumpridas, que caminho será seguido (metodologia).

Geralmente o projeto ajuda a abreviar o caminho para correções, trazendo economia de tempo e investimentos. O que significa que sendo um pequeno empreendimento, na maioria das vezes ocorrem alguns apontamentos ou nem isso, e as correções vão sendo realizadas durante execução do empreendedor. Mas isso certamente é válido mais para um empreendimento bem pequeno, e ainda assim, é possível inferir que é muito melhor a realização com uma prévia organização de dados e hipóteses de encaminhamento. Pois as hipóteses podem trazer questionamentos e soluções prévias, gerando mais segurança da realização, e geralmente promovendo economia de tempo e recursos.

Projeto vem de projeção, que equivale à construção imaginativa, notando-se que a imaginação é o princípio condutor às realizações, mesmo as maiores; assim é que muitos não economizam em dizer que autores de alta imaginação como Júlio Verne, “projetaram” a realização de inúmeros objetos científicos; como a observação imaginativa em insetos e animais trouxeram a realização de empreendimentos distintos, exemplo: lutas marciais com movimentos baseados no gafanhoto e o voo de helicópteros baseados na libélula. Mas dos antigos é Da Vinci aquele que deu grandes provas de que um projeto facilita a factibilidade; a National Geografic mostrou que várias de suas ideias, como a do paraquedas, são um empreendimento viável porque se preocupou em formalizar a ideia, projetar no papel aquilo que imaginava como realizável.

Enfim, pode-se e deve-se respeitar a precedência da imaginação como projeto de realidade; mas sem a organização e planificação de dados, empreendimentos mais competitivos podem fracassar, mesmo com toda imaginação possível; e como já se viu, o fracasso deverá requerer novo emprego de forças econômicas. Melhor então é pensar na importância dos projetos e como fazê-los, em que já indicamos um dos muitos autores que tratam este aspecto; Armando Terribili Filho, com o já citado “Gerenciamento de projetos em 7 passos”.


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