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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Produtividade

Uma questão de qualidade e estado de espírito.

Postado em 12 de Junho de 2015 - Jorge Ostemberg

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A produção se trata do aumento de utilidade de bens e/ou serviços, considerando como fatores de produção, a natureza, o trabalho, o trabalho e o capital, além de tecnologia; com tal consideração, é essencial empreender com inovação e aplicação de marketing, sempre. É o que se pode considerar juntando a afirmação de vários economistas e de Peter Drucker, o grande teórico da administração.

Drucker expressa que a principal função empresarial é a produtividade, o norte de uma empresa é justamente sua busca de produção. Empreender é produzir, e os resultados de produção estão ligados à qualidade, certamente.

Mas, como o mesmo Drucker observa, não nada fácil saber tudo da produtividade, até mesmo a medir não é nada simples; porém, pode-se dizer que ela “significa aquele equilíbrio entre todos os fatores de produção que implicará no maior output, com o menor esforço possível. Isto é bem diferente da produtividade por trabalhador ou por hora de trabalho; na melhor das hipóteses está vagamente refletida nestes padrões tradicionais”.

Rebate-se, muitas vezes, o que é surpreendente, considerando a modernidade de pensamento universal, o equívoco de se atrelar produção à força muscular. Na verdade, na era moderna justamente afasta-se de tal noção, para se afirmar que a produtividade é na verdade o resultado de planejamento mais o mais amplo emprego possível de capital tecnológico, substituindo a energia manual, do homem. Trocando-se por palavras simples e diretas, é substituir músculos por cérebro, na verdade.

Há uma maneira bastante equivocada de se pensar a produtividade como algo industrial, observando-se, como nota Peter Drucker, que as maiores oportunidades de se aumentar a produtividade estejam em distribuição e utilização de meios de propaganda, para se atingir maiores públicos. Sempre se lembrando que o conceito de produzir deve levar em consideração todo o conjunto de esforços administrativos, para expressar os resultados esperados ou mais que eles.

A produtividade é afetada por vários fatores que devem ser pensados, o primeiro deles é o tempo, que influi em todos os outros; e é preciso notar que existem limites naturais. A proposta de três turnos muitas vezes é uma tentativa inútil de melhorar produção; pois os equipamentos são suscetíveis à quebras, assim como administrar a mudança de equipes pode se revelar um esforço não compensador. O que pode melhor a produção, às vezes, é usar todo o conjunto produtivo para variação de produtos ou serviços, mas, mesmo essa estratégia pode não ser tão feliz na melhora produtiva, pois pode implicar também em perda de qualidade.

O que deve estar sempre claro é o que fazer, mais do que se tentar novas formas de realização. Drucker chama isso de “desperdiçar o recurso mais escasso da firma”, pois o marketing, é sobretudo o maior norteador na produção; e ele sempre terá claramente definido o que fazer, se é entendido em sua importância. Definindo os objetivos, se poderá posteriormente ter as análises necessárias para não confundir criatividade com produção; às vezes, e muitas delas, pode se ser criativa sendo parasitário; criando na verdade desvio de forças vitais da produção. Inovações devem estar harmonicamente conectadas ao que o marketing determina como objetivos; esse equilíbrio, inovação e marketing será o aspecto decisivo em empreendimentos e empresas, é o que afirma Drucker.

Alguns autores (como Tupy e Yamaguchi, em um trabalho sobre qualidade e produção agrícola) observam que a eficiência tem relação direta com a produtividade, mirando-se um, atinge-se o outro. E a qualidade surge, intermediária à busca de eficiência e resultados de produção, notando-se que a disciplina, ou se quiser usar um termo mais abrangente, a educação empresarial é imprescindível nessas buscas (Beaverbrook).

Enfim, embora o termo produtividade tenha sua menção mais forte a partir dos anos que sucederam imediatamente a Segunda Grande Guerra Mundial, governa ainda, em todos os campos empreendedores, o ponto de partida na construção e execução de objetivos empreendedores. Mesmo que tenha evoluído, expandido e se dividido em vários pontos específicos, tem que ser a primeira coisa a se pensar, tão logo alguém pense em empreender: “como farei ou faremos, para produzir com qualidade?”


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