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Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

O negócio da China

Hoje, é um negócio da China?

Postado em 22 de Maio de 2015 - Jorge Ostemberg

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“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras” (Heráclito)

Talvez não! Pois a China é um país bem outro da época da visita de Marco Polo, visita bastante controversa na época, em que não creram como gostaria o famoso veneziano, em todos os seus relatos. Ou talvez, sim! Talvez seja bem mais um “negócio da China” hoje, que naqueles tempos de Marco Polo, considerando as dimensões comerciais que assume, com previsões bastante objetivas sobre supremacia econômica, “derrubando” o gigantesco EUA do pódio comercial internacional, façanha que a União Europeia jamais conseguiu, mesmo com a recente união econômica, justamente com tal proposta às vezes velada às vezes às claras.

Lembremos que não é acaso o poder chinês de produção, notando que antecede produzir, o inventar. Simplesmente são atribuídas ao chineses invenções como papel, pólvora, sorvete, macarrão, tipos móveis (para impressão), papel moeda, garfo; enfim, a lista é muito grande, e inclui, aliás, “invenções reinventadas”, como a bússola e outras.

A literatura concede inúmeras honrarias aos mistérios da antiga China; este país de dimensões continentais e com história tão rica que ainda há aspectos a serem explorados primordialmente. Bastante recentemente se divulgou inclusive (Super Interessante) que os chineses podem ter chegado no Brasil bem antes de Pedro Álvares Cabral ou outros, e que podem ter na verdade “descoberto a América”; é o que diz em “Aventuras na História” (http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/chineses-descobriram-america-433767.shtml) o jornalista Carlos Aranha, observando que o inglês Gavin Menzies chocou o mundo ao afirmar a vinda de 300 navios, liderados por certo Zheng He a uma América que muito tempo depois é que seria pisada por espanhóis, portugueses e outros europeus.

Mas é impossível falar da China, de “negócios da China”, sem falar do italiano Marco Polo; assim como são inúmeras as descrições que despertam “é/não é” de infinita gama sobre a China, também sobre Marco Polo são variadas as teorias. Mas, de maneira geral, se afirma que, de fato, ele esteve naquele país e, apesar das inúmeras contestações, antigas e mais modernas, ao surgirem informações chinesas sobre descrições de Marco Polo, certas confirmações surgiram, com força, sobre o veneziano ter falado muitas verdades. Então muitos de seus relatos poderiam, se levados mais a sério, ter mudado a história geral e comercial bem mais cedo.

E hoje? Há negócios da China? Negócios, empreendimentos, que podem ser realmente de larga vantagem para o outro lado?

Afirma-se, de maneira geral, que a China, de fato, passa atualmente por uma grande transformação econômica e social, com abertura de sua economia ao capital estrangeiro. Isto ocasionou uma explosão industrial sem precedentes, em que aos poucos realmente a China vai dominando o mercado mundial, produzindo em larga escala: tecidos, vestuário, calçados, brinquedos, eletrônicos, ferramentas em geral e vários outros itens.

Todos os países do mundo visam muito mais vender para a China, estabelecer uma linha comercial com este país em que possam entrar no mercado consumidor deste país. E o interesse Brasileiro não é recente, nesse sentido, como alguns aparelhos de mídia parecem querer demonstrar. Já no fim do período militar de governo, o General Figueiredo visitou a China, e de lá para cá, de Sarney aos presidentes mais atuais, vários chefes de Estado de nosso país e comitivas o fizeram. E a atualidade tem trazido boas notícias sobre o amadurecimento deste relacionamento; é o que disse o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao Estado de São Paulo, na coluna Espaço Aberto em junho de 2004. E vários diplomatas chineses, inclusive ex-presidentes e políticos atuais daquele país afirmam essa positiva bilateralidade comercial, como Hu Jintao, ex-presidente ainda muito influente, que afirma no Brasil o primeiro parceiro comercial da China na América Latina, observando-se que a China tornava-se o terceiro maior destino das exportações brasileiras no mundo já à época de Lula, descrição de Eduardo V. M. Villela, em um artigo sobre relações comerciais dos dois países.

Obviamente, na velha máxima sobre a complicação de lidar com dois grandes senhores quando os interesses são os mesmos, os negócios com a China, que evoluíram bastante, acabam por reduzir influência estadunidense, como se vê em manchetes, como da BBC “Os acordos fechados durante a visita do premiê chinês, Li Kequiang, à América Latina nesta semana elevam a um novo patamar a presença da China na região e reduzem o poder dos Estados Unidos para influenciar políticas em países latino-americanos, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Sob a manchete, encontramos a afirmação do Governo Brasileiro sobre a ordem de acertos na casa de R$ 160 bilhões (negócio da China, não?). Mas a China inclui não somente o Brasil, em seus oito dias de visita comercial, o representante chinês fechou também negócios na Colômbia, Peru e Chile. A estrela da negociação é uma badalada obra futura, uma ferrovia ligando o Centro-Oeste Brasileiro ao Pacífico, com travessia pelo Peru, o que facilitará a venda de produtos brasileiros, que hoje somente é realizada por portos no Atlântico, que enfrenta diversos grandes obstáculos, como resistência de ambientalistas e grupos indígenas, pois se cruza um longo trecho dentro da Floresta Amazônica (mesma fonte).

Será que não é hora de empreendedores já começarem a afiar as ideias, projetos, enfim; novos princípios de empreendimentos, para uma nova realidade. Não viria aí, de fato, uma nova era de “Negócios da China”? Observando-se que essa expressão entre aspas carrega ainda grande positividade.  


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