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Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

Entrando no Clima

A poucos dias de sediar a mais nova edição do festival Eurovisão, Viena substitui semáforos da cidade por desenhos em alusão à diversidade sexual.

Postado em 15 de Maio de 2015 - Guilherme Cavalcante

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A ordem em Viena, capital da Áustria, é espalhar o clima de tolerância e respeito à diversidade sexual. Tanto é que vários semáforos da cidade foram substituídos por novos, que trazem os tradicionais bonequinhos num formato mais acolhedor a gays e lésbicas.

A estratégia faz parte da preparação para a mais nova edição do festival Eurovisão, um dos eventos musicais mais tradicionais da Europa, que ano passado teve como vencedora a austríaca Conchita Wurst, uma travesti barbada com vozeirão potente. A participação de Conchita chamou atenção não só pela voz marcante, mas também barba cerrada da cantora e porque muitos austríacos se inconformaram com a escolha da artista como representante daquele país.

Com a péssima repercussão internacional, a campanha vem reverter o quadro e mostrar que as portas do país, sobretudo de Viena, estão de portas abertas tanto para os turistas LGBT como para os residentes na cidade. E ao mesmo tempo que os novos semáforos chamam atenção, o departamento de trânsito da cidade também espera que os condutores de veículos se mantenham mais atentos à sinalização, de forma que resulte na segurança no trânsito.

Vale lembrar que o Eurovisão, que já chega a sua 60ª edição, foi o festival que lançou bandas como Abba e Celine Dion, ambas ícones da cultura gay. Não só por isso, mas o evento faz parte de uma espécie de calendário gay internacional. Aproximadamente 40 países participam da edição deste ano, com final marcada já para o próximo dia 23.

Como sempre, dá para assistir às apresentações pela Internet. Ano passado, o iTunes disponibilizou de graça vídeos com todas as apresentações em excelente qualidade. Para ouvir as músicas dos participantes do ano passado, basta baixar gratuitamente o Spotify no smartphone ou no computador e clicar AQUI.

Vai para sanção

A Câmara de Vereadores de Campo Grande aprovou, na última semana, o Projeto de Lei que faz do dia 17 de maio o Dia Municipal de Combate à Homofobia, um projeto proposto pelos vereadores Eduardo Romero (PTdoB), Carla Stephanini (PMDB) e Paulo Pedra (PDT). É uma verdadeira vitória para a cidade ter em seu calendário oficial uma data tão simbólica que celebra uma grande conquista histórica dos homossexuais.

Sim, antes que se toque no assunto TTs, a data que alude somente ao combate da homofobia (e não da transfobia e bifobia) se explica porque em 17 de maio de 1990 a homossexualidade foi retirada do Cadastro Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde então, o sufixo “ismo” da palavra, que é utilizado para caracterizar doenças, foi substituído pelo “dade”, uma vez que a comunidade médica despatologizou esta variação natural da orientação sexual de seres humanos.

Vale lembrar que TTs também lutam pela despatologização do que a medicina chama de transtorno de identidade de sexual de gênero e de travestismo, entendidos por outras áreas de estudo como construções sociais, e portanto, não consistindo em doenças. Logo, penso que o empoderamento do 17 de maio tem força política para nos reunir em torno desta conquista para travestis, transexuais e transgêneros.

Numa Câmara historicamente conservadora como a de Campo Grande, é interessante que a proposta tenha sido aprovada por unanimidade, 22 votos favoráveis. Há muitas variáveis políticas neste evento, que podem explicar o andar das coisas do jeito que foram. Uma delas é o desfalque (digamos assim) de fundamentalistas pelo qual a Casa de Leis tem passado. Outra é que isso pode ser uma provocação à administração do município, chefiada por um prefeito que é pastor e que tem a incumbência de aprovar ou não o projeto. O que vai surgir a partir daí são cenas do próximo capítulo, mas que vão indicar se o segundo semestre será ou não um bom período para aprovação de leis municipais progressistas.


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