Semana On

Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Poder

Ciro oscila de 7% a 5% enquanto Lula reduz adversários de olho no 1º turno

Acende a luz amarela no QG do ex-presidente: bolsonaristas saem do armário

Postado em 05 de Agosto de 2022 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL), Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

Ricardo Stuckert / Agência Brasil Ricardo Stuckert / Agência Brasil

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O ex-governador Ciro Gomes (PDT) oscilou de 7%, em junho, para 6%, em julho, e 5%, em agosto, de acordo com o novo levantamento da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta (3). Como a margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos, o quadro demonstra estabilidade.

Enquanto isso, Lula (PT) oscilou de 46% para 45%, daí, 44%, e Jair Bolsonaro (PL), passou de 30%, para 31% e, agora, 32%.

"É curioso que Ciro tenha pontuado um ponto a menos em cada uma das três últimas rodadas. Tecnicamente, é impossível dizer que se trata de tendência ou acaso estatístico, mas se ele aparecer com 4% no próximo levantamento, terá perdido metade da intenção de voto mensurada em voto estimulado", avalia Felipe Nunes, diretor da Quaest, à coluna.

"Isso é o contrário do que a campanha dele gostaria neste momento", afirma.

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são disponibilizados ao entrevistado, o ex-governador passou de 1% em março para 2% em abril e maio, indo novamente a 1% em junho, julho e agosto. Lula oscilou de 32% para 33%, desde junho, e Bolsonaro, subiu de 20% a 26%.

A campanha do petista aposta no voto útil do eleitorado de Ciro Gomes contra Jair Bolsonaro na reta final do primeiro turno. Ou seja, que parte dos votos do ex-governador migrariam para Lula. A guerra por esse "voto útil" tem incendiado as militâncias cirista e petista nas redes sociais.

A campanha do ex-presidente tem atuado para reduzir o número de candidatos no páreo presidencial a fim de tentar liquidar a fatura ainda no 1º turno. No último dia 3, conseguiu o apoio do Pros, que lançaria Pablo Marçal (com 1% na pesquisa) - o caso deve ser judicializado. E, nesta quinta (4), pode declarar o apoio do deputado federal André Janones (Avante) - que conta com 2% e 8 milhões de seguidores no Facebook.

Nas últimas semanas, articulou pela saída do deputado Luciano Bivar (que não pontuou), presidente do União Brasil - o partido deve indicar outro nome para concorrer, sendo o mais provável o da senadora Soraya Thronicke.

E apoiou a ala do MDB, principalmente a do Nordeste, que defende o apoio a Lula ainda no primeiro turno em detrimento à candidatura da senadora Simone Tebet - que deve concorrer tendo a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) como vice. Tebet tem 2%.

É cada vez menor a chance de Lula derrotar Bolsonaro no primeiro turno

A pesquisa apresenta um quadro de estabilidade. A maioria das variações ocorreu dentro da margem de erro de dois pontos. Mas convém qualificar a estabilidade. A vantagem de Lula decresce em conta-gotas, na proporção direta da lenta e gradual ascensão de Bolsonaro. O favoritismo do presidenciável do PT ainda é eloquente. Mas a perspectiva de uma vitória no primeiro turno sobre o capitão vai virando fumaça.

Lula, com 44% das intenções de voto, escorregou um ponto para baixo. Bolsonaro, com 32%, oscilou um ponto para cima. A diferença entre os dois caiu de 14 pontos no mês passado para 12. Essa distância era de 17 pontos em maio. Em junho, 16. Num cenário de segundo turno, Lula desce dois degraus, oscilando negativamente de 53% para 51%. Bolsonaro cresce acima da margem de erro, que é de dois pontos. Foi de 34% para 37%.

A essa altura, a principal novidade que se esconde atrás da estabilidade das sondagens eleitorais é a capacidade de resistência de Bolsonaro. Tomadas individualmente, as oscilações percentuais de cada pesquisa são, por assim dizer, estatisticamente negligenciáveis. Consideradas em conjunto, as sondagens vão desenhando uma tendência que empurra a disputa para o segundo round.

Bolsonaro resiste às intempéries da conjuntura —das mortes na Amazônia ao escândalo no MEC, dos desvios do orçamento secreto à execução do tesoureiro petista em Foz do Iguaçu por um devoto do bolsonarismo. O capitão sobrevive até às crises que ele mesmo produz ao desqualificar as urnas e atacar magistrados.

Para completar, o governo começa a despejar nos próximos dias no bolso dos brasileiros em apuros os mais de R$ 40 bilhões proporcionados pelo aumento do Auxílio Brasil e do vale-gás, além do socorro a caminhoneiros e taxistas. É improvável que as benesses resultem numa explosão de votos para Bolsonaro. Mas a lógica indica que o conta-gotas das pesquisas pode continuar favorecendo o presidente.

O que vem por aí é um segundo turno sangrento e lamacento. Confirmando-se a tendência favorável a Lula, a vitória do petista tende a ser menos consagradora do que o petismo gostaria. Isso leva água para o moinho do Apocalipse que Bolsonaro prepara para o final do ano. E estimula nos membros do centrão a confiança de que, seja qual for o resultado, o grupo não perde por esperar. Ganha. Quanto menor for o triunfo do eleito, maiores serão as perspectivas de negócio da turma que percorre os corredores do Congresso com código de barras na lapela.

Acende a luz amarela no QG de Lula: bolsonaristas saem do armário

Em janeiro último, 45% dos eleitores brasileiros aprovavam o governo Bolsonaro. Agora, 57%. Bolsonaro começa a recuperar parte dos que votaram nele há 4 anos. Lula ainda tem chances de se eleger no primeiro turno, mas menos do que tinha há um mês.

Os dados são da mais recente pesquisa do Instituto Quaest que ouviu 2.000 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 28 e 31 de julho, em entrevistas nas casas dos eleitores em 27 estados. É a 14ª rodada de pesquisas da Quaest desde julho de 2021.

Bolsonaro não precisa de programa de governo, coisa que por sinal ele nunca teve, porque é dono da caneta mais carregada de tinta da República e a usa sem o menor escrúpulo para ser reeleito. Lula precisa dizer com urgência ao distinto público o que fará se vencer.

Na série “Santa Evita”, disponível no Star+, à beira da morte, Eva Peron pede ao seu marido Juan que continue fazendo tudo o que possa pelos pobres porque eles são os eleitores mais fiéis. Podem ser fiéis, sim, na Argentina ou aqui, mas são também pragmáticos.

O pacote de bondades desembrulhado pelo governo beneficiará 19 milhões de famílias, algo como 66 milhões de pessoas, nem todos eleitores. Neste universo, a intenção de voto em Lula caiu de 62% para 52%. E o dinheiro só começará a ser pago no dia 9.

A avaliação negativa do governo recuou ao menor nível desde 2021. A percepção de que a economia é o principal problema diminuiu de 44% para 40%. Entre os que ganham até dois salários mínimos, Lula perdeu 3 pontos e Bolsonaro subiu 3 em um mês.

Entre os jovens, onde imperava soberano, Lula despencou de 53% para 44%, mesmo depois do anúncio do apoio da cantora Anitta, recordista mundial de seguidores nas redes sociais. Em sentido contrário, Bolsonaro avançou seis posições (de 25% a 31%).

Entre os mais ricos, a vantagem de Bolsonaro sobre Lula passou de 4% para 13%. Hoje, a diferença pró-Bolsonaro no meio evangélico chega a 19%. Era de 14%. Neste fim de semana, Bolsonaro irá ao Recife para mais uma Marcha com Jesus levando Michelle.

“O segundo turno, que é o que está em discussão no momento, só vai acontecer se o Bolsonaro tirar votos do Lula”, observa Felipe Nunes, diretor da Quaest. “O voto é um recurso escasso, e todo mundo está muito próximo do teto. Eles têm que brigar entre si”.

Segundo Nunes, a queda da rejeição demora para refletir nas intenções de voto: “As pessoas estão muito desconfiadas com o governo e as declarações do presidente também não ajudam para que essa movimentação aconteça nas intenções de voto”.

Não há espaço para candidato de terceira via. Nas últimas três rodadas da pesquisa, Ciro Gomes (PDT) perdeu um ponto. Se na próxima cair mais um ponto, terá perdido metade da intenção em voto estimulado. Lula é quem tem atraído esses votos.

O antibolsonarismo segue maior do que o antipetismo. “Do que você tem mais medo?”, perguntou a Quaest. Respostas dos entrevistados: do bolsonarismo (48%), do petismo (38%).


Voltar


Comente sobre essa publicação...