Semana On

Segunda-Feira 08.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

Bolsonarismo rompe qualquer fio de afeto que há entre as pessoas

Comparar Bolsonaro à Lula é falsidade de equivalência e desonestidade intelectual

Postado em 21 de Julho de 2022 - Rafael Paredes

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Cada vez mais a classe política, parte do sistema financeiro e artistas estão assumindo o voto no ex-presidente Lula por admitirem que a equivalência entre o petista e o presidente Bolsonaro é falsa. Esta coluna já havia previsto, no dia 19 de maio, a tendência de Lula de virar hit. Nesta semana, foi a vez da cantora Vanessa da Mata mudar o voto em pleno show, de Ciro para Lula, compreendendo a urgência de acabar com a eleição presidencial no primeiro turno.

Porém, esse movimento ainda não é capaz de assegurar nada. Um postulante que já ocupa determinado cargo tem muito potencial competitivo, por pior que seja. E este é o caso. Bolsonaro vem crescendo nas pesquisa justamente no eleitorado que está se beneficiando com a PEC que o autorizou a aumentar o valor do Auxílio Emergencial e a pagar vouchers para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativos.

Nas últimas pesquisas, Lula aparece estagnado e Bolsonaro avançando surpreendentemente. Porém, este texto em particular não vem tratar da classe política, dos artistas, do sistema financeiro ou de beneficiários de programas de transferências renda, mas sim da sua relação com seu vizinho, com sua tia, com o seu irmão.

Qualquer militante petista pode ter uma relação ruim com um militante bolsonarista, mas, por ora, nenhum saiu de casa com bombas de fezes a serem estouradas no meio de opositores como aconteceu em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Também não se tem notícias de um petista que tenha matado um aniversariante por fazer uma festa com o tema Bolsonaro, como aconteceu inversamente em Foz do Iguaçu (PR). Por mais intransigente que um petista possa ser, ele ainda conserva a compreensão da existência da dignidade humana e não é incentivado a aniquilar os adversários em uma luta do bem contra o mal.

O Bolsonarismo é diferente. Ele tem traços fascistóides ao identificar no oponente a personificação do mal. Lula e o PT disputam eleições há décadas, perderam algumas, ganharam outras, mas nunca caracterizaram os adversários como alvos. Hoje, dois antagonistas do passado, Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin, estão em uma chapa para disputar as eleições juntos.

Os ideias que unem os bolsonaristas rompem um importante canal de comunicação com aqueles que pensam diferente. O bolsonarismo mastiga o afeto, veia condutora de várias mensagens, inclusive o diálogo. Quando esse canal de comunicação é rompido, não há mais confiança, carinho, amor, não há mais nada, apenas a ameaça do perigo.

No petismo há muitos radicalismos, cegueiras, atrasos e mistificações, mas não há a ideologia do rompimento e da aniquilação. O futuro aponta para um longo processo de reconciliação e o bolsonarismo não é capaz disso.


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