Semana On

Segunda-Feira 08.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

O Futuro é agora

Convocação para o presente, suspendendo qualquer promessa de futuro, é a mensagem dos líderes indígenas Ailton Krenak e Davi Kopenawa

Postado em 07 de Julho de 2022 - Ricardo Moebus

Foto: Christian Braga/ISA Foto: Christian Braga/ISA

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Neste final de junho, Ailton Krenak e Davi Kopenawa abriram as comemorações dos 95 anos da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, com um ciclo de conferências.

Em mais um encontro marcante destas duas lideranças icônicas do movimento indígena brasileiro, em uma celebração da abertura da universidade brasileira para os saberes ancestrais dos povos originários brasileiros, ambos ressaltaram a necessidade de uma ação decisiva e imediata de todos na mudança agora da participação de cada um para o nosso “belo quadro social”, como dizia Raul Seixas.

A partir de uma provocação seminal feita aos dois: “Futuro, essa palavra” , ambos falaram, se posicionaram e convocaram para o presente, para o agora, para a mudança aqui e agora, para a demarcação já, para a reconstrução já, das condições de respeitabilidade e convivência mútua de todos os seres viventes e não viventes.

Trazendo situações reais e concretas de seus territórios indígenas, Krenak e Yanomami, intensamente atacados pelas muitas formas de mineração e outros esbulhos, sejam industrial por grandes empresas, como a destruição do Rio doce pela Vale-  Samarco - BHP Billinton, seja pelo garimpo ilegal movido e financiado pelo crime organizado invadindo sistematicamente o território Yanomami.

A presença de ambos moveu e comoveu centenas neste encontro memorável, mas de fato lançaram palavras, flechas verbais convocando a atitude real e ativa de todos e cada um para uma retomada em escala nacional de uma reconstrução dos direitos e garantias sociais, que ora jazem em palavra morta.

Demarcação já, Reconstrução já, Democracia já, Direitos civis e sociais já, Estado Democrático de Direito já, a mensagem das lideranças indígenas é que o futuro já chegou, já estamos no futuro, não há mais nada o que esperar, a nossa participação, a nossa atuação, o nosso engajamento na defesa das condições que possam sustentar a sociobiodiversidade no Brasil e no mundo precisam se realizar no aqui e agora.


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