Semana On

Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Poder

Para 40%, Bolsonaro incentiva crimes na Amazônia

Homicídios crescem na região, na contramão do país

Postado em 06 de Julho de 2022 - DW - Edição Semana On

Divulgação: Exército Brasileiro Divulgação: Exército Brasileiro

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Cerca de 40 % dos brasileiros acreditam que o presidente Jair Bolsonaro mais incentiva do que combate os crimes que são cometidos na Amazônia, revelou uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último dia 25. O levantamento questionou os entrevistados se a política do atual governo era mais voltada a combater ou a estimular invasões de terras indígenas, desmatamento, atuação de garimpeiros e a pesca e caça ilegais.

Divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, a pesquisa mostrou que 43% dos brasileiros afirmam que o governo Bolsonaro mais estimula o desmatamento na região e a ação de caçadores e pescadores ilegais. Já 35% dos entrevistados acreditam que o presidente mais combate a devastação da floresta, e 31% disseram o mesmo em relação a caça e pesca ilegais. Cerca de 8% acreditam que o governo não faz nem e nem outro.

Com relação ao garimpo ilegal na Amazônia, 40% dos brasileiros acham que o atual governo mais estimula essa atividade; e 33% acreditam que ele mais combate do que incentiva. Outros 26% acreditam que a atuação do governo é indiferente ou não souberam opinar.

Já 39% dos entrevistados acreditam que Bolsonaro estimula a invasão de terras indígenas; e 35% disseram que ele combate esse crime. A parcela dos que são neutros ou não souberam opinar ficou em 26%.

Caso Bruno e Dom

O Datafolha também questionou os entrevistados sobre o desaparecimento e assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira e atuação do governo Bolsonaro no caso.

Dom Phillips e Bruno Pereira foram vistos pela última vez em 5 de junho, enquanto viajavam pelo Vale do Javari, uma região remota do estado do Amazonas palco de conflitos entre indígenas e invasores de terras. Dias depois, um dos suspeitos detido confessou ter matado os dois e indicou o local dos corpos.

Três pessoas foram pessoas já foram presas pelo crime. A polícia investiga os motivos dos assassinatos, apura se há alguma relação com a pesca ilegal na região e busca identificar mandantes.

Para 49% dos brasileiros, o governo fez menos do que poderia para investigar as mortes. Outros 27% disseram que foi feito tudo para o esclarecimento do caso. A pesquisa mostrou ainda que 6% acreditam que o governo fez o que poderia, e 18% não souberam opinar.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal e pela Polícia Civil do Amazonas. Após o desaparecimento, as primeiras buscas foram feitas por indígenas, somente quando o caso ganhou repercussão, inclusive internacional, o governo enviou militares e mais policiais para a região.

Segundo o levantamento, quase metade dos brasileiros, 47%, afirmou que as mortes de Dom e Bruno irá prejudicar muito a imagem do Brasil no exterior. Outros 26% avaliam que prejudicará um pouco. Para 17%, o caso não afeta a imagem do país, e 10% não souberam opinar.

O instituto Datafolha ouviu 2.556 pessoas com mais de 16 anos em 181 cidades do país entre os dias 22 e 23 de junho. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Homicídios crescem na Amazônia, na contramão do país

O 16º anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicação que reúne dados de instituições de segurança de diferentes partes do Brasil, revelou uma queda de 6% nas mortes violentas no Brasil em 2021. No entanto, a região Norte o número de assassinatos aumentou no ano passado.

Segundo o documento, divulgado no último dia 28, o número de homicídios em todo o Brasil manteve a tendência de queda observada desde 2018. No ano passado, foram registradas 47.503 vítimas e 22,3 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, o menor índice desde 2011.

As mortes violentas intencionais (MVI) incluem casos de latrocínio, homicídio doloso, mortes por intervenção policial e lesão corporal seguida de morte. Entre as vítimas, 91% são do sexo masculino, 78% são afrodescendentes e 51% são jovens.

Na região Norte, o aumento nas mortes violentas foi de 9%, com taxa de 33,3 casos para cada 100 mil habitantes – a segunda maior taxa entre todas as regiões. O índice mais elevado foi registrado na região Nordeste, com 35,5.

Entre as 30 cidades brasileiras com as maiores taxas médias de mortes violentas, entre 2019 e 2021, 13 estão na Amazônia, sendo que onze destas, nas áreas rurais. Estes municípios registraram mais de 100 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.

O crescimento da violência na Amazônia é atribuído, em grande parte, ao tráfico de drogas e à forte presença de armas, além do desmonte de mecanismos de fiscalização e proteção. Quase todos os 13 municípios estão próximos a terras indígenas e a fronteiras internacionais.

Na Amazônia Legal – que reúne os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins - e em parte do Maranhão, a taxa de mortes violentas é de 30,9, bem mais elevada do que a média brasileira.

Na avaliação por estado, a taxa mais alta foi observada no Amapá, com 53,8 por 100 mil habitantes. Entretanto, o aumento mais acentuado das mortes violentas ocorreu no Amazonas, com 1.670 homicídios em 2021, contra 1.121 em 2020, ou sejam um crescimento de 49%.

O anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), das secretarias estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social, e da Polícia Civil de Minas Gerais, além do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, do Núcleo de Apoio Técnico do Ministério Público do Acre, e do próprio Fórum.


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