Semana On

Segunda-Feira 08.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

O nosense identitário

Raphael Tsavkko Garcia fala deste tema, de autoritarismo, eSports e favelas

Postado em 01 de Julho de 2022 - Raphael Tsavkko Garcia

Pixabay Pixabay

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Uma das coisas que mais me impressiona na ~militância~ diante de tantas derrotas é a insistência na lacração. Não aprendem.

Milhões de mulheres na merda nos EUA com a revogação de Roe vs Wade e militante batendo na tecla de que as trans serão mais prejudicadas. Oi?

Já não basta a babaquice de apagar até o termo "mulher" - agora tem que chamar de "portadoras de útero" - e outras coisas totalmente nonsense, mas a galera simplesmente abandonou a noção de que se você não convence a maioria - pior, aliena, apaga - você não consegue nada.

Hoje a ideia é apagar, alienar e até atacar a maioria achando que na base da intimidação vão conseguir alguma coisa. Bem, não vão e ainda vão aguentar derrotas dolorosas. É o que estamos vendo.

Militância identitária não sabe fazer política. Gritam e esperam ser obedecidos. Gritam e esperam intimidar, submeter. O mundo não funciona assim.

Eu fiquei meio embasbacado quando vi um debate sobre como ficará a situação das mulheres (sim, mulheres) nos EUA após a revogação de Roe vs Wade e o ponto central era como trans seriam mais marginalizada(o)s. Como assim? Além de trans serem uma minoria ínfima na população, a quantidade de trans que efetivamente engravidam é ainda menor - imagina os que vão querer abortar!

Mas essa era a preocupação, não o fato de milhões e milhões de mulheres estarem em perigo. Não, não estou dizendo que trans não devem ser parte do debate ou não devem ter seus direitos garantidos, pelo contrário, os direitos das pessoas trans que engravidam e querem abortar serão garantidos com o direito das mulheres terem acesso ao aborto seguro e legal.

Essa é a luta.

AUTORITARISMO

De acordo com a ONG Artigo 19, o mundo está ficando cada vez mais autoritário - e consequentemente menos democrático.

O relatório traz números assustadores. Apenas 15% da população mundial vivem em países considerados realmente democráticos, onde a população pode receber e compartilhar informação de forma segura e livre. Voltamos aos níveis de 1989 em termos de democracia, e o Brasil é um dos países onde a circulação de informação já está sendo considerada restrita e a democracia falha.

80% da população mundial vive com menos liberdade de expressão do que uma década atrás.

Em 2011 o Brasil estava na categoria "open" junto com demais democracias saudáveis. Em 2016 caímos para "less restricted" e em 2021 novamente rebaixados para "restricted".

https://www.article19.org/gxr-22

ESPORTS E FAVELAS

Uma honra ter uma matéria entre as melhores - e um dos artigos que eu mais curti escrever, sobre eSports e favelas para a WIRED - escolhidas pela RioOnWatch.org 															</div>
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