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Quinta-Feira 30.jun.2022

Ano X - Nº 493

Viver bem

Fiocruz lança campanha contra aprovação do cigarro eletrônico

Pressionada pelo lobby do fumo, Anvisa dá mais um passo no processo de possível derrubada da proibição do dispositivo. Trata-se de um drible da indústria do tabaco para vender produtos – e reverter tendência de queda no tabagismo

Postado em 22 de Junho de 2022 - Gabriela Leite – Outra Saúde

Divulgação Ministério da Saúde Divulgação Ministério da Saúde

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O anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que começaria a receber evidências técnicas sobre o uso de cigarros eletrônicos levantou um alerta em entidades de saúde. A agência sofre forte pressão do mercado para que autorize a venda de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF) – ou vapers, e-cigarettes, pods – cuja venda, importação e propaganda são proibidas desde 2009. A indústria do tabaco alega que fazem menos mal à saúde, e que podem auxiliar aqueles que desejam abandonar o vício da nicotina. Mas há evidências científicas de que fazem tão mal quanto o cigarro de papel – e estão sendo cada vez mais utilizados por jovens.

Para fazer frente à coerção da indústria, o Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), da Fiocruz, lançou, na última segunda-feira, uma campanha que ajuda a conscientizar sobre os riscos do cigarro eletrônico. Também reúne nomes em um abaixo-assinado contra a inserção do dispositivo no mercado brasileiro. Alegam que, se for permitido, sua venda e uso se ampliarão significativamente, causando um impacto à saúde pública.

Esses DEFs atraem jovens por serem vendidos em formatos atraentes e poderem ser saborizados. É uma maneira de a indústria do tabaco driblar as campanhas antitabagistas e alcançar um público que não conseguiria com o cigarro comum. “Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicado em maio de 2021, apontou que o uso de cigarro eletrônico aumenta em mais de três vezes o risco de experimentação de cigarro convencional entre quem nunca fumou, e mais de quatro vezes o risco de uso regular do cigarro, contribuindo para a desaceleração da queda do número de fumantes no país”, explica a matéria publicada no portal da Fiocruz.

E o lobby da indústria do tabaco para a sua aprovação é pesada. Uma reportagem de O Joio e o Trigo, publicada no final de 2021, desvenda as táticas que usa para se infiltrar na Anvisa. O Brasil tem um mercado consumidor potencial muito grande, que atrai empresas como a British American Tobacco (BAT), Altria, Philip Morris entre outras. Uma das investidas registradas na reportagem da BAT, por exemplo, é a contratação de uma ex-diretora da Anvisa, Alessandra Bastos. Há também grandes investimentos em publicidade sorrateira, por meio de influenciadores digitais.


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