Semana On

Quinta-Feira 30.jun.2022

Ano X - Nº 493

Poder

Lula é preferido por mulheres enquanto homens ricos querem Bolsonaro

Presidente só lidera no Sul, entre evangélicos e quem ganha mais de cinco mínimos, aponta FSB

Postado em 03 de Junho de 2022 - Julinho Bittencourt (Fórum), Congresso em Foco. Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana On

 Imagem: José Cruz - Agência Brasil/Alan Santos- PR Imagem: José Cruz - Agência Brasil/Alan Santos- PR

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) sofre maior resistência entre o eleitorado feminino de todas as classes sociais, segundo a última pesquisa Datafolha. Homens são o grosso de sua base.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por outro lado, possui vantagem entre as mulheres independentemente de faixa social. Além disso, tem preferência mais robusta entre os mais pobres de ambos os gêneros. Homens ricos, contudo, tendem a se distanciar do petista.

Lula chega a marcar no eleitorado feminino 49%, ante 23% do atual mandatário, que se esforça para conquistar esse público.

A intenção de voto em Bolsonaro entre as mulheres, em todas as rendas, é sempre numericamente inferior à registrada entre os homens, tanto na pesquisa espontânea (quando não são apresentados nomes de candidatos aos entrevistados) quanto nas estimuladas de primeiro e segundo turno.

No cômputo geral do Datafolha, Lula é rejeitado por 33% e Bolsonaro, por 54%.

Homens que rejeitam o petista são mais frequentes à medida que o rendimento avança (23%, 44% e 56%, indo dos mais pobres para os mais ricos). Entre as mulheres, os percentuais também crescem (25%, 37% e 41%, respectivamente), mas sem alcançar o nível da rejeição masculina.

A rejeição de Bolsonaro entre as mulheres é alta em todas as classes sociais, com 60%, 56% e 56% respectivamente. Já a rejeição do público masculino decresce à medida que o entrevistado é mais rico. Despenca de 59% entre quem tem renda de até dois salários para 43% entre os de cinco salários ou mais.

Registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022, a pesquisa foi contratada pela Folha e ouviu 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181

Bolsonaro só lidera no Sul, entre evangélicos e quem ganha mais de cinco mínimos

Pesquisa BTG/FSB que mostra vantagem de 14 pontos do ex-presidente Lula sobre Jair Bolsonaro aponta poucos segmentos em que o atual presidente tem vantagem sobre o petista. De acordo com a estratificação do levantamento, Bolsonaro ainda leva a melhor sobre Lula no Sul e na população com renda mensal superior a cinco salários (ainda assim, dentro da margem de erro) e entre os evangélicos. Nos demais cenários, a vantagem é do ex-presidente. A principal performance de Lula é entre os eleitores com até um salário mínimo (65% a 17%) e de um a dois salários mínimos (54% a 25%).

No Nordeste, o petista tem 60% contra 21% do candidato à reeleição. Bolsonaro foi vitorioso em 2018 no Centro-Oeste e costuma ter boas intenções de voto na região. Na pesquisa da FSB, no entanto, Norte e Centro-Oeste são computados em conjunto, com 53% para Lula e 36% para Bolsonaro. Em todos os portes de cidade a vantagem é do ex-presidente. A menor diferença entre os dois se dá em cidades do interior pequenas e grandes, onde dez pontos percentuais os separam. No recorte das religiões, Bolsonaro ainda aparece à frente de Lula (46% a 35%).

Confira o desempenho entre os dois principais candidatos à Presidência na pesquisa do Instituto FSB:

Renda familiar

Até um salário mínimo: Lula 65% x 17% Bolsonaro
De 1 a 2 salários mínimos: Lula 54% x 25% Bolsonaro
De 2 a 5 salários mínimos: Lula 37% x 38% Bolsonaro
Mais de 5 salários mínimos: Bolsonaro 45% x 33% Lula

População economicamente ativa (PEA)
PEA : Lula 40% x 36% Bolsonaro
Não PEA: Lula 56% x 25% Bolsonaro

Regiões

Norte/Centro-Oeste: Lula 53% x 36% Bolsonaro
Nordeste: Lula 60% x 21% Bolsonaro
Sudeste: Lula 39% x 33% Bolsonaro
Sul: Bolsonaro 45% x 34% Lula

Condição do município

Capital: Lula 45% x 27% Bolsonaro
Interior grande: Lula 46% x 36% Bolsonaro
Interior médio: Lula 50% x 28% Bolsonaro
Interior pequeno: Lula 43% x 33% Bolsonaro
Região Metropolitana: Lula 47% x 35% Bolsonaro

Gênero

Feminino: Lula 51% x 25% Bolsonaro
Masculino: Lula 41% x 40% Bolsonaro

Faixa etária

16 a 24 anos: Lula 51% x 29% Bolsonaro
25 a 40: Lula 45% x 33% Bolsonaro
41 a 59: Lula 43% x 36% Bolsonaro
60 anos ou mais: Lula 49% x 27% Bolsonaro

Escolaridade

Fundamental 56% a 27%
Ensino médio 40% a 38%
Ensino superior 39% a 30%

Religião

Católicos: Lula 52% x 27% Bolsonaro
Evangélicos: Bolsonaro 46% x 35% Lula
Outras religiões: Lula 38% x 36% Bolsonaro
Sem religião: Lula 52% x 18% Bolsonaro

Na pesquisa estimulada da pesquisa, Lula ampliou sua vantagem em relação a Bolsonaro e detém 46% das intenções de voto contra 32% do atual presidente. No segundo turno, Lula derrotaria Bolsonaro com 54% contra 35%.

Bolsonaro sobe entre quem ganha Auxílio Brasil, mas sem tirar votos de Lula

Jair Bolsonaro subiu de 18% para 25% entre quem recebe Auxílio Brasil, entre abril e maio, mas Lula permaneceu com 50% de intenções de voto nesse grupo. Entre os que moram com alguém que ganha o benefício, Bolsonaro apenas oscilou de 28% para 29%, enquanto Lula cresceu de 47% para 59%. A informação faz parte de levantamento da FSB Pesquisa encomendado pelo BTG Pactual.

Esses dois grupos perfazem famílias com baixa renda, inscritas do Cadastro Único e aptas a receber o benefício, representando 15% da população. Entre quem não recebeu, os outros 85%, Bolsonaro oscilou negativamente de 34% para 33% e Lula subiu de 40% para 44%.

A situação da economia vem sendo apontada pela própria campanha do presidente da República como a principal dificuldade para melhorar seus índices de votação.

O Auxílio Brasil, o sucessor do Bolsa Família, que paga um mínimo de R$ 400, teve seu poder de compra bastante reduzido por conta da inflação. Por exemplo, em São Paulo, no mês de abril, a cesta básica subiu 27% segundo o Dieese.

Lula (PT) atinge, segundo a pesquisa, 65% de intenções de voto entre quem ganha um salário mínimo, enquanto Bolsonaro (PL) tem 17%, Ciro Gomes (PDT), 7%, André Janones (Avante), 2%, e Simone Tebet (MDB), 1%. De um a dois salários por mês, Lula tem 54%, Bolsonaro, 25%, e os demais se mantém com os mesmos índices.

Entre dois e cinco salários mínimos, há um empate técnico, com Lula apontando 37% e Bolsonaro, 38% - nesse grupo, Ciro tem seu melhor desemprenho, com 12%. E, entre quem ganha mais de cinco SM por mês, Bolsonaro tem 45% e Lula, 33%. A margem de erro é de dois pontos.

Eleitores de Lula, Ciro e Tebet culpam governo pela inflação, já os de Bolsonaro, a covid

O governo Jair Bolsonaro é o principal culpado pela escalada da inflação para a maioria dos eleitores de Lula, Ciro e Tebet, enquanto a maioria dos que pretendem votar no presidente culpam a pandemia.

Para 56% dos eleitores de Lula, 47% de Ciro e 56% de Tebet, a gestão Bolsonaro é a maior responsável pela inflação, enquanto 68% dos eleitores do presidente apontam a covid-19.

Jair Bolsonaro defende que a inflação é culpa das quarentenas e medidas sociais adotadas para salvar vidas na pandemia, o que ele chama pejorativamente de "fique em casa".

No ápice da segunda onda de coronavírus, em abril do ano passado, quando mais de 4 mil óbitos eram registrados por dia pela doença, ele repetia que lamentava aquilo, mas incentiva a volta ao trabalho afirmando que "a morte é o destino de todos".

De acordo com a pesquisa, 41% apontam a pandemia como principal responsável pela inflação e 37%, o governo federal - um empate técnico dada a margem de erro de dois pontos.

Para 85% dos eleitores, os preços aumentaram muito nos últimos três meses, outros 10% afirmam que aumentaram um pouco. E, para 70%, eles devem continuar aumentando nos próximos três meses.

As medidas de Bolsonaro contra a inflação têm sido eficientes na opinião de apenas 19% da população, segundo a pesquisa.


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