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Segunda-Feira 04.jul.2022

Ano X - Nº 494

Brasil

Maioria rejeita bandeiras pró-armas de Bolsonaro

Datafolha aponta que 71% discordam que 'sociedade seria mais segura se pessoas andassem armadas'. Sete em cada dez também rejeitam facilitar acesso às armas e ideia de que 'povo armado jamais será escravizado'

Postado em 02 de Junho de 2022 - DW

Agência Brasil Agência Brasil

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A maioria dos brasileiros rejeita as principais bandeiras pró-armas do presidente Jair Bolsonaro. Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 31 aponta que sete em cada dez brasileiros discordam da ideia de que armas trazem mais segurança para a população.

O levantamento do Datafolha envolveu três perguntas, que abordam diretamente ideias defendidas pelo presidente de extrema direita. Questionados sobre a frase "a sociedade seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência", 72% dos entrevistados discordaram. Apenas 26% concordaram com a ideia. Ainda na campanha eleitoral, Bolsonaro defendeu flexibilizar o acesso a armas de fogo para que, segundo ele, a população pudesse "se defender".

Segundo o Datafolha, o percentual de rejeição às armas é maior entre mulheres (78%), entre pessoas que se autodeclaram pretas (78%) e entre aquelas que recebem até dois salários mínimos (75%). A ideia de que "armas trazem mais segurança", porém, encontra mais aceitação entre brasileiros do sexo masculino (32%), da região Norte (33%) e com renda familiar superior a dez salários mínimos (37%).

Os entrevistados também foram confrontados com a frase "é preciso facilitar o acesso às armas". Neste caso, 71% discordaram e apenas 28% concordaram.

Por fim, o Datafolha submeteu um dos bordões do presidente Bolsonaro: "o povo armado jamais será escravizado", que o presidente já repetiu em várias ocasiões. Mais uma vez, essa bandeira do presidente também é rejeitada pela maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 69% rejeitam a afirmação. A discordância é novamente maior entre mulheres (73%) e entre pessoas autodeclaradas pretas (73%).

Apenas 28% dos brasileiros concordam com o presidente nesta questão. O percentual é maior na região Norte (40%) e entre pessoas com renda superior a dez salários mínimos (41%).

Em seu governo, Bolsonaro publicou uma série de medidas para facilitar o acesso a armas de fogo, mesmo com a oposição da maioria dos brasileiros.

Alguns dos projetos iniciais do presidente previam até mesmo o acesso facilitado a fuzis de assalto pela população, tal como ocorre nos EUA, país que Bolsonaro já se referiu várias vezes como "um exemplo" em relação a armas de fogo - ignorando que o número de homicídios por arma de fogo na sociedade americana é colossalmente superior ao de outras nações desenvolvidas.

Em dezembro de 2019, antes mesmo da posse de Bolsonaro, o Datafolha já havia apontado que seis em cada dez brasileiros afirmavam que a posse de armas deveria ser totalmente proibida, pois "representa ameaça à vida das pessoas".


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