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Ano X - Nº 494

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Biden: ‘Quando vamos enfrentar o lobby das armas?’

Ao lamentar massacre a tiros que deixou 21 mortos em escola no Texas, presidente americano faz apelo por restrições ao acesso a armas de fogo. ‘Por que estamos dispostos a viver com essa carnificina?’, questiona

Postado em 27 de Maio de 2022 - DW

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um apelo urgente por restrições ao acesso a armas de fogo no país, depois que um atirador de 18 anos matou ao menos 19 crianças e dois adultos em uma escola primária no Texas, nesta terça-feira (24/05).

Em um pronunciamento emocionado na Casa Branca, o líder democrata pediu aos americanos que enfrentem o lobby das armas e pressionem os membros do Congresso a aprovar leis sensatas sobre o tema. Biden culpou os fabricantes de armas e seus apoiadores por bloquearem legislações do tipo em Washington.

"Quando, em nome de Deus, vamos enfrentar o lobby das armas? Quando, em nome de Deus, vamos fazer o que todos nós sabemos que precisa ser feito?", questionou Biden na noite desta terça, logo após retornar de uma viagem de cinco dias à Ásia. "Estou cansado disso. Temos que agir. E não me digam que não podemos ter um impacto nessa carnificina."

Autoridades disseram que um rapaz de 18 anos abriu fogo em uma escola na pequena cidade de Uvalde, onde estudavam crianças de 7 a 10 anos de idade, antes de ser morto pela polícia. Segundo investigadores, ele carregava um revólver e um fuzil semiautomático.

"A ideia de que um garoto de 18 anos pode entrar em uma loja de armas e comprar duas armas de assalto é simplesmente errada. Para que, em nome de Deus, você precisa de uma arma de assalto, exceto para matar alguém?", declarou Biden. "E os fabricantes de armas passaram duas décadas comercializando agressivamente armas de assalto que lhes deram grandes lucros. Pelo amor de Deus, temos que ter a coragem de enfrentar a indústria."

Ataques a tiros nos Estados Unidos são frequentemente seguidos por manifestações públicas e pedidos de ação por políticos democratas, mas políticas federais de segurança de armas de fogo, como verificação de antecedentes criminais para a compra de armas, que são comuns em outros países, fracassaram diante da forte oposição republicana.

Em sua campanha à Casa Branca em 2020, Biden prometeu impulsionar tais medidas de segurança de armas e reduzir as dezenas de milhares de mortes anuais por armas de fogo no país. Mas o presidente e seus colegas democratas têm fracassado em conseguir os votos necessários no Senado para aprovar seus projetos.

"Leis funcionam"

Em 1994, Biden, então senador por Delaware, conseguiu aprovar uma proibição de armas de assalto com duração de dez anos em uma votação apertada de 52 a 48 no Senado dos EUA, que acabou não sendo renovada em 2004.

"Quando aprovamos a proibição de armas de assalto, os ataques a tiros em massa diminuíram. Quando a lei expirou, os ataques triplicaram", afirmou Biden nesta terça-feira. "Não podemos e não vamos evitar todas as tragédias. Mas sabemos que elas [as leis antiarmas] funcionam e têm um impacto positivo", completou o presidente.

Os Estados Unidos são a sociedade mais fortemente armada do mundo, de acordo com o grupo de pesquisas Small Arms Survey, sediado em Genebra.

Estados pequenos e rurais, muitas vezes liderados por republicanos, onde a posse de armas é generalizada, têm uma influência desproporcional no Senado americano, onde uma maioria de 60 votos é necessária para avançar a maior parte das leis na câmara de cem assentos.

Segundo o FBI, os EUA registraram 61 incidentes envolvendo um "atirador ativo" no ano passado, um aumento acentuado em relação ao ano anterior e a maior cifra em mais de 20 anos.

"Por que estamos dispostos a viver com essa carnificina? Por que continuamos deixando isso acontecer? Onde, em nome de Deus, está nossa espinha dorsal para ter coragem de lidar com isso e enfrentar os lobbies? É hora de transformar essa dor em ação", insistiu Biden.

Tragédia pessoal

Em seu discurso, o presidente ainda lamentou a morte de crianças "bonitas e inocentes em mais um massacre". "Eu esperava que, quando me tornasse presidente, não tivesse que fazer isso de novo."

Biden, cuja vida foi marcada por uma tragédia familiar, afirmou que os pais das vítimas no Texas "nunca verão suas crianças novamente, nunca as farão pular em suas camas e abraçá-las".

"Perder um filho é como ter um pedaço de sua alma arrancado. Há um vazio em seu peito, e você sente que está sendo sugado para dentro dele e nunca será capaz de sair. É sufocante. E nunca será o mesmo", disse o presidente, que perdeu sua primeira mulher e uma filha bebê em um acidente de carro em 1972. Seu filho Beau morreu de câncer em 2015, aos 46 anos.

Biden foi informado sobre o ataque no Texas ainda a bordo do avião que o levava da Ásia de volta aos EUA, segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.

Em proclamação emitida antes de desembarcar, o presidente ordenou que as bandeiras na Casa Branca e nos prédios federais e públicos americanos sejam hasteadas a meio mastro até o pôr do sol de 28 de maio, em memória das vítimas.

O atentado é o pior em escolas americanas desde dezembro de 2012, quando um homem de 20 anos matou 26 pessoas, incluindo 20 estudantes, na escola primária Sandy Hook, em Connecticut.


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