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Quinta-Feira 30.jun.2022

Ano X - Nº 493

Coluna

IBGE: 2,9 milhões de brasileiros adultos se declaram homossexuais ou bissexuais

Pesquisa indica que 1,8% da população adulta do Brasil se declara como homossexual ou bissexual

Postado em 26 de Maio de 2022 - Sul 21

Parada Livre de Porto Alegre. Foto: Guilherme Santos/Sul21 Parada Livre de Porto Alegre. Foto: Guilherme Santos/Sul21

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pela primeira vez uma pesquisa sobre o perfil de orientação sexual da população adulta brasileira. Realizada em 2019, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) – Quesito Orientação Sexual apontou que 2,9 milhões dos 159,2 milhões com 18 anos ou mais se declararam homossexuais ou bissexuais, o que corresponde a 1,8% da população adulta.

De acordo com o levantamento, 94,8% dos entrevistados se declararam heterossexuais; 1,2% homossexuais; 0,7% bissexuais; 1,1% não sabiam sua orientação sexual; 2,3% não quiseram responder; e 0,1% declararam outra orientação sexual, como assexual e pansexual, por exemplo.

A pesquisa apontou que o maior percentual de pessoas que se declaram homossexuais e bissexuais foi maior ente jovens de 18 a 29 anos, com 4,8% do total. Também foi o maior grupo que não sabia sua orientação sexual (2,1%) ou não quis responder (3,2%).

Também indica que a população de homossexuais ou bissexuais é maior entre os que têm nível superior e maior renda. No grupo de pessoas com nível superior, 3,2% se declararam homossexual ou bissexual, percentual significativamente maior do que os sem instrução ou com nível fundamental incompleto (0,5%).

Os maiores percentuais de homossexuais ou bissexuais também foram observados nas duas classes de rendimento mais elevadas, sendo de 3,1% para os que moravam em domicílios cujo rendimento per capita era de mais de três a cinco salários mínimos, e de 3,5% naqueles com mais de cinco salários mínimos per capita.

O IBGE destaca que os resultados da pesquisa são semelhantes aos verificados em levantamentos do tipo em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a coleta da orientação sexual pela autodeclaração é realizada desde 2013, a National Health Interview Survey (NHIS) mostrou que, em 2018, 3,2% das mulheres e 2,7% dos homens norte-americanos se declararam homossexuais ou bissexuais. No Brasil, a PNS, primeira experiência relacionada ao tema, mostrou que esses percentuais foram de 1,8% e 1,9%, respectivamente.

Os dados sobre orientação sexual foram coletados, em 2019, no âmbito da investigação sobre a atividade sexual da população adulta brasileira. O IBGE destaca que os entrevistados foram selecionados aleatoriamente entre os moradores dos domicílios visitados e, para preservar a privacidade deles, a coleta permitia o preenchimento pessoal das respostas à pergunta “Qual é sua orientação sexual?”, que tinha como opções de resposta: heterossexual; homossexual; bissexual; outra orientação sexual; não sabe; e recusou-se a responder.

“Tivemos esse cuidado porque sabemos que o estigma social existente sobre lésbicas, gays e bissexuais, assim como o medo da discriminação e violência, gera um maior receio do entrevistado informar verbalmente para outra pessoa sua orientação sexual, especialmente em cidades pequenas”, observa Maria Lúcia Vieira, a coordenadora da pesquisa.

Uma diferença da PNS em relação ao Censo Demográfico 2002, que não incluirá perguntas sobre orientação sexual e identidade de gênero, é que o Censo coleta informações sobre todos os moradores de um domicílio a partir de um entrevistado.

O órgão também destaca que a coleta dos dados foi feita a partir da autoidentificação, não sendo analisadas outras dimensões da orientação sexual, como atração ou comportamento sexual.

Maria Lúcia destaca que há pessoas que se sentem atraídas por outras do mesmo sexo, ou que ainda praticam sexo com pessoas do mesmo sexo, mas que não se identificam como homossexuais ou bissexuais.

“O fato de uma pessoa se autoidentificar como heterossexual, não impede que ela tenha atração ou relação sexual com alguém do mesmo sexo. Para a captação dessas diferentes formas de avaliar a orientação sexual, seria necessária a investigação do comportamento e da atração sexual, conceitos diferentes da autoidentificação, que não foram investigados na PNS”, diz.

A PNS não coletou dados sobre identidade de gênero, mas o IBGE estuda metodologia para incluir esse tema em suas pesquisas futuramente.


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