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Quinta-Feira 30.jun.2022

Ano X - Nº 493

Mato Grosso do Sul

Homens armados pressionam TI Guarani de Yvy Katu a arrendar terras para plantio de soja

'Esta é uma prática criminosa incentivada pelo governo Bolsonaro e autoridades locais', denuncia o Cimi

Postado em 25 de Maio de 2022 - Sul21

Foto: Ruy Sposati/Cimi Foto: Ruy Sposati/Cimi

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Lideranças da comunidade da Terra Indígena de Yvy Katu, localizada no município de Japorã (MS), estão sob ameaças de homens armados, que pressionam as famílias Guarani Nhandeva à ceder suas terras para o arrendamento. “Esta é uma prática criminosa incentivada pelo governo Bolsonaro e autoridades locais”, denunciou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em comunicado urgente divulgado nno último dia 21.

A área do iminente conflito foi retomada pela comunidade em 2013 e é moradia de famílias históricas que colocaram sua própria vida em risco para garantir o direito originário aos seu território, assinala o comunicado.  A Terra Indígena Yvy Katu está localizada entre municípios de Japorã e Iguatemi, fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

Segundo o Cimi, Kunha Poty_ é uma das lideranças que tem denunciado há tempos as invasões ao seu território por arrendamentos e que pede insistentemente ajuda das autoridades por conta das ameaças sofridas. “A situação piorou, depois que um conjunto de famílias de Yvy Katu denunciou, durante a Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Kaiowa e Guarani e que foi realizada entre os dias 17 e 21 de maio em Guaimbé – o arrendamento de terra para o plantio de monocultivos de soja”, denuncia a entidade.

As lideranças relataram que, enquanto estavam na assembleia a mata nativa da área foi derrubada e lavrada para o arrendamento, inclusive os insumos agrícolas foram estocados na terra em que vivem as famílias indígenas.

Segundo o relato das lideranças, dezenas de caminhonetes de fazendeiros estariam circulando ao redor das casas, efetuando disparos e ordenando a saída das famílias.

Além disso, segundo as lideranças, paraguaios, entre eles um identificado como Pedro Alvorada, estariam entre o grupo armado e efetuando ameaças proferindo palavras : “se vocês não aceitarem o plantio, serão mortos”. Eles também efetuaram disparos de armas de fogo.

“A situação é de extrema tensão e perigo e as autoridades têm o dever de proteger as lideranças ameaçadas e investigar as ameaças e invasões da terra indígena”, diz o Conselho Indigenista Missionário, que acrescenta: “O acesso à comunidade, pela rodovia MS 386 e que foi recentemente asfaltada, oferece possibilidade de ataques as famílias. Isso exige ação protetiva urgente destas famílias indefesas”.

 


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