Semana On

Quinta-Feira 30.jun.2022

Ano X - Nº 493

Coluna

Luisa Sonza e a tendência de Lula virar hit

Na semana quando as pesquisas demonstraram cenários semelhantes aos levantamentos anteriores, as subjetividades podem favorecer Lula

Postado em 19 de Maio de 2022 - Rafael Paredes

Reprodução Reprodução

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A pesquisa Genial/Quaest para Presidência da República apresentou cenários semelhantes aos anteriores onde o ex-presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto (46%) e com chances de vitória ainda no primeiro turno. O levantamento também apontou que, se o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) desistisse da corrida eleitoral, o petista liquidaria as eleições no primeiro turno e com folga.

Porém, as pesquisas também acenderam a luz amarela na campanha de Lula em relação a contínua diminuição da rejeição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos últimos cinco meses, cerca de 10% dos eleitores passaram a avaliar o governo do presidente Bolsonaro apenas regular e não mais ruim ou péssimo, segundo o Poder Data. Empresas de consultoria vêm afirmando que este é o caminho para reeleição de Bolsonaro: diminuir a rejeição. Nem precisa conquistar a aprovação (ótimo e bom), se conquistar mais uns 10% de regular, já vira contra Lula. Vai ter tempo para isso? Não sei, mas este é o foco.

Para o lado de Lula, a notícia boa não vem dos números, mas sim das subjetividades. Lula tem facilidade de virar hit. No final de semana, quando o PT lançou a pré-candidatura do ex-presidente, a cantora Ludimilla, que até outro dia defendia o direito de artistas isentões, publicou no seu perfil do Twitter um clip dela mesma cantando uma música “Vai dar PT” com a logo de Lula. No mesmo dia, a atriz Cléo Pires também publicou mensagem de apoio a Lula, fazendo o “L” com a mão seguinda pela cantora IZA em um show.

Dias depois, a cantora Luísa Sonza, que tem grande alcance nas redes sociais, entrou em um show com uma toalha que estampava a foto de Lula. Sonza nunca havia se manifestado em temas políticos. A toalha com foto e logo improvisadas está virando uma forma popular de manifestação de apoio ao ex-presidente.

O PT mudou o comando da comunicação da campanha de Lula, saiu o jornalista Franklin Martins e entrou o deputado federal, Rui Falcão, e o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. O primeiro teste da dupla deu certo: o lançamento da pré-candidatura no sábado. No evento, eles engessaram o discurso de Lula, que leu o pronunciamento, usaram uma estética mais verde e amarela e produziram um vídeo dividindo a realidade em duas, num contraste claro entre a beligerância bolsonarista e um Lulinha paz e amor. Tudo com a trilha da oração de São Francisco. “Onde houver ódio, que eu leve o amor”.

A esquerda tem uma maior conexão com a produção artística e cultural. Se a tendência de Lula virar hit se confirmar, se virar movimento, tendência e energia. Se cair na boca do povo, se se tornar algo indomável e com vida própria. Pode sair daí a vitória do petista.


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