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Quinta-Feira 30.jun.2022

Ano X - Nº 493

Coluna

Marcha em São Paulo denuncia aumento da violência contra população LGBTQIA+

Pelo menos 300 pessoas LGBT+ tiveram mortes violentas em 2021, crescimento de 8% em relação ao ano anterior, segundo balanço divulgado pelo Grupo Gay da Bahia

Postado em 19 de Maio de 2022 - RBA

 Guilherme Gandolfi - RBA Guilherme Gandolfi - RBA

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Ativistas marcharam no último dia 17, dia internacional de combate a LGBTQIfobia, contra o aumento da violência contra essa população. Após concentração no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, que deu início ao ato cultural #17MBolsonaroNuncaMais, uma multidão seguiu em direção à Rua Augusta com gritos de “Fora, Bolsonaro!”, e “Bolsonaro, Nunca Mais”. A data é marcada pela exclusão da homossexualidade da classificação internacional de doenças pela Organização Mundial da Saúde, em 1990.

Segundo o Conselho Nacional Popular LGBTI, o ato teve como objetivo fomentar, por meio da cultura e da arte, “a resistência à política genocida do atual presidente Jair Bolsonaro, que tem colocado as vidas LGBTQIA+ em risco”. “Por meio do discurso do próprio governo, que incentiva o ódio a qualquer pessoa que fuja da norma de gênero, há o crescimento dos assassinatos”.

Pelo menos 300 pessoas LGBT+ tiveram mortes violentas em 2021, crescimento de 8% em relação ao ano anterior, segundo balanço divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), com base em notícias coletadas em parceria com a Aliança Nacional LGBTI+. Foram 276 homicídios (92% do total) e 24 suicídios (8%). “O Brasil ainda é o país do mundo onde mais se assassinam LGBT: uma morte a cada 29 horas”, afirmam as entidades.

De acordo com o levantamento, 35% dos casos se concentraram na região Nordeste e 33%, no Sudeste. “É a primeira vez que o Sudeste concentra tantos óbitos. Mais do que a soma das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul. Não há regularidade sociológica que explique essa e muitas das ocorrências, como também, por exemplo, a redução das mortes nos meses de primavera”, diz o GGB.

Mais cedo, representantes de movimentos, organizações e entidades do Conselho Nacional Popular LGBTI+ participaram de audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo, promovida pela deputada Professora Bebel (PT), em defesa do Museu da Diversidade Sexual.

O museu foi fechado no final de abril, por tempo indeterminado, por decisão judicial que suspendeu o contrato de cerca de R$ 30 milhões firmado entre o governo paulista e o Instituto Odeon, responsável pela administração do espaço. A decisão, do início de abril, é baseada em ação movida pelo deputado estadual Gil Diniz (PL), apoiador de Jair Bolsonaro.


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