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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

O futuro do jornalismo impresso

As tecnologias da informação e da comunicação tem acelerado o processo de transformação do jornalismo.

Postado em 27 de Março de 2015 - Gerson Martins

Revolução tecnológica nas redações precisa atingir os jornalistas. Revolução tecnológica nas redações precisa atingir os jornalistas.

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Muito se tem discutido, muito se tem planejado, muito se tem avaliado o futuro do jornalismo impresso, o futuro do jornalismo e, consequentemente, o futuro do jornalista. As tecnologias da informação e da comunicação tem acelerado o processo de transformação do jornalismo. A atividade vive, nos últimos 10 anos, uma transformação significativa, seja da produção, das ferramentas disponíveis para produção, das relações de trabalho dos profissionais do jornalismo e até mesmo do próprio leitor. Esse é um fato! É inquestionável, é inegável essas transformações. Mesmo que elas se desdobrem ao longo de uma ou duas décadas, que sejam aceleradas, contundentes nesse período e, como o processo de desenvolvimento tecnológico rápido, acontecerá ao longo de pelo menos 20 anos.

Pessoas e pessoas, profissionais, empresários podem dizer que o tempo de 20 anos é o tempo de uma geração e que, portanto, não devem se preocupar, tampouco se avaliar e muito menos se questionar em seus processos, em suas políticas de administração e de gerenciamento do negócio chamado jornalismo. Não há qualquer dúvida que se está num processo de transição. Processo que se reflete na formação dos novos profissionais de jornalismo que, hoje, tratam o jornalismo de forma completamente diferenciada até mesmo das gerações de profissionais mais recentes em atividade nas empresas jornalísticas. O fazer jornalístico na próxima década será muito diferente do que se faz hoje. A geração atual de jornalistas ainda sabe muito pouco das tecnologias, ainda trabalha de forma inadequada os processos tecnológicos inerentes ao jornalismo.

Os jornalistas não podem mais se permitir o vício da mesmice nas redações.

Tecnologia e jornalismo possuem relação intrínseca, desde o primórdios do jornalismo. Não há como separar tecnologia do jornalismo. Manipular, trabalhar, gerenciar tecnologia no jornalismo é uma forma, ou “a" forma de sobrevivência. O profissional do jornalismo, o empresário do jornalismo que nega as inovações tecnológicas decreta, cedo ou tarde, sua falência.

Pode-se afirmar que está em curso um processo de extinção da profissão repórter do jornalismo impresso. Assim como muitos casos na fauna, é um tipo com os dias contados. Processo que levará consigo os métodos de produção, os métodos de trabalho. Entender que a apuração da noticia, da informação pode ser realizada exclusivamente pelo telefone, objeto arcaico utilizado como recurso na produção jornalística se constitui num descompasso com a sociedade atual, se pode dizer, com a sociedade digital. Os números dessa situação estão estampados nas dezenas de pesquisas de marketing que se realizam periodicamente. Nos territórios onde existe um jornalismo mais denso, onde as empresas jornalísticas evoluíram e não dependem mais do poder público para sua sobrevivência, as pesquisa mostram uma queda progressiva na tiragem, na venda dos jornais e, consequentemente, no investimento publicitário. A crise dos grande conglomerados de comunicação é resolvida com uma inversão nas prioridades, ou seja, colocar o digital em primeiro lugar.

Do outro lado, dos profissionais, ou melhor ainda, dos futuros profissionais do jornalismo que são qualificados nas Faculdades de Jornalismo é premente um ajuste nos processos de formação, sob o risco de “qualificar" jornalistas desequilibrados. E não se entenda aqui “desequilibrados" no sentido psíquico, mas no aspecto qualitativo, no aspecto “estar preparado”. Os jornalistas não podem mais se permitir o vício da mesmice nas redações.


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