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Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Bolsonaro tenta vender um golpe, se vão comprar eu não sei

Pelas informações que tem hoje, o presidente sabe que vai perde às eleições e tenta se perpetuar no poder por meio de uma narrativa disruptiva

Postado em 28 de Abril de 2022 - Rafael Paredes

Marcos Corrêa/PR Marcos Corrêa/PR

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Se tudo caminhar dentro da normalidade democrática, muito provavelmente o presidente Jair Bolsonaro perderá às eleições. Na última semana, a empresa americana de consultoria Euroasia Group afirmou que o ex-presidente Lula tem 70% de chance de ganhar as eleições. A empresa utiliza outros critérios que não apenas os quantitativos para suas análises e acertou o resultado em 2018.

Outros dados que preocuparam a equipe de Bolsonaro é que mais de 50% dos que não votaram nas eleições passadas, hoje afirmam voto no petista. Lula também é o destinatário de 18% daqueles que afirmam terem votado em Bolsonaro em 2018. O ex-presidente está há mais de seis meses com mais de 40% de intenções de votos para as eleições deste ano, porcentagem maior para o período do que todos aqueles que venceram as eleições desde a redemocratização.

O que está sobrando para Bolsonaro é imitar o ex-presidente americano Donald Trump e tentar dar um golpe. Por ora, o presidente tenta distrair parte do eleitorado indultando o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) de suas penas, quando o Brasil teve 11% das mortes por Covid no mundo com apenas 3% da população, quando a inflação é a maior dos últimos 27 anos, quando o Brasil voltou ao mapa da fome, quando o orçamento para casa popular caiu 98%, quando a compra de armas de fogo triplicou e as mortes violentas voltaram a subir, quando o desmatamento em terras indígenas cresceu 138%, quando com o filho senador do presidente comprou uma mansão de R$ 6 milhões tendo salário de R$ 25 mil, quando o brasileiro gasta 15% de um salário mínimo para comprar um botijão de gás (dados da jornalista Maria Cristina Fernandes).

É nesse cenário que o presidente volta a colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro e sugere que as eleições podem ser canceladas caso algo estranho aconteça. Bolsonaro tenta vender a possibilidade de golpe. Grande parte da classe política, até aliados do próprio presidente, não querem comprar a tese disruptiva por terem sido eleitos neste sistema e atestarem sua confiabilidade. Mas, documentos entregues pelas Forças Armadas ao Tribunal Superior Eleitoral parecem indicar que parte dos militares querem embarcar no golpismo novamente.

Na “contribuição” que o Exército Brasileiro foi gentilmente convidado a dar sobre nosso respeitado processo eleitoral, a caserna sugere a contagem individual de votos a qualquer tempo e nega confiar nas urnas eletrônicas. Tudo isso a cinco meses das eleições. Com oito mil cargos comissionados, generais em estatais e com orçamento maior que da Educação para comprar de picanha a viagra, fica difícil não enxergar fraude eleitoral se o capitão perder.

Do outro lado Lula segue fiel a seu objetivo de perder as eleições (alerta de ironia). Depois de defender aborto, criticar a classe média, fazer comentário dúbio sobre policiais, o petista agora se equivale a Bolsonaro nas piadas de mal gosto e preconceituosas. Agora falando sério, Lula trabalha para vencer no primeiro turno e sua estratégia não está errada. Em uma eleição de dois candidatos fortes, polarizados e com caráter plebiscitário, a eleição pode acabar no primeiro turno. Para isso o petista está fazendo alianças até com desafetos e entregando a cabeça de aliados históricos.

A estratégia de Bolsonaro é igual aquele tiktok: “o golpe está aí. Cai quem quer”.


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