Semana On

Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

Exame/Ideia: Lula tem 42% e Bolsonaro, 33%. Distância caiu dois pontos

PoderData: Com saída de Moro, Bolsonaro cresce 15 pontos entre seus eleitores de 2018

Postado em 22 de Abril de 2022 - Rudolfo Lago (Congresso em Foco), Carta Capital, Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

 Pesquisa mostra queda na diferença de Lula para Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert e Carolina Antunes/PR Pesquisa mostra queda na diferença de Lula para Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert e Carolina Antunes/PR

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Na noite de quinta-feira (21), foi divulgada nova rodada da pesquisa Exame/Ideia. E ela é mais uma a apontar a aproximação do presidente Jair Bolsonaro (PL) do seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas.

Na simulação de segundo turno, com relação à rodada anterior, a diferença de Lula para Bolsonaro caiu de 13 pontos para nove pontos percentuais. Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula teria 48% das intenções de voto e Bolsonaro 39%. A maior diferença entre os dois chegou a 17 pontos no final do ano passado, mas, desde então, vem diminuindo.

Nas simulações de primeiro turno, foi a primeira vez que a pesquisa testou o cenário sem a presença do ex-juiz Sergio Moro, que era candidato pelo Podemos, trocou de partido para o União Brasil e deixou de ser candidato. Sem Moro, Lula ganhou dois pontos, passando dos 40% que tinha em março para 42%. Mas Bolsonaro ganhou quatro pontos, passando de 29% para 33%. A distância entre os dois caiu de onze pontos para nove pontos percentuais.

No cenário 1 medido pelo Instituto Ideia para a revista Exame, vem em seguida Ciro Gomes (PDT), com 10%. João Doria (PSDB) tem 3%. Simone Tebet (MDB), André Janones (Avante), Sofia Manzano (PCB), José Maria Eymael (Democracia Cristã) e Leonardo Péricles (UP) têm 1%. Luís Felipe D’Ávila (Novo) tem 0,5%. Vera Lúcia (PSTU), 0,3%. Luciano Bivar (União), 0,2%. Aldo Rebelo (sem partido), 0,1%.

“O maior destaque dessa pesquisa é a melhora do presidente Jair Bolsonaro nas intenções de voto”, avalia o fundador do Instituto Ideia, Mauricio Moura. “Essa melhora se deu por vários fatores, a começar pela acomodação dos eleitores antipetistas ou eleitores que ficaram órfãos do ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro”. Maurício Moura também observa que eleitores evangélicos ficaram incomodados com as declarações de Lula sobre o aborto.

A pesquisa também testou outros cenários. No cenário 2, Doria é substituído como candidato por Eduardo Leite (PSDB). Nesse caso, Lula fica com 43%. Bolsonaro com 34%. Ciro Gomes com 10%. Eduardo Leite com 4%. Simone Tebet, Sofia Manzano, Eymael e Janones aparecem com 1%. Luiz Felipe D’Ávila com 0,5%. Vera Lúcia, 0,3%. Péricles e Bivar, 0,2%. E Aldo, 0,1%.

PoderData: Com saída de Moro, Bolsonaro cresce 15 pontos entre seus eleitores de 2018

O presidente Jair Bolsonaro cresceu 15 pontos percentuais entre aqueles que votaram nele no segundo turno de 2018 e pretendem repetir o voto neste ano, de acordo com a nova rodada da pesquisa PoderData do último dia 18. De acordo com o instituto, a alta foi estimulada pela saída do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil).

Há apenas um mês, o ex-capitão tinha 47% das intenções de voto entre aqueles que dizem ter votado nele no segundo turno daquele ano. O índice que pretende repetir o voto é de 62% no levantamento desta segunda-feira.

Os demais candidatos, segundo a pesquisa, não têm variações significativas. Ciro Gomes (PDT) e Lula (PT), por exemplo, recuam 3 pontos percentuais. Lula tinha 20% e agora soma 17%; Ciro tinha 6% e agora tem 3%.

João Doria (PSDB) segue o caminho inverso, mas muda o patamar dentro da margem de erro. Há um mês, o tucano somava 2% das intenções de voto entre eleitores de Bolsonaro em 2018. O volume em favor de Doria registrado nesta segunda-feira é de 4%.

André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB) mantêm o mesmo percentual, de 2%. Eymael (PSC), que não estava na lista passada, tem 1%. Todos os demais candidatos não pontuam neste segmento do eleitorado.

Eleitores de Haddad

Já entre os eleitores que disseram ter votado em Fernando Haddad (PT) em 2018, Lula é quem recebe o maior percentual: 73%. O índice também se movimentou 3 pontos percentuais para baixo em um mês.

Bolsonaro, por sua vez, conseguiu atrair mais 5% dos votos de Haddad no período, saltando de 2% para 7%. Ciro, que tinha 7%, caiu para 2%. Doria, por sua vez, saiu de 4% para 1% entre aqueles que votaram no petista.

Entre os demais candidatos, Janones tinha 3% e passou a somar 4% e Tebet perdeu seu único ponto. Leonardo Péricles (UP) e Vera (PSTU), que não eram listados na última pesquisa, aparecem nesta rodada com 1% das intenções de voto.

Brancos e nulos

Outra movimentação significativa ocorreu entre eleitores que dizem ter votado branco/nulo no segundo turno de 2018. Há um mês, 53% diziam que votariam em Lula nas eleições de outubro deste ano. Nesta segunda, o volume caiu para 33%.

Ciro Gomes segue como maior ‘herdeiro’ de votos neste segmento. O pedetista tinha 15% das indicações há um mês e saltou para 27% nesta nova rodada da PoderData. Bolsonaro, por sua vez, oscila 2 pontos para baixo, saindo de 16% para 14%.

Com exceção de Janones, que saiu de 1% para 4%, nenhum outro candidato pontua neste segmento.

Para chegar aos resultados desta segunda-feira, a PoderData ouviu 3 mil pessoas entre os dias 10 e 12 de abril. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais e o índice de confiança é de 95%.

A chamada terceira via é de direita e irá com Bolsonaro contra Lula

Se Ciro Gomes (PDT), impiedoso adversário de Lula e Bolsonaro, agora admite se entender com o grupo de partidos à caça de um nome para candidato da terceira via a presidente, por que não pode ser ele o escolhido? Não é direita de raiz? Em um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, Ciro não apoiaria Bolsonaro?

Uma parte, talvez a maior desse grupo de partidos (MDB, PSDB, União Brasil, Cidadania), acabará no colo de Bolsonaro no primeiro ou no segundo turno, porque tem mais afinidade com ele. Admitir isso, a essa altura, seria contraproducente. Mas a verdade é essa, a manter-se escondida até quando for possível.

Nenhum candidato recusa apoio, e Ciro não recusará. Mas ele está mesmo é interessado em se compor com o União Brasil, a noiva mais disputada no momento, porque dispõe de dinheiro farto e de tempo generoso de propaganda eleitoral no rádio na televisão. Se mais algum partido quiser apoiá-lo, Ciro ficará grato.

Simone Tebet, aspirante a candidata pelo MDB, voltou a dizer que não contem com ela para vice de ninguém. Silêncio é ouro, palavra é prata, mas, como lhe perguntaram, foi o que ela disse. Até que desista ou que seja golpeado, o candidato do PSDB a presidente é João Doria, ou João Teimoso, que se recusa a abandonar o palco.

Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul, a essa altura topa tudo, inclusive ser candidato a vice. Derrotado por Doria nas eleições primárias do PSDB, ele mandou os escrúpulos às favas. É o nome queridinho da Brigadeiro Faria Lima, bastião das maiores fortunas do país, que contra Lula fechará outra vez com Bolsonaro.


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