Semana On

Terça-Feira 24.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

ATL - Acampamento Terra e Lula Livre

Movimento indígena brasileiro aldeando a política

Postado em 13 de Abril de 2022 - Ricardo Moebus

Marcha Demarcação Já, durante o ATL 2022. Foto: Marina Oliveira/Cimi Marcha Demarcação Já, durante o ATL 2022. Foto: Marina Oliveira/Cimi

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Encerrou-se nesta quinta feira 14 de abril, em Brasília, o 18o Acampamento Terra Livre - ATL, considerado a maior manifestação indígena do mundo atual, com a participação de sete a oito mil pessoas.

No documento final do ATL os povos indígenas ressaltam a gravidade, a urgência do momento que vivemos neste atual desgoverno:

Como nos tempos da invasão colonial, enfrentamos um declarado plano de morte, etnocídio, ecocídio e genocídio, nunca visto nos últimos 34 anos de Democracia no nosso país.”

Diante da urgência, da crise climática, ambiental, sanitária, humanitária, mais que tudo política-representativa, o ATL 2022 foi marcado, entre grandes momentos ontológicos, como a marcha manifestação do dia 13 de abril, chamada “Queda do Céu”, foi marcado pelo lançamento de trinta pré-candidaturas de lideranças indígenas de todo o Brasil para as próximas eleições desde ano.

A presença do pré-candidato Lula à presidência da República foi um ponto alto de resgate dos laços e alianças de Lula com o movimento indígena. 

Lula pôde relembrar, acompanhando pela primeira deputada federal mulher indígena da história do Brasil, Joênia Wapichana, pôde relembrar a homologação da Terra indígena Raposa Serra do Sol, em seu governo como presidente, quando na época, a agora deputada Joênia, era a advogada defendendo esta causa da Raposa Serra do Sol.

Lula não só assinou um compromisso de barrar a política anti-indígena e anti-ambiental que atualmente impera no Brasil, mas foi além e prometeu a criação de um ministério dos povos indígenas, lembrando a criação do ministério da igualdade racial em seu governo anterior.

Além disso, afirmou que o ministério a ser criado será conduzido necessariamente por uma liderança indígena, convidando as lideranças presentes para estarem preparadas para o desafio.

Para encerrar sua participação, Lula Livre no Acampamento Terra Livre, corajosamente convocou o movimento indígena para estarem juntos novamente no ATL de 2023, para que ele possa ser cobrado pelas promessas feitas no ATL 2022.

O ATL 2022 foi sem dúvida marcado por uma busca de aproximação inédita do movimento indígena com o conjunto dos outros movimentos sociais de reconstrução de um Estado brasileiro democrático de direitos conquistados e garantidos constitucionalmente, como fica claro no documento final:

“Por um país realmente democrático, justo, multicultural, que respeite e proteja as nossas vidas e da Mãe Natureza, seguimos em aliança com os trabalhadores do campo e da cidade, em luta permanente.”


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