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Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Lula trabalhou intensamente nesta semana para perder as eleições

Independentemente de se concordar ou não com o mérito, o ex-presidente escorregou em todas as cascas de banana colocadas pelo caminho

Postado em 07 de Abril de 2022 - Rafael Paredes

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Em uma semana de estagnação nas pesquisas do ex-presidente Lula e de avanço do presidente Jair Bolsonaro, o petista fez defesas de temas espinhosos e desagradáveis para parte do eleitorado brasileiro. Sem fazer juízo de valor, qualquer estrategista sabe que não é o momento de defender aborto, cutucar militares e reforçar o clima de intolerância no Brasil. Lula conquistou essa tríplice coroa em questão de dias.

A primeira pesquisa a medir o cenário eleitoral sem a pré-candidatura do ex-ministro Sérgio Moro mostrou um Lula parado no seu teto de intenções de voto (44%) e Bolsonaro avançando quatro importantes pontos a mais em relação ao levantamento anterior e chegando 30%. É importante registrar que a pesquisa IPESPE divulgada na quarta-feira (06) foi realizada com apenas 1.000 pessoas e por telefone de forma robótica. Não é a metodologia mais apreciada.

Alguns analistas não responsabilizaram apenas a desistência de Sérgio Moro para o crescimento de Bolsonaro. A amarelada do ex-Juiz favoreceu todos os outros postulantes, menos Lula. Bolsonaro avançou em faixas onde amarga seus piores índices, entre as mulheres (4%) e entre os mais pobres (7%). Sinal bem amarelo para o PT.

Como se não bastasse esses dados, Lula resolveu se manifestar sobre temas espinhosos e conseguiu atiçar a violenta máquina bolsonarista. Enquanto Bolsonaro instiga militares a um golpe, caso seja derrotado nas urnas, Lula resolveu afirmar que demitirá 8 mil egressos das Forças Armadas de seus cargos comissionados. A fala foi em um encontro com sindicalistas e com um questionável senso de oportunidade.

No mesmo encontro, bem à vontade como sempre ocorrem as gafes, o petista defendeu que não adianta ir para Brasília fazer manifestação, mas sim descobrir o endereço de parlamentares e ir até a casa deles abordando até mesmo os seus familiares. A fala foi interpretada como intolerância e como ameaça contra os parentes de políticos. Desagradou a muitos. Parlamentares bolsonaristas foram os mais exaltados e gravaram vídeos com armas na mão e ameaçando de morte quem se aproximar de suas residências.

Para fechar com chave de ouro a sua estratégia casca de banana, Lula resolveu defender o aborto. Este tema é a armadilha clássica, só os incautos caem. Lula caiu. Em encontro com a Fundação alemã Friedrich Ebert, o ex-presidente afirmou que o aborto é uma questão de saúde pública e que a pauta Bolsonarista sobre família é atrasada. Se existe um canal de conexão entre a extrema-direita e as camadas mais populares da população é a família. É na família que o pobre se apoia para superar suas dificuldades. Quando Lula questiona uma suposta pauta de costumes, tira o foco do que é importante para o país hoje e entrega votos importantes para Bolsonaro.

Sem entrar no mérito, o aborto é outro tema que azeita o diálogo entre extremistas e as camadas menos favorecidas da sociedade. As famílias brasileiras são conservadoras. Se um dia o PT vencia eleições prestigiando às famílias por meio do Bolsa Família, hoje parece estar querendo colocar uma eleição em risco.


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