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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Empreender em tempos de crise

É um bom negócio?

Postado em 20 de Março de 2015 - Jorge Ostemberg

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Se essa pergunta for feita a Tom Peters, considerado um dos principais gurus do marketing, a partir dos anos oitenta; ele responderá que a crise é algo contínuo, e que não há como empreender em tempos sem ela, sem a crise. E as convulsões político econômicas, para ele e alguns outros teóricos, até mais tradicionais, como o já falecido Peter Drucker, muitas vezes são, inclusive, talvez o momento ideal para se empreender ou investir em um novo negócio.

Se podemos considerar a crise como algo permanente, em termos gerais, já, em termos específicos, temos que reconhecer que há períodos turbulentos o suficiente na sociedade e sua economia, para que se trate o tema com maior prudência que a comum. Desta forma, pensando na necessária prudência, se trouxe para o artigo desta semana, algumas indicações de sites direcionados para administração e empreendimentos, colhendo-se opiniões que talvez se encaixem com justeza na indagação de leitores que busquem aconselhamento justamente sobre empreendimentos em tempos de crises.

Adriano Lira, da revista Pegn.Globo observa que, já à época da iminência das eleições presidenciais os resultados econômicos já traziam indicações pessimistas; e o que o empreendedor deveria fazer? A resposta dada por ele é direta, simples: “não esmorecer”. Ele lembra que Hernán Kazah, cofundador do Mercado Livre, relata a ocorrência da bolha da internet, logo após um ano da fundação da empresa; e, mesmo com a força do golpe, mantiveram o foco na equipe, produto e clientes, a conseguiram crescer. Ele elenca as principais posturas para vencer, que foram aplicadas à época: a consideração de que a ideia não é tudo, sempre há concorrência, é preciso uma boa execução administrativa; é necessário valorizar aquilo que realmente importa, o foco é essencial nessas horas de crise, principalmente; os pessimistas são aqueles aos quais não se deve dar ouvidos, lembrando sempre que o fim é não ter fim.

Outro vizinho sul-americano, Patrício Cortés, falando justamente sobre empreendedorismo em tempos de crise, à Fundação Dom Cabral, destaca: “‘As crises sempre são fontes de oportunidades’, é a frase que mais se repete quando estamos em meio a uma. E, é claro, o mundo sempre pode ser dividido em otimistas e pessimistas. Entre os que veem o copo meio cheio ou meio vazio. Isso é um fato”. Para ele, existe o empreendedorismo por necessidade e aquele pela oportunidade. E o empreendedor tem que entender que o que ocorre é uma mudança nos tipos de oportunidades. As pessoas, durante crises, são naturalmente inclinadas a desviar-se de consumos de coisas de luxo, para privilegiar aquilo que é essencial. Lembra ainda que deve se lembrar que é uma época em que coisas de mercado baixam os preços, e isso é naturalmente uma oportunidade, para quem podem comprar em baixa e depois ou vender em alta, ou assumir os novos lucros.

No site português Expresso Emprego encontramos Cátia Mateus trazendo o exemplo da Europa, para compararmos ao caso do Brasil. Ela observa que, uma crise traz dispensa de empregados, e esses recomeçam, muitas vezes com boas iniciativas de empreendimento. Nota que um programa estratégico para empreendedorismo e inovação, durante uma crise, chegou a registra mais de 4.000 candidaturas. Para ela, tem que se observar que o empreendedorismo pode ser muitas vezes, justamente uma resposta às crises de desemprego.

Os estadunidenses, por natureza mais otimistas com empreendimentos, como aponta uma obra clássica da literatura, “A Volta ao Mundo em 80 dias”, quando Fíleas Fogg e outros passageiros perguntam “o guarda é norte-americano?”; e vinda a resposta positiva, entendem que realmente as informações que ele passara são relacionadas ao limite possível, geralmente entendem que há relação direta entre crises e “é momento de empreender”.

Diz Jerome Engel, fundador e diretor do Centro Lester para o Empreendedorismo e Inovação, da Universidade da Califórnia, em Berkeley: “Não há melhor altura para arrancar um projeto inovador do que em períodos de declínio”. E ele observa que a história confirma sua afirmação, notando que fala não em empresariado de subsistência, sim de novos modelos de negócio e de comercialização de ideias inovadoras e baseadas em tecnologia. Obviamente, porém, o empreendedor deve estar preparado para a dificuldade de captação de capital, caso preciso fazê-lo. No entanto, mobilização de pessoal talentoso, imobiliário mais barato e o tempo suficiente para experimentar, são ofertas que tem muito maior volume em épocas de crise.

Esse mesmo professor de Berkeley, nota que o melhor “segredo” dessas épocas de crise é saber usar a globalização em sintonia com as características locais e regionais, onde o projeto é desenvolvido, pois isso significará importante via de acesso.

Vendo outros artigos, encontramos uma linha semelhante de pensamento; certa unanimidade que os tempos de crise não impedem a fertilidade para empreendedorismo e que são naturalmente época apropriada para o que Peter Drucker, o teórico estadunidense de maior destaque sobre administração aponta como uma das pilastras empresariais: a inovação; restando que a resposta para a pergunta do título do artigo é: “sim, empreender em tempos de crise pode ser um bom negócio”.

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