Semana On

Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Legislativo

Entidades debatem implantação de restaurantes populares em MS

Proposta de Amarildo Cruz é fundamental neste momento em que a situação de pobreza e de fome foi agravada pela pandemia da Covid-19

Postado em 01 de Abril de 2022 - Redação Semana On

Foto: Assessoria de Imprensa da ALEMS

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“Estamos falando aqui simplesmente do direito da pessoa de se manter de pé”, enfatizou o deputado Amarildo Cruz (PT) na abertura da audiência pública “Restaurante Popular: urgente para muitos, importante para todos”. O evento, proposto pelo parlamentar e realizado de forma semipresencial na tarde do último dia 31 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), discutiu a implantação de restaurantes que ofereçam alimentação de qualidade e com preços acessíveis à população em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

De acordo com o deputado, a implantação de restaurantes populares é fundamental neste momento em que a situação de pobreza e de fome foi agravada pela pandemia da Covid-19. “Esse tema deveria atrair a atenção de toda sociedade, de qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade”, disse o parlamentar. Em Mato Grosso do Sul, a pandemia elevou para 580 mil o número de pessoas em situação de pobreza, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentados na audiência.  

A discussão sobre os restaurantes populares é fomentada, na ALEMS, pela Frente Parlamentar Estadual em Defesa da Segurança Alimentar e Nutricional, coordenada por Amarildo Cruz, e conta com a participação do Governo do Estado, do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Mato Grosso do Sul (Consea/MS), entre outras entidades.

A ideia é que a implementação de restaurantes populares em Mato Grosso do Sul seja assegurada em lei. Isso dependerá do envio de projeto de lei pelo Governo Estadual - neste caso, a competência de iniciativa é do Poder Executivo. A Frente Parlamentar Estadual em Defesa da Segurança Alimentar e Nutricional e entidades envolvidas nessa discussão irão formatar um documento em reunião a ser realizada em breve. Esse documento será enviado ao Executivo para elaboração do projeto.

Alimento de qualidade, com preço acessível e fomento da agricultura familiar

O documento a ser encaminhado ao Governo deve ser fundamentado, em grande medida, na proposta apresentada pela nutricionista e doutora em Nutrição e Saúde Pública, Camila Medeiros da Silva Mazzeti, presidente do Consea/MS.

De acordo com a proposta, os restaurantes populares deverão oferecer alimentos de qualidade e com preços acessíveis. A refeição custaria R$ 3,50 e o café da manhã, R$ 1,50. Terão prioridade os grupos mais vulneráveis, em situação de insegurança alimentar e nutricional. Não seria cobrado nenhum valor de crianças com até seis anos e de pessoas em situação de rua cadastradas nas secretarias municipais de Seguridade Social.

“Nós não abrimos mão da comida de verdade”, enfatizou Camila, referindo-se à alimentação saudável e de qualidade a ser oferecida nos restaurantes populares. Conforme a proposta do Concea/MS, os alimentos serão in natura e minimamente processados. No cardápio, a preferência será por pratos regionais de Mato Grosso do Sul.

Também há preocupação com o fomento da agricultura familiar. Conforme a proposta, pelo menos 30% dos alimentos deverão ser comprados de pequenos agricultores por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

A proposta também prevê que o financiamento do programa seja bipartide. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (SEDHAST), repassaria recursos para a compra dos alimentos e para o funcionamento do restaurante, calculados  conforme o índice de vulnerabilidade e o tamanho do município. Aos municípios, caberia a gestão local, fornecimento de infraestrutura e mão de obra, podendo também custear parte dos alimentos.

Experiência do Rio Grande do Norte: 11 milhões de refeições em um ano

Na audiência, também foi partilhada a experiência do Rio Grande do Norte, em apresentação feita, remotamente, pela nutricionista Lorena Leite, chefe do Grupo Auxiliar de Nutrição da Coordenadoria Operacional de Desenvolvimento Social (Codes). Ela informou que no seu estado tem 113 unidades de três programas de segurança alimentar e nutricional: Restaurante Popular (com 56 unidades), Café Cidadão (45 estabelecimentos) e Sopa Cidadã (12 locais).

Conforme a nutricionista, os programas do Rio Grande do Norte ofereceram, no ano passado, 11 milhões de refeições, o que demandou investimento de R$ 60 milhões. A oferta média diária é de 8.635 refeições do tipo café da manhã, 29.449 refeições no almoço e janta e 2.925 sopas. O valor da janta e do almoço é de R$ 1. Já a sopa e café da manhã custa R$ 0,50.

O deputado Amarildo Cruz informou que a proposta do Concea/MS e a experiência do Rio Grande do Norte terão importância fundamental na elaboração da proposta final a ser encaminhada ao Governo do Estado. Ele propôs como encaminhamento a realização de reunião, em breve, para formatação da proposta. A data será definida conforme a disponibilidade dos representantes das entidades que participam do processo.

Participação do Governo, entidades e da população

A audiência contou com a presença de representantes do Governo e de entidades ligadas à segurança alimentar e nutricional. Um dos participantes do encontro foi o deputado licenciado Eduardo Rocha, secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica. Ele frizou a contradição entre alta produção de alimentos e a existência de pessoas passando fome. "É desumano um estado que produza tanto alimento ter pessoas passando fome", disse. E assegurou: "O Governo está pronto para elaborar um programa junto com a Assembleia Legislativa e outras entidades para levar comida para quem precisa. Podem contar com o Governo do Estado". 

Também participaram da audiência a secretária da SEDHAST, Elisa Cleia Pinheiro Rodrigues Nobre, a representante do Conselho Regional de Nutricionista, Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, a superintendente da Política de Direitos Humanos da SEDHAST, Ana Lúcia Américo Antônio, a vereadora por Campo Grande, Camila Jara (PT), entre outras autoridades. 

A audiência foi transmitida ao vivo pela TV ALEMSYoutube e Facebook. Diversas pessoas fizeram comentários sobre a importância da implantação de restaurantes populares e encaminharam sugestões e perguntas, que foram lidas e respondidas durante o evento. 


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